Um excerto do meu artigo de Agosto na revista MEER, que podem ler e comentar selecionando o link:
https://www.meer.com/pt/106533-as-horas-imperfeitas
“(…) Custava-lhe levantar-se às seis e quarenta e cinco da manhã, ao contrário da mulher, incapaz de permanecer na cama depois dessa hora. Com o desemprego, então, encarnou o cliché do homem de roupão e barba por fazer, enrolado nos lençóis até perto do meio-dia, enquanto a mulher, já irritada, o tentava acordar com pequenos empurrões antes de sair para as aulas. A verdade é que ele próprio se surpreendia com a facilidade com que se deixava ficar ali, imóvel, como se o peso do corpo fosse maior do que devia. Acabou por se inscrever num curso na faculdade; acreditava ter algum jeito para as artes e para as letras e, mesmo consciente de que dali não surgiria carreira possível, decidiu arriscar no ramo artístico e cultural, como quem tenta, pela última vez, encontrar um sítio onde caiba.“
