terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
INCLUSÃO SOCIAL
quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
VINDA - SIM. ERA BONITA...
(Paula Rego)
- Nada! Não estou a pensar em nada – Acordara do torpor de lembranças e emoções. Parecia mal… Parecia mal era a distância entre ajeitar a gola do pijama de flanela mal engomado do aleijadinho e deitar a correr pelas escadas abaixo na companhia do Cloney ou outro qualquer, em direcção ao infinito da ficção, onde o amor acontece sempre entre um take repetido por capricho do realizador ou na amálgama retorcida de argumentos e frases fáceis dos capítulos pobres e de letra miudinha do Corin Tellado.
- Estás estranha! Logo hoje que estás tão bonita….
“RODAR A MANIVELA PARA A DIREITA PARA SUBIR A CABECEIRA”… Deparara, de novo, com o anúncio no ferro quando se baixava para apanhar o garrafão que rebolara até à arrastadeira. Rodou a manivela enquanto lhe ajeitava a almofada atrás do pescoço. Sim… Estava bonita. Era bonita. Assim como ele… Que também fora bonito desde o momento em que chegara à vida e até ao momento em que a abandonara…
segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010
VINDA... CONTINUA OU ACABA AQUI?
(Do álbum my photos de Maria Lessa)domingo, 10 de Janeiro de 2010
BEM VINDA E A BELEZA
Bem Vinda não chegara a acertar contas com a beleza, mas o algoritmo matemático do cálculo não era matéria que lhe tirasse o sono. O sono era pesado e justo e matéria era coisa que não lhe faltava, ali, no lado direito do lava-loiças onde escorriam preguiçosamente uns fiozinhos de água dos pratos acabados de lavar ou no monte de roupa amarfanhada no cesto de plástico do Ikea, comprado em promoção, a pedir com urgência umas festas de ferro de engomar. Primeiro passear a vassoura pela marquise repleta de pêlos do snoopy que ainda não fora à rua e fazia cruzes com as patas em aflitiva contenção urinária, mas só depois de estender a roupa, ainda húmida e vincada, acabadinha de sair do carrossel lento e ruidoso dos sessenta graus de AEG Lavamat a estrebuchar de ferrugem , que não escolhera hora para cair doente e que tinha sido prenda de casamento dos padrinhos. Umas jóias de pessoas que Deus os tivesse no céu, em boa conta e a seu lado, na companhia de anjos e querubins por entre nuvens de algodão e árias de harpa afinada. Nunca lhes faltaram com nada, graças a Deus, mas também não se podiam queixar. Fora ela que lhes valera com caldos e carinho na fase terminal da doença. O mal já andava lá dentro e a gangrena traiçoeira sugara-lhes uns previsíveis bons anos de vida.Vinda distraía-se com as horas. Vinda … Sempre se habituara ao diminuitivo. Os pais, lavradores de profissão e remediados por afinição, já sustentavam uma prole ranhosa e aflita de cinco mancebos, o descuido nocturno por gula intempestiva do macho fizera o resto, obrigando ao milagre da multiplicação dos pães por força de arranjar espaço para mais um na gamela. Foi a tia Emília mais a mulher do lugar, aquela lojeca das ferramentas, potassa e carvão a granel com um arco feito de barrotes à entrada ,enfeitado com um reclame de metal corroído e desbotado com o cavaleiro dos correios telegramas e telefones onde se ia levantar o vale da pensão nas vezes da Casa do Povo, fechada, porque a dona Mina andava sempre doente, quem acalmou os berros e enxugou as lágrimas com toalhas quentes. Por ser uma gravidez extemporânea e pela pressa em nascer, o pai baptizara-a logo ali, no quarto pequeno e atarrcado onde o soalho exibia mazelas profundas dos pregos soltos.
A partida era difícil. Duas equipas em campos diametralmente opostos. De um lado: lavar, passar, engomar, cuidar do filho, no final: ganhava a das mamas grandes… Ela bem queria, mas a hérnia não lhe permitia avarias. Ela tinha que ficar por baixo, direitinha, de perna aberta e ele não lhe podia dar com muita força, por isso lhe justificava os desvarios. Apesar de tudo, gostava dele. Era um bom homem, quanto mais não fosse pelo amor e carinho que devotava ao filho. Isso já lhe bastava. O que não bastava era a indiferença. A ausência da palavra. Ao menos uma palavra. Pequena , por mais pequena que fosse, assim a mais pequena do dicionário Michaelis, aquele muito pesado que havia na biblioteca da escola onde ela esmifrava, às prestações, o seu cérebro fraco num nono ano tirado a ferros. Mas não. Nada! De certeza que as dizia à outra. Ela tirara-lhe a radiografia numa reles partida do destino. Sentira na noite anterior umas fortes dores abdominais que a levaram a aceitar quatro horas de espera na urgência. Cocktail de Voltaren na nádega esquálida ao léu, credencial para análise e exames complementares e ala que se faz tarde. Contrariado, o patrão deixara-a sair mais cedo sob promessa de compensar a hora num dia a combinar, para ir buscar as análises. E foi aí, na rua, que os vira. Saíam da pensão. Abracinhos e miminhos… Ele, um matulão… Embevecido, debicando-lhe os dedinhos em beijos e chupadelas e ela, bonita, alta, loura, de mamas grandes, contorcendo-se de riso e suspiros enlevados. A princípio estacara, mas rápido se recompusera. Não era mulher de chorar. Cada um carrega a sua cruz, a dela era maior que a dos outros todos, fazia chispas no chão e calos no lombo, mas não chorava. Água havia muita da chuva de outono evaporando-se na calçada. Fora buscar as análises.
- Estás tão bonita!
domingo, 3 de Janeiro de 2010
ENTREVISTA À ALAGAMARES

sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010
BOM ANO! ESTAMOS DE ACORDO??
