segunda-feira, 12 de outubro de 2026

REVISTA MEER - ARTIGO DE OUTUBRO


 

Um excerto do meu artigo de Outubro na revista MEER, que podem ler e comentar selecionando o link:

https://www.meer.com/pt/109532-o-vazio

“(…) Depois do divórcio, fez por se tornar invisível. Foi viver para um quarto alugado, onde uma velha passava o tempo a fazer malha e a ver novelas com o som muito alto. Com o tempo, viu-se a tomar conta da senhora — sem saber bem como chegara ali, como quem acorda já a meio de uma frase sem ter ouvido o início. Dobrou-se para apanhar a tampa da garrafa que caíra no chão da cozinha. O sol escondeu-se atrás das nuvens. Um dos gatos veio roçar-se na canela. Ele pensava no que havia de fazer para o jantar — talvez descongelar umas almôndegas, que a senhora gostava de almôndegas com esparguete, ou talvez ir ao Pingo Doce buscar comida pronta — e neste dilema tocaram à porta.“

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

INÊS ZENHA, ÁGUAS TURVAS

 


Uma tarde bem passada na Gulbenkian — O suficiente para escapar aos efeitos de uma birra.

Lodo, desenterro, águas turvas.

A exposição Águas Turvas, de Inês Zenha, patente no CAM — Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, convida-nos a mergulhar num ecossistema subterrâneo onde a matéria orgânica, o corpo e a memória se fundem. É uma exposição que parece falar do país inteiro: uma caverna de barro, tubagens e água, onde aquilo que foi enterrado volta a germinar.

Vivemos, de facto, num pântano. Enquanto o mundo continua a ruir, parte dos média portugueses ocupa-se em dissecar o comunicado de um jogador que escolheu o dia da despedida de Messi para exigir que o selecionador o compare a Pelé e a Maradona. Hoje, o Orçamento do Estado foi aprovado em Conselho de Ministros e Anne Carson foi distinguida com o Nobel da Literatura; mas o burgo prefere escalpelizar o comunicado até à exaustão.

O lodo não é apenas aquele que se pisa. É também o que se produz, dia após dia, em manchetes, insinuações e campanhas. Se antes estávamos no pântano, agora parece que dele já não conseguimos sair.

#InêsZenha #ÁguasTurvas #MédiaPortugueses #SelecçãoNacional #CristianoRonaldo

domingo, 4 de outubro de 2026

LIVRARIA VERNEY 3 DE OUTUBRO

 



Foi uma tarde muito agradável, marcada pelo encontro com leitores e amigos para conversar sobre banca, bancários e as profundas transformações do setor financeiro.

Agradeço à Livraria Municipal Verney, nas pessoas da Dra. Cláudia Frederico e do Dr. António Baltazar Gonçalves pelo acolhimento e pela organização do evento.

Um agradecimento muito especial ao Dr. Luís Figueiredo, que gentilmente cedeu a sua voz e experiência para falar sobre a banca e os bancários, enriquecendo verdadeiramente a conversa.

Obrigado a todos os presentes pela presença, pelas palavras, pelas memórias partilhadas e pelo interesse por esta história que merece continuar a ser contada.

#Bancários #RetratosComDataValor #LivrariaMunicipalVerney #Oeiras #Banca #Livros


segunda-feira, 28 de setembro de 2026

LIVRARIA VERNEY - APRESENTAÇÃO

 


É com grande entusiasmo, que anunciamos a apresentação do livro Bancários, Retratos com data-valor, no próximo sábado, dia 3 de outubro, na Livraria Verney. 



Brevemente daremos mais pormenores, mas contamos, desde já, com a vossa presença!









sábado, 19 de setembro de 2026

A LIVRARIA - FESTA DO LIVRO DE OEIRAS

 


A segunda edição de A LIVRARIA – Festa do Livro de Oeiras realiza-se entre 18 e 27 de setembro, e associa-se às comemorações dos 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia, sob o tema ‘Anos 90 bem vividos’. Uma viagem por uma década marcante, revisitada através da literatura, da memória e da cultura, celebrando as transformações que moldaram o país e o seu percurso europeu.

Com cerca de duas dezenas de stands,  damos voz às livrarias independentes deste país, num evento único no panorama editorial e livreiro português, com uma programação associada a uma feira do livro que será uma festa das livrarias. Durante dez dias, livros, conversas, música, poesia e memória cruzam-se numa programação que procura perceber o que mudou em Portugal nessa década e, sobretudo, o que dela ainda permanece.