Water Effect by Crazyprofile.com
Após tão prolongada ausência por excesso de trabalho, vem o escriba desejar aos seus leitores um excelente ano e uma auspiciosa entrada, com pena leve, no novo acordo ortográfico. De fato, a manhã amanheceu úmida e fria e, apesar de se ter perdido na volatilidade das borbulhas de champanhe e no estrelejar do fogo de artífício, não foi por gralha tipográfica ou devaneio lírico que o escriba grafou os termos iniciais sem C e sem H... De fato, o escriba, com ou sem gravata, já tirara um bilhete para o novo acordo em Junho, altura em que O Lusitânia Online foi impresso no Brasil já segundo a grafia do novo acordo posto em prática, de imediato, pelo país irmão. Assim sendo, e apesar do fato estar consumado, o escriba vai continuar a usar as mesmas linhas para coser um texto procurando que o mesmo, confusões retais à parte, fique, isso sim, correto à luz da gramática.
segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
QUARENTA E CINCO...

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
MAIL DE UM MALUCO...
luis bento para mario mostrar detalhes 15:25 (Há 9 horas)
O meu amigo Escreve muito bem e com muito humor...uma estratégia brilhante para levar as visitas ao seu blog..."ganda maluco" he he he... Depois diga-me se a Sílvia Romão foi na conversa..
ELE HÁ COM CADA UMA...

Caixa de entradaX
Responder
mario dias
mostrar detalhes 02:32 (Há 10 horas)
Olá boa noite,
chamo-me Mário e sou leitor assiduo do seu blogue que, apesar de considerar um pouco feminino em algumas partes, gosto bastante.
Eu tinha também um blogue que entretanto apaguei pois não conseguia que ninguém o visitasse.
Não tenho muita imaginação e às vezes dou uns erros de Português, o que pode ter ajudado ao insussesso do mesmo.
Há umas semanas conheci na internet uma rapariga, a Sílvia Romão, ela disse me que gostava de pessoas inteligentes, que escrevem bem, com imaginação e com uma sensibilidade acima da média.
Pensei logo em si e no seu blogue.
Disse à Silvia que tinha um blogue e comecei a enviar-lhe textos seus os quais ela adorava.Isto mais no inicio porque agora os seus textos como sabe não são muito bons. Claro que também alterei algumas partes...há coisas que às vezes diz que não cabem na cabecinha de ninguém...
Adiante...
Estamos completamente apaixonados um pelo outro.
Eu pelo corpo e cara laroca dela e ela pela minha pseudo-sensibilidade e pseudo-forma de escrever (nas palavras da própria, menos o pseudo que fui eu que acrescentei).
Vamo-nos encontrar durante a próxima semana mas antes ela quer que eu lhe diga qual o link do meu blogue para me fazer uma surpresa.
Ontem quando ela me disse isso na internet fingi que a ligação caiu, mas hoje já me mandou duas mensagens a perguntar o mesmo.
Por isso lhe escrevo...
Precisava apenas que durante a próxima semana colocasse a minha foto em cima do lado direito como se o blogue fosse de facto meu...
Há também meia duzia de posts que lhe pedia que retirasse por serem mesmo muito femininos.
É só até quinta-feira, depois estou com ela, consigo o que quero e não me interessa mais nada...
É Natal, época de solidariedade...ajude-me por amor de Deus.
Eu sei que isto parece um daqueles clássicos do cinema Português em que na primeira parte do filme alguem dizia que era rico, na segunda parte tentava demonstrar uma riqueza que não tinha, para no final a verdade vir ao de cima.
Só que de filme isto não tem nada e queria por isso saber se me ajuda a tornar em realidade uma inesquecivel noite de quinta-feira com a Sílivia.
Ela tem mesmo um corpo fenomenal...
Cumprimentos,
Mário Dias
P.S.Em compensação prometo que um dia que reactive o blogue faço lá uma pequena referencia ao seu.
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Windows 7: Encontre o PC certo para si. Mais informações.
Responder Encaminhar
sábado, 19 de Dezembro de 2009
O NATAL JÁ NÃO É O QUE ERA...
Respondendo ao amável convite/desafio da Ana Martins sobre a temática de "O Natal já não é o que era" aqui fica a contribuição do escriba a juntar aos textos dos restantes convidados que podem encontrar aqui: Ana Martins , Ana Paula Motta , Isa Silva , Nuno Gervásio , Vasco Catarino Soares- O Natal já não é o que era!
Apanhada à solta no ar, a frase não lhe escapara fazendo-o girar a cabeça na direcção da mulher atafulhada em sacos da Zara e afins em amena cavaqueira com uma amiga bem no meio do passeio. Aproveitara os escassos minutos de benesse laboral para uma breve visita à Conservatória do Registo Automóvel a fim de dar baixa do Fiat 128 de mil novecentos e setenta e sete, de cuja propriedade cancerosa se livrara há um ror de anos por excelsa generosidade de um ferro velho lá para os lados de Algueirão, mas que as finanças insistiam em querer cobrar o respectivo imposto de circulação. A frase transportara-o para a catequese aos sábados de manhã onde o padre Baltasar refugiado na opulência do nome bíblico, impunha o catecismo à força de vara e muito puxão de orelhas. A semana acabava, paulatinamente, com o estímulo doloroso da reguada firme e sonora da dona Rute. Vermelho de raiva e vergonha pelo ar trocista dos colegas, a lágrima infantil só se continha na proporção da força com que as suas mãos apertavam o ferro forjado da carteira onde encontrava abrigo para a raiva e alívio para o ardor das palmas já calejadas de rotina pedagógica. No dia seguinte, o vestir à pressa e o empurrão materno - Despacha-te! Vais chegar atrasado à catequese! Raio do miúdo ! Traz o diabo no corpo… Anda! Mexe-te! - E lá ia em corrida desenfreada pelo declive da rua de Campolide até desaguar em suor esbaforido, no centro paroquial balbuciando um bom dia a medo e um desculpe senhor padre Baltasar envergonhado, sentando-se, pé ante pé, na cadeira minúscula aninhada entre os cochichos dos colegas. Maiúscula era a imperativa do padre que nem o deixava aquecer o pequeno rectângulo de pinho.
- Anda cá! - Entre a prelecção sobre a necessidade de chegar a tempo, havia tempo para a brutalidade de um beliscão pela ímpia falha de se ter esquecido do ”O meu primeiro catecismo”… Então sim… Podia sentar-se em paz lavado dos pecados da alma inconsequente, imaculado, acabadinho de sair do banho no rio Jordão. Era irresistível. Sentado, mirradinho entre os dichotes jocosos dos colegas imbuídos no mais puro espírito cristão de quem se achava ter sido bafejado pela graça de Deus por ter chegado a tempo e horas, não resistia a olhar para o crucifixo prateado colocado a meio da parede branca, manchada de humidade e rachas por causa das obras na sacristia. E falava com Ele. Desconhecedor do duplo sentido do termo pregar, achava ele não ser Cristo pessoa de bem, pois se pregava aos Filisteus significaria que andava pelos desertos a pregar pessoas em cactos e palmeiras ou, à sua semelhança, em cruzes prateadas, mas se ressuscitara na páscoa ou os pregos eram rombos e de má qualidade ou o marceneiro não fizera, convenientemente, o seu trabalho. De qualquer forma achava estranho que entre a pregação de cristo e a passividade de Deus, o Senhor tivesse deixado morrer o filho mais velho da vizinha do rés-do- chão, entrevada após um acidente de carro e da qual ele era o único sustento, ou que, simplesmente, deixasse a dona Rute ou o padre darem reguadas e puxões à fartazana sem castigo. Se tudo acontecia nas suas barbas ou ele não era mesmo pessoa de bem ou andava constantemente distraído. O desperdício do monólogo interior esgotava-se na incapacidade argumentativa de Deus, que baixava à terra na mão iluminada do padre Baltasar com mais um puxão de orelhas pela sua falta de atenção.
- Sempre na lua, sempre na lua!
Certo, certo é que depois da catequese e da confissão e, apesar do bacalhau cozido, as filhozes da mãe e a presença dos avós com histórias de encantar da aldeia arrumada nas franjas do vale do rio Ocresa, para onde se ia envolto na fumarada do comboio a diesel após quatro horas e meia de jornada, faziam com que o Natal brilhasse nas luzinhas intermitentes e nas bolas coloridas caídas do céu, sob a forma de uma rifa premiada na feira de Santo André onde o pai, por mero acaso , fora fazer um pequeno trabalho de construção civil, penduradas no pinheiro raquítico, mas real, ao lado do presépio em madeira feito pelo senhor Alberto, que tinha uma oficina de carpintaria onde uns aprendizes esborrachavam os dedos, em marteladas cegas de ignorância, a troco da aprendizagem forçada de um ofício. A manhã de vinte e cinco era suprema! Ao desembrulhar as prendas, o raio do Pai Natal acertava sempre e, à excepção das pistas de automóveis, lá lhe trazia os legos ou o carro telecomandado que estava na montra da tabacaria do senhor Anselmo… Matava sempre a cabeça como é que o raio do homem conseguira ir à loja com as renas, pela calada da noite, sem nunca ninguém ter dado por nada…
Despertara da memória doce do Natal de infância já no guichet do registo automóvel. A funcionária, boçal e arrogante, esgrimia argumentos numa sintaxe de distância e desprezo:
- Se o carro está registado nos nossos computadores é porque existe! - Nos nossos computadores… - Figura desprezível que de informática só dominava apenas o facto de enviar sms e embevecer-se com powerpoints, em corrente, exacerbando a amizade universal embrulhada em música de Vangelis e fotografias de rouxinóis e colibris. Entre a necessidade de renunciar ao sigilo bancário para reclamar das finanças e pagar a coima… Não tendo uma caixa de robalos à mão, decidira pagar a coima apesar da injustiça de, na qualidade de defunto, o veículo, com trinta e três anos, se encontrar morto e enterrado nos fornos duma siderurgia, transformado em cambota ou tubo de escape!
Pagara e recebera um ausente e monocórdico Bom Natal…
Preparava-se para regressar ao trabalho para mais uma sessão de devolução de cheques sem cobertura e mais o telefonema para o senhor Eustáquio. Apesar da reapreciação do processo, o departamento de risco indeferira-lhe o pedido de empréstimo para despesas hospitalares…
Cá fora, os sacos da Zara jaziam no passeio, mas a senhora ainda gesticulava com a amiga sobre uma terrível dúvida existencial exposta, com requinte e preceito segundo os Cânones do método cartesiano, relativamente ao destino ou rumo no Reveillon… Casino Estoril ou Barcelona…
- Está tudo pela hora da morte e mais a gandulagem que para aí anda…
A frase despertara-lhe de novo a atenção, mas agora, ao invés das memórias doces do seu Natal de infância, não se furtara a deixar escapar com algum desencanto:
É… Decididamente, o Natal já não é o que era…
terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
O MEU... CONTO DE NATAL...
http://fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
EM PREPARAÇÃO

sábado, 28 de Novembro de 2009
ALAGAMARES - ENCONTRO LITERÁRIO
Os oradores da direita para a esquerda: Dr.Fernando Gomes, Ana Costa Ribeiro, Ana Martins, Miguel Real, António Salles, Filipe de Fiúza e Luís Bento
Miguel Real na leitura dos textossegunda-feira, 23 de Novembro de 2009
ESTRADA NACIONAL - O FIM...
Passado tão longo prazo sobre a história inicial convém aqui fazer um breve resumo antes de entrarmos no gande final.
O cabo da GNR, confuso e irado, mais habituado a controlar rixas de bêbedos e zaragatas de futebol distrital que à contabilização daquela meada pródiga em pontas soltas, não se conteve:
- Ora bem… Um chaço sem luz traseira, um morto na estrada, um condutor de pistola na mão e um maltrapilho a dizer que se entrega, mas que raio de história vem a ser esta? Alguém é capaz de me explicar o que se passa aqui?
- Eu… Posso explicar… - Disse o maltrapilho…
UM PAR DE HORAS ANTES
O tempo habituara-se a uma marcha lenta para lugar nenhum, na pacatez da aldeia onde o casal de velhotes levava uma vida de privações e fintas ao estômago, na frugalidade diária de um cardápio constante de pão com azeitonas , sopa e carne assada em domingo de festa, mais por vício do que necessidade. Saúde de ferro sem indícios de ferrugem e uma casa a gritar por electrodomésticos e outros “luxos”, tinham ajudado a amealhar um bom pecúlio ao longo do seu rotineiro quotidiano de sol a sol. Apesar da partilha das terras, o grosso do dinheiro proveniente da venda de uns terrenos fartos em oliveiras que deram origem a um projecto de turismo rural, aumentou-lhes, de forma significativa, o peso dos cifrões no banco. Haviam decidido dividir o dinheiro pelos dois filhos, tendo adiado a sua entrega dvido aos contínuos afazeres citadinos destes. O dinheiro, à muito que repousava no fundo da arca das cebolas enroladinho num saco plástico do Pingo Doce junto aos dentes de alho e ramos de louro. O velho, entretanto, desenferrujara a língua, oleada pela pomada nova, na tasca do Aires até ao pormenor do cêntimo e do logotipo do saco. Se as paredes tinham ouvidos, mais depressa ganhariam olhos ávidos e gananciosos. Bateram-lhe à porta. Pensando ser o filho mais velho que tinha ido à caça com o amigo, nem tempo tivera para uma ave-maria. As tenazes da mão direita fincaram-se-lhe nos gorgomilos bem como um soco potente na cara do velho que caiu inanimado no chão. Indiferentes à gritaria e frouxa resistência da mulher sairam a correr rés-vés com o regresso dos homens da caça que, de imediato, se lançaram no seu encalço. A mulher pressentindo desgraça no horizonte apressara-se a ligar ao filho que estava em Lisboa obrigando-o a vir a desoras no seu chaço velho. “Com sorte ainda os apanharia na mata” – Remoía o caçador. E apanhou-os, com a ajuda dos cães pisteiros, em menos de nada, muito menos que um advérbio, alcançara-os no meio do mato junto ao declive sobranceiro à estrada…
ENTRETANTO NO POSTO DA GUARDA
O maltrapilho desbobinara a cassette sobre a conversa na tasca do Aires e o ataque à casa dos velhos garantindo que não lhes tocara tendo aquele, provavelmente, quinado com o susto. Susto apanhara ele com a perseguição dos caçadores valendo-lhe contas antigas ajustadas por via da misericórdia divina. O resto da história era por demais conhecida. Os guardas limitaram-se a ouvi-lo, preencher os autos e mandar aguardar em lberdade. Quanto ao atirador o mais provável ,caso se entregasse, ficaria obrigado apenas a apresentações periódicas no posto, dado não ter antecedentes criminais e por não se encontrar na “posse momentânea das suas faculdades” tendo por isso, cometido tão tresloucado acto num momento de cegueira psiquiátrica. O casal, verificada a licença de uso e porte de arma e a consulta do registo criminal, fora também mandado em paz gozar a paisagem, sem percalços, até à malfadada praceta na Rinchoa.
EPÍLOGO
O carro, tossindo por todos os lados, a cada curva simulava o último estertor de um moribundo. Mais do que uma suite de luxo num clínica privada necessitava de uma campa condigna num cemitério automóvel. Na sinuosidade esburacada do tapete esfarrapado em tiras de alcatrão e gravilha, a ronceirisse da velocidade máxima do chaço potenciava o constante matraquear da mulher. Agora com o dinheiro da divisão materna, era hora de trocar o frigorífico, o microondas, a televisão e demais quinquilharia electrodoméstica. Renovar o guarda roupa, arranjar os dentes e inscrever-se num ginásio. Ideias não faltavam para aplicar despudoradamente o pecúlio.
- Sabes há quanto tempo não vou ao cabeleireiro? Sabes? Pois... tu nem sequer olhas para mim! Deves andar lá pelo beicinho com as tuas colegas…
“Rais partam que já não aguento mais”… Encostou à berma , deu mais uma olhadela ao monte de notas, trinta mil euros bem redondinhos , maços ainda cintados e carimbados pelo banco. Ela continuava a pregar em causa própria. “Aquele jarrão muito bonito do tempo dos chineses na loja do Victor e um telemóvel novo daqueles que faz tudo…” Olhou para ela, não a ouvia, apenas lhe divisava, de forma turva, o maquinal abrir e fechar da boca. Sem saber como, a sua mão direita deslizara, sorrateiramente, para debaixo do banco entre o tapete puído e as molas partidas sacando, com uma calma de morte, da nove milímetros…
- Então paraste porquê? - Não chegaria a conhecer a resposta, a canhonaça bem no meio da testa abriu-lhe, com estrondo, uma brecha enorme. Com a massa encefálica a escorrer pelo vidro, o homem maldizia da sua sorte face à necessidade absoluta de ter que levar o chaço à oficina do Carriço para mandar limpar os estofos…
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
ENCONTRO LITERÁRIO ALAGAMARES

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
Hora:
21:30 - 23:30
Local:
Casa de Teatro de Sintra,R.Veiga da Cunha, na Estefânea
sábado, 14 de Novembro de 2009
FÁBRICA DE LETRAS - PRETO E BRANCO
Enquanto não sai, mais logo, o grande final da "Estrada nacional 103", o escriba contribuiu com uma pequena participação na blogagem colectiva da Fábrica de Letras com umas pequenas linhas subordinadas ao tema: Preto e Branco.Saudades… Tinha saudades das memórias doces, do cheiro do café, do chocolate…
Da Mãe…
domingo, 8 de Novembro de 2009
NACIONAL 103 - O CRIME...
- Tás parva mulher? Contorno o quê? Contorno e vamos pelo barranco abaixo que o espaço é curto! Estúpida! Fosses tu um fósforo e chegava-te o lume para alumiar a estrada… tá calada e…cala-te!
MEIA HORA ANTES…
Sob o mesmo céu estrelado, sem mácula de nuvens, com uma luazinha cheia de cumplicidade, só a respiração pesada e ofegante dos dois homens em corrida desenfreada cortava o silêncio de morte naquela mata densa e traiçoeira. Experimentavam o terror puro e absoluto lapidado no pânico de que a sua corrida vertiginosa não lhes evitasse a morte. Perto, cada vez mais perto, sentiam os latidos dos cães e dos outros dois homens que os perseguiam, longe, cada vez mais longe, esfumava-se o declive junto à estrada nacional, sua única hipótese de escapar com vida naquela terra ensopada e cheia de ratoeiras.
- Só mais um esforço…arf, arf… Acolá, onde estão aqueles dois carvalhos, há um declive e depois a estrada nacional… arf, arf… Se chegarmos à estrada estamos safos… a seguir é uma ribanceira lisa, lisinha é so escorregar até ao rio… Corre… se nos apanham matam-nos… Corre caraças!
O outro ainda balbuciara qualquer coisa entaramelada no meio da espuminha a escorrer pelo canto da boca e deixara-se cair exausto.Preparava-se para voltar à corrida, mas num ápice foram alcançados pelos dois perseguidores de camuflado, caçadeira em punho e muita raiva nas palavras, acompanhados dos cães.
Um indivíduo alto e entroncado estacou e, apontando-lhe a caçadeira, perguntou-lhe de chofre:
O homem só pensava na ribanceira lisa, lisinha que os levaria até ao rio, mas estendendo a mão direita atirou-lhe aos pés um volumoso saco de plástico cheio de notas. É então que o atirador repara no outro caído no chão. Reconhecera-lhe as feições, o seu amigo Chico duma infancia feliz e longínqua e do dia em que, sem saber nadar, caíra no poço e quase morrera afogado não fosse a pronta intervenção do amigo estendendo-lhe um pequeno tronco para o ajudar a sair.
- Raspa-ta! Ordenou-lhe o atirador – Raspa-te! E Oxalá eu não me arrependa…
O atirador virou-se então para o indivíduo que levava o dinheiro:
- Quanto a ti… Vais arrepender-te aqui e explicar-te lá em cima - Disse apontando com o queixo para o céu.
- Merda! - Pragejou o companheiro - Isto vai dar raia!
- Agora já está… - Ripostou o atirador…
Lá do alto avistaram a 4L que se aproximava…
- Vamos, vem lá um carro…
- E se o outro dá com a língua nos dentes?
- Agora já não há nada a fazer… Vá, vamos…
- Deixaste-o ir embora pá!
- Pois… Logo quem havia de dizer… Coicidências dum raio, o gajo salvou-me a vida em miúdo…
- Tá bem, tá bem… Só espero que ele desapareça e não dê com a língua nos dentes… Tens o dinheiro?
- Sim… - Disse-lhe exibindo o saco na sua mão - De caçadeira ao ombro afastaram-se dali.
ENTRETANTO NA ESTRADA…
O homem ainda contemplava com espanto animal o corpo morto à sua frente, quando, num repente, se lhe arregalaram os olhos…
Só me faltava mais esta, disse para com os seus botões, ante a visão do carro da brigada de trânsito da GNR de cujo interior acabavam de sair dois agentes.
Os homens vinham para o autuar pela falta da luz de presença traseira, mas ao sair do carro, de imediato, lhe deram voz de prisão. No meio da confusão o condutor esquecera-se que tinha a pistola na mão. Coincidência dum raio… Ter-se esquecido de que ainda empunhava a pistola. Bom ou mau pagador, o certo é que não lhe aceitaram desculpas ou justificações. Dentro do carro, a mulher não resistira a tanta emoção mais forte que a novela das oito e desmaiara. De repente, quando os guardas se preparavam para algemá-lo, vindo dos arbustos junto à valeta, do lado esquerdo da estrada, surgiu aquele a quem os dois perseguidores tinham poupado a vida. Demasiado exausto e cambaleante, sucumbira ao remorso e ao pragmatismo duro da realidade, sem forças, cheio de sede, arranhado e ensanguentado das silvas, o homem decidira entregar-se…
O cabo da GNR, confuso e irado, mais habituado a controlar rixas de bêbedos e zaragatas de futebol distrital que à contabilização daquela meada pródiga em pontas soltas, não se conteve:
- Ora bem… Um chaço sem luz traseira, um morto na estrada, um condutor de pistola na mão e um maltrapilho a dizer que se entrega, mas que raio de história vem a ser esta? Alguém é capaz de me explicar o que se passa aqui?
- Eu… Posso explicar… - Disse o maltrapilho…
(CONTINUA - O próximo episódio “ Estrada Nacional 103 – O regresso” será o último ficando, desde já, assegurado um regresso ao humor e sarcasmo e um final… inesperado…)
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
DENTRO DE MOMENTOS...

Para além da constipação de caixão à cova, também as palavrinhas deram às de Vila Diogo deixando o escriba numa camisa de onze varas para justificar o aparecimento do corpo morto e explicar quem vinha na direcção do casal. Foi grande o esforço e empenho na tentativa de alinhar as palavrinhas com a coerência suficiente para manter o suspense. Sem mais delongas, agora que a forte constipação parece estar controlada, a emissão vai seguir dentro de momentos. Mais daqui a pouco... A revelação do crime da estrada nacional 103... Até já!
sábado, 31 de Outubro de 2009
NACIONAL 103 - A VIAGEM

No meio da serpentina de asfalto divisava, a custo, as sombras de pinheiros e carvalhos estratégicamente plantados em curvas sibilinas… Já faltava pouco, o único receio era que aparecesse a Brigada de Trânsito, o médio traseiro fundido e o atraso na inspecção eram motivos de receio mais que fundados para coima da grossa. "Que quereria a velha àquela hora? Uma chamada a meio da noite… teria algum dos primos acordado nas partilhas do belo pedaço de terra junto ao Rabaçal? Mas àquela hora? … Sentira-se mal? Teria o velho morrido? A vozinha dela estava estranha… A lua preenchia grossas fatias de asfalto na amarelice quase fundida dos mínimos alimentados a bateria a dar toque a finados. Dos cento e quarenta kilómetros percorridos na companhia de caracóis vermes e outras lesmas, faltava-lhe palmilhar a derradeira légua… Era questão de aguentar com estoicismo a ligeira subida ladeada pelo barranco e no cume, iniciar-se-ia a descida até à casa rural que ainda não tinha ido a sortes pelos irmãos.
Olhou então para a rampa de estevas e arbustos que se apresentavam do seu lado direito. Alguns torrões e pedregulhos rebolavam em direcção à estrada. Um gande volume de forma rectangular rebolava com maior velocidade, desamparadamente, estacando no meio da via. Travou bruscamente. A chiadeira dos pneus, recauchutados desde a última folha perdida no calendário em que tinha recebido o décimo terceiro mês silenciara grilos, espantara morcegos e tornara ainda mais lúgubre o silêncio que invadira a zona. Só a tosse rouca dos cilindros se fazia ouvir naquele cenário fantasmagórico. A mulher começou então aos guinchos com avisos e alertas. Ele gritou-lhe meia dúzia de impropérios. Era estranha a forma daquele volume.
- Dir-se-ia… hum…nah… - Pegou na pistola entalada entre o tapete e as molas partidas debaixo do seu assento e abriu a porta.
- O que vais fazer homem? Contorna isso… o que quer que seja…
- Tás parva mulher? Contorno o quê? Contorno e vamos pelo barranco abaixo que o espaço é curto! Estúpida! Fosses tu um fósforo e chegava-te o lume para alumiar a estrada… tá calada e…cala-te!
De pistola em punho saiu do carro e avançou, receoso, um par de metros e de repente…
- Não acredito!
Lá de dentro, estirada sobre o tablier com a fronha colada no vidro a mulher guinchava: -Que é homem? Diz lá! O que é?
- É um corpo!... É um homem… E parece morto! - Disse enquanto espreitava para o barranco.
De repente… arregalou o olhar… ao fundo, a alta velocidade…
(CONTINUA...)
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
SIM... FICO! - A TERCEIRA PARTE
(Maristela)
… Apenas esperando que o último gemido rouco, solto a custo do fundo da garganta, lhes escorresse, como as vidas, em parágrafos desgarrados de prazeres suados e vontades assumidas. De mãos dadas num nó cego de cumplicidade, contemplando o tecto vagamente iluminado pelo fosco do candeeiro, mais do que personagens com densidade psicológica pretendiam ser protagonistas dum romance sem fim voando, agora, lado a lado, no meio de asas de primavera, flutuando num céu devassado de azul, recheado de metáforas.
- Ficas?
- Sim! Fico!... Gosto de ti! - Sussurrara-lhe ao ouvido numa brisa fresca de superlativos.
Ele corria num sonho alado, nas memórias da infância mágica e feliz na doçura alienada da mãe de ouvido colado na rádio onde rolava, invariavelmente, no “Quando o telefone toca”, dedilhado num piano de métrica romântica e afinada: “Vem… viver a vida amor…que o tempo que passou…não volta não”...
Ela sonhava com o castelo e o príncipe que, mesmo que imperfeito, apareceria limpo e barbeado para a salvar do dragão de fogo ou do sapo inchado de inveja e enfado. Os dois, sonhavam, em comunhão perfeita de corpos numa harmonia sem falsetes, notas soltas ou maestro, com a melodia que, em uníssono, os ajudasse a trocar as voltas da vida e do seu xadrez impreciso de jogadas dúbias.
Perto do Porto, já por estrada nacional, rasgava o asfalto no calor do pé febril e pesado da aceleração máxima contra o tempo, esse obscuro cavalheiro eternamente contraditório e escasso, para lhe susurrar ao ouvido, apesar da lomba traiçoeira que acoitava o camião monstruoso e grotesco em sentido contrário.
Ela acordou, de sorriso rasgado e dolência preguiçosa estendendo os braços.
Ele vinha a caminho do Porto e chegaria num qualquer momento parco e desejado, era só o tempo de um duche rápido e uma corrida pronta para a imobiliária.
Ele insitia em querer sussurrar-lhe… apesar da curva fatalmente apertada…
Ela soergueu-se na cama e estendeu os braços fazendo cair, desastradamente, o candeeiro que se transformou em cacos…
Ele carregava no acelerador, exangue e inútil, até ao limite duma mecânica possível e frouxa derrotada por K.O, simples e directo, pelas leis da física…
Ela juntou os cacos do candeeiro numa pressa ansiosa…
Ele, que viera para ficar, conseguira, numa volta sem retorno, mesmo nos últimos metros antes da derrapagem anunciada, exausto, feliz, de olhos brilhantes fitos nos seus, sussurrar-lhe com paixão numa brisa fresca de superlativos:
- Sim! Fico!... Gosto de ti!...
sábado, 24 de Outubro de 2009
LUSITÂNIA ONLINE - DENTRO DA LIVRARIA OBRAS COMPLETAS


O Lusitânia Online, editado pela Novitas, chegou à Livraria Obras Completas no Centro Comercial Dolce Vita Miraflores. Para os não residentes na área de Lisboa/Oeiras poderão continuar a receber, no recato do lar, a obra devidamente acondicionada e almofadada nas fronhas do envelope de correio verde.
quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
POR RESPEITO PARA COM O PÚBLICO LEITOR
Após tantas manifestações de apoio e carinho, decididamente, não pode o escriba abandonar com esta leveza, este espaço pelo enorme respeito que o público leitor merece. Fazê-lo, por contrapartida das dificuldades no término da história da Maristela ou pelos desaires face à ditadura dos critérios insondáveis das editoras nacionais, seria facilitismo e fuga pela esquerda baixa do palco. Não foram os números pesados das visitas nem dos seguidores argumento suficiente para convencer as ditas. Ao escriba restaria provocar um escândalo público ou uma presença na televisão. Não sendo adepto de uma nem partidário da outra... Paciência! Agora, livre do fardo pressionante das tentativas de publicar umas míseras linhas nas sacrossantas editoras nacionais, vai o escriba dar continuiade ao blogue voltando à pureza original: Tertúlias virtuais, blogagens colectivas, gincanas, desafios, sempre na expectativa de produzir os melhores textos para o público leitor na linha humanista e de humor cáustico que vinha seguindo. O bichinho da escrita é mais forte que o apelo fácil da desistência. Assim sendo, não se furtará o escriba a acabar a história da Maristela, sem saber bem como, amanhã... Vai agora o escriba à cata dumas palavrinhas para alinhavar, depois de ter ouvido "poucas e das boas", inclusivé por mail, de um público que merece ser brindado com o melhor do melhor.SEXTA-FEIRA É O FINAL...

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
ENTREVISTA DE SARAMAGO AO BLOGUE DO BENTO

JORNALISTA: Acredita em Deus?
SARAMAGO: Eu? Deus me livre!
JORNALISTA: Em que acredita?
SARAMAGO: Em Jeová!... Porque há Testemunhas...
JORNALISTA: Tropeçou num argumento estafado...
SARAMAGO: Não...Caim...
terça-feira, 20 de Outubro de 2009
A CONTINUAÇÃO - DE MARISTELA BAIRROS
Ela saía do banho e ele, docemente estático, apareceu-lhe à frente, de toalha estendida, abraçando-a com carinho. Ficaram assim uns minutos alheados do mundo que lá fora girava nos compêndios de geografia. Afastou-se dele, antecipando despedidas ou dificuldades numa autoestrada que se lhes atravessava no caminho. Sabendo que morava em Lisboa, quis saber as linhas com que se iria coser aquele fato novo, mantendo a esperança num amor sem interrupções. Num tom grave e inquisidor perguntou-lhe:- E tu…Voltas?Deixando-se cair exausto e feliz sobre a cama e de olhos brilhantes fitos nos seus, respondeu-lhe com paixão:- Não… Fico!!<
Este foi o parágrafo final do conto erótico que a Maristela Bairros da Clínica da Palavra se propôs desenvolver. Aventurando-se por novos registos e trazendo uma nova dinâmica à narrativa.. aí está o texto da Maristela...
<
Dissera “fico” com tamanha determinação que o coração ficou aos pulos. E agora? Como faria para levar esta loucura toda em frente? Uma transa é, afinal, uma transa. Puro prazer. Nada a ver com problemas, conseqüências, culpas. Ainda sentia o gosto de toda ela em sua boca, as mordiscadas no lóbulo, o dedo atrevido que o deixara até meio incomodado mas que, depois, o fizera repensar conceitos.
O corpo inteiro sofria uma espécie de espasmo interior, ao ritmo da veia jugular. Medo? Com certeza, sim. Junto com a tesão que não passava.
Ela ouvira “fico” entre o satisfeita e o incomodada. Satisfeita por confirmar o poder de comando que tanto amava. Incomodada porque não tinha interesse em ir adiante com aquela coisa que não era nem mesmo uma relação. Só uma transa. Lembrou, então, da banheira cheia de champanhe que havia exigido de Leon, capricho caro que ele havia bancado. A sensação de ser possuída e de possuir envolvida pelo cheiro do álcool, pelo sabor da bebida misturada com o sabor de fluidos. Esse cara não parecia ser do tipo. Ao contrário.
Quando sentiu que ela o pegava pelas costas, puxando-o pela cintura tramando a perna em volta de seu quadril, esqueceu do medo. Deixou que ela o guiasse, rindo baixinho, estendendo as mãos para trás, buscando-lhe a cabeça, as orelhas, os cabelos, por sobre o ombro, o hálito quente e com cheiro acre, mas estimulante. Fechou os olhos, por um instante se imaginou a caça e não o caçador. Pensamento que por tanto tempo expulsara mas, com ela, admitia. O movimento ritmado dela, úmida, como se estivesse implorando, num jogo de masoquismo, as unhas cravadas em seu peito, parecendo mais um animal que brigava para não cair dali, a vontade crescendo, duro, duro, duro como um adolescente de 18 anos.
Não queria estar com ele, não queria pensar que queria estar com ele, mas precisava dele mais uma vez, ou duas, ou três. Ele a obedecia, todo o corpo dele a obedecia, ao menor toque dos mamilos em suas costas, ele reagia todo alerta, ela sentia aquele tremor quase imperceptível, ela sabia que ele ficaria pronto sempre que ela quisesse. Montada nele, como um bicho, sem qualquer elegância, sugando seu pescoço, seu ombro, parecendo em desespero, queria espantar qualquer outra vontade que não fosse a de gozar fundo e sem intervalos. Nem Leon nem os outros, nem aquele velho nojento que a alimentava e para quem ela dava de olhos sempre fechados, nada era melhor, naquela hora, que aquele cara que nem conhecia. Rápida, sem falar nada, mordeu-lhe forte a nádega. Ele gemeu. E se virou.
O que aconteceria agora, quando voltasse? Poderia ficar ali semana inteira. Um dia, iria voltar. E enfrentar o olhar morno de Agnes. Abafou o pensamento segurando os dois pés daquela louca, erguendo-os no ar, acima de sua cabeça, olhando-a com o interesse de um predador. Ela queria. De qualquer maneira, ela queria. Ela empinava a barriga para cima, tentando se impor à sua boca, ele recuava, a abaixava, submetia sua vontade, seu poder, não falava, apenas respirava, a cabeça latejando, o sexo doendo, ele castigando, até desabar dentro dela, sem piedade, sem carinho, sem sentimento. Até ouvir ela soltar como que um rangido longo. Não era um som de gozo. Era diferente. Ele gostou ainda mais.
Assim, presa pelos pés, sugando as mãos, desgrenhada, se debatendo, o ventre subindo e descendo inutilmente diante dele, provocação, submissão, revolta, ela pensava em quanto estava no comando, em quanto era boa nisso. E só pensar já lhe bastava para o prazer vir como um jorro quente. Sem ligar para a dor em cada pedaço da pele, a madeira, as felpas, corpo esfolado. Marcas. Queria, mas não aceitava. Tentou arrastar a cabeça dele, para sentir de novo a língua áspera. Ele recuou. Ela gostou. Uma surra às avessas, pensou. Mas ele vem, eu consigo. Eu mando. Eu quero. De repente, o solavanco, o rosto dele tão perto agora, num esgar, deformado, assustador, mau. E tão bom , tão bom, tão bom.
Tentavam em vão parar, encerrar, se permitir. Mas agora era tarde. Não eram eles que mandavam. Eram seus corpos. Como desligados deles mesmos. Se governavam, comandavam, não aceitavam ordens. Simplesmente ondulavam, e tremiam, e se agitavam com fúria. Davam um tempo, amansavam-se, docilmente, até recomeçar, olhos buscando um o outro, bocas sem tempo para um beijo que fosse, garras em vez de mãos, sons assustadores, ardência doída, ausência de vida, quase morte. Rostos vazios, se abraçaram automaticamente. Se aninharam um no outro. Ele teve vontade de beijar os olhos dela. Ela teve vontade de acarinhar os cabelos dele. Como se fosse um amor de outros tempos. Mas só conseguiram ficar ali, exauridos, sem se falar, sem se olhar mais.
Apenas esperando.
segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
MARISTELA - A PROPOSTA...BREVEMENTE
domingo, 18 de Outubro de 2009
domingo, 11 de Outubro de 2009
AÍ ESTÁ: O DESAFIO DA ANA MARTINS

De fatiota cara e vistosa, dois dos investidores acercaram-se com sonoros cumprimentos:
- Dê cá um abraço homem, que você é cá dos nossos!!
Não contendo um nó seco na garganta , de olhar preso no horizonte marejado de lágrimas enquanto os militantes esfuziavam de alegria com os resultados pela retumbante vitória, não conseguia deixar de pensar:
- Sim, agora era um deles…
O DESAFIO DA ANA MARTINS

Bom dia! Aceitei o desafio e lanço-te também um repto...E que tal lançares um personagem fictício onde abordes dois temas? Redes sociais e preconceito? Por exemplo, o número crescente de amizades nas redes sociais que o personagem tem , mas que se evapora quando o conhcem... ao aparecer em cadeira de rodas... acho que é um bom ponto de partida... Eu sei que o tempo é curto, mas vais fazer-nos uma boa surpresa!" E pronto! Eis-nos a brincar à cabra cega com as palavrinhas que teimam em aparecer... Prognósticos... só mais logo, nos blogues de ambos, lá pelas 20 horas...
quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
SE TIVESSE UM TÍTULO CHAMAVA-SE: LETRA M... COMO M DE... MAIS!!...


Chegara cinco minutos antes da hora marcada aos escritórios da imobiliária. Dera com ela sentada na secretária de saia e casaco pretos, camisa adivinhando formas na sua transparência, uns sapatos de salto agulha, lábios rasgados e finos, nariz direito, cabelos longos, soltos num volume selvagem e aquele olhar felino onde, de imediato desejara perder-se no verde das suas sete vidas. Aproximou-se com um cumprimento de mão leve sentindo-lhe o aveludado e o tremor expontâneo. Olhos nos olhos, balbuciaram cumprimentos a rodos e sorrisos a destempero. Finalmente, ela retirara a mão, compondo o casaco deixando a descoberto parte da alvura redonda e firme de um seio desamparado e atractivo. Sentira-lhe o suspiro inflando de impaciencia e excitação. A química não se confinava aos tubos de ensaio das aulas de liceu. A reacção em cadeia dera-se ali mesmo, em catadupas de odor, olhares e respiração em códigos trocados no esboçar de sílabas alinhavadas a silêncio.
- E tu…Voltas?
Deixando-se cair exausto e feliz sobre a cama e de olhos brilhantes fitos nos seus, respondeu-lhe com paixão:
- Não… Fico!!
terça-feira, 6 de Outubro de 2009
MAIS LOGO...
segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
ESCREVER SOBRE A VIRGINDADE? OU REVISITAR O DILEMA DE HAMLET?

terça-feira, 29 de Setembro de 2009
segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
ESCUTAS DO SIS? - OU A NOVA TESE DO MITO SEBASTIÂNICO
( A fotografia é minha!)Esfomeada, a curiosidade, disparou perguntas a eito de parte a parte, o tempo era escasso e curto, mas com tecido suficiente para dois, três ou quatro dedos de conversa. Conversaram uma mão inteira! Madame esferovite, a quem o cognome assentava que nem uma luva pela tamanha frieza, palidez , arrepios e desfalque sucessivo e constante nos mais elementares padrões estéticos, dissecava até à exaustão o mito sebastiânico espraiando-se por kilómetros de aulas áridas e recheadas de absentismo, na cadeira de Cultura Portuguesa. Filha única, marrona por natureza e inteligente por benção divina, devotava a sua vida a extirpar a ferrugem mental aos néscios que lhe caíam no regaço. Desta feita, os três estarolas que subtilmente lhe boicotavam as aulas, embora não se catalogassem na referida categoria passeavam, amiúde, pelos limites da desfaçatez e despreocupação. Intelectuais de algibeira traziam nos fundilhos das calças, uma amálgama de conhecimentos assente em manuais de alfarrabista , novidades do quotidiano e dicas do Reader’s Digest. A piada surgia a despropósito e com uma celeridade estonteante. Ficara célebre a intervenção do escriba após uma (mais uma) extensa dissertação da Madame esferovite sobre o mito de D.sebastão. Enumerara ela numa ode triunfal e numa complicada equação matemática assente no logaritmo “por A+B”, que o mito se baseava no regresso do Desejado numa madugada de nevoeiro trazendo, a tiracolo, a salvação e que, por si só, a crença no seu regresso era o leit motiv para muita temática literária e para que o Povo não perdesse a esperança no regresso de uma liderança forte, una e que fomentasse a coesão e o desenvolvimento da identidade nacional. Assente nesses pressupostos, o escriba , num misto de sarcasmo e ironia despejara com um sorriso infantil:
- Então estamos safos! - Por entre a risota geral e o enfado furibundo da professora, choveu nova prelecção alertando para o facto de se tratar de um mito e que o povo português deveria canalizar as suas energias, as sua crenças e a sua vontade de mudar o rumo do país para as qualidades e capacidade de trabalho, honestidade e liderança da classe política portuguesa. Face à derrocada dos seus argumentos e desiludido com o peso da prelecção, a resposta não se fez esperar, desta vez mais contundente:
- Então… Estamos fodidos!
As semanas seguintes seriam passadas num mutismo total e numa clausura forçada no canto da sala. Lá mais para o final do ano lectivo, um dos estarolas, que embora tivesse cérebro, a massa encefálica, muitas vezes ausentava-se para parte incerta, era filho-de-uma-doméstica-que-tinha-um-primo-que-era-amigo-do-cunhado-dum-doutor-vizinho-dum-professor-universitário-ligado-ao-centro-de-estudos-judiciários-que-tinha-sabido-que-ia-abrir-um-concurso-para-agentes-do-SIS, tinha avisado o grupo para a oportunidade de arranjar um tacho no estado. Lá foram os três estarolas a concurso, provas, testes psicotécnicos e outros exercícios de perícia dignos de cromos da bola. Mal chegaram à velhinha sede do SIS