Consulte no nosso site toda a programação: https://bibliotecas.oeiras.pt/a-livraria/

HORÁRIO

Segunda a quinta | 17h00 às 22h00

Sextas | 17h00 às 23h00

Sábados | 10h00 às 23h00

Domingos | 10h00 às 21h00

Informações: fernanda.marques@oeiras.pt

Entrada livre, sujeita à capacidade das salas (nos eventos que ocorrem no interior do Templo da Poesia).

domingo, 6 de setembro de 2026

REVISTA MEER - ARTIGO DE SETEMBRO




Um excerto do meu artigo de Agosto na revista MEER, que podem ler e comentar selecionando o link:

https://www.meer.com/pt/106533-as-horas-imperfeitas


“(…) Custava-lhe levantar-se às seis e quarenta e cinco da manhã, ao contrário da mulher, incapaz de permanecer na cama depois dessa hora. Com o desemprego, então, encarnou o cliché do homem de roupão e barba por fazer, enrolado nos lençóis até perto do meio-dia, enquanto a mulher, já irritada, o tentava acordar com pequenos empurrões antes de sair para as aulas. A verdade é que ele próprio se surpreendia com a facilidade com que se deixava ficar ali, imóvel, como se o peso do corpo fosse maior do que devia. Acabou por se inscrever num curso na faculdade; acreditava ter algum jeito para as artes e para as letras e, mesmo consciente de que dali não surgiria carreira possível, decidiu arriscar no ramo artístico e cultural, como quem tenta, pela última vez, encontrar um sítio onde caiba.“

terça-feira, 11 de agosto de 2026

REVISTA MEER - ARTIGO DE AGOSTO 2026


 

Um excerto do meu artigo de Agosto na revista MEER, que podem ler e comentar selecionando o link.

https://www.meer.com/pt/105951-colapso-do-amor-em-camera-lenta

Acenderam-se todas as luzes naquele dia, pensaria mais tarde. Se alguém pudesse vê-la nesse momento — e se fosse dezembro — talvez a confundisse com uma árvore de Natal. Sentia-se iluminada por dentro, febril, como se todas as cores tivessem regressado ao corpo depois de um longo inverno. Esqueceu as imperfeições. Esqueceu a casa, o marido, a fadiga dos anos. Tinha a sensação de que aquele homem a adivinhava por dentro.

Começou então a olhar-se com mais frequência. A tentar perceber quem era agora, o que restava da mulher que tinha sido.

TASCA LITERÁRIA


Juntar o útil ao agradável...

 

domingo, 26 de julho de 2026

REVISTA MEER- ARTIGO DE JULHO 2026

 


Um excerto do meu artigo de Julho na revista MEER, que podem ler e comentar selecionando o link.

https://www.meer.com/pt/105206-o-tempo-e-a-ruina-da-memoria

“(…) Tinha a sensação — confessara-lho numa noite longa — de que envelhecera sem ter aprendido nada de essencial. Amor, sonho e ambição formavam nele uma espécie de triângulo fatal, mas nunca lhes vira continuidade. Havia que lembrar apenas o passado, dizia, não reconstruí-lo. Não inventava, não retirava arestas; limitava-se a expor, como quem coloca objectos gastos sobre uma mesa e os contempla. Andava à procura de um lugar seguro na vida, ou pelo menos de uma forma de passar o tempo sem mossa.“

sexta-feira, 24 de julho de 2026

REVISTA MEER - ARTIGO DE JUNHO DE 2026


Um excerto do meu artigo de Junho na revista MEER, que podem ler e comentar selecionando o link.

https://www.meer.com/pt/101628-a-vida-afinal-e-mais-estreita-do-que-imaginamos

“A vida, afinal, é mais estreita do que imaginamos. E nós, por mais que tentemos, raramente somos melhores do que as circunstâncias que nos apertam. O resto — o que fica, o que perdura — é só esta memória acumulada, as vozes antigas, os nomes esquecidos, as histórias que regressam quando menos esperamos.”


 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

segunda-feira, 22 de junho de 2026

FOLHA DE SALA RTP 2

 


Uma amável referência ao livro "Bancários, retratos com data-valor" no programa Folha de Sala da RTP2

Folha de Sala, temporada 9 - https://www.rtp.pt/play/p16076/folha-de-sala


segunda-feira, 1 de junho de 2026

FOI BONITA A FESTA, PÁ



Ontem, 31 de maio, a Feira do Livro foi palco de uma conversa incrível e profundamente necessária sobre o trabalho bancário, e o sentimento não podia ser de maior gratidão.

Gostaria de deixar um agradecimento muito especial:

À assistência: Ver a casa cheia e sentir o vosso interesse e atenção partilhada foi verdadeiramente inspirador. 
Obrigado a todos os que reservaram um momento do seu dia para nos ouvir e refletir connosco.

Ao magnífico painel: Pela partilha de perspetivas tão ricas, pelo debate estimulante e pela forma como dignificaram o tema dos trabalhadores bancários e da sua evolução.

À Fundação Francisco Manuel dos Santos: pela organização impecável e por continuar a promover estes espaços fundamentais de debate na nossa sociedade.
Discutir o passado, o presente e o futuro do setor bancário com tanta gente interessada prova que este é um tema bem vivo.

Obrigado a todos e até à próxima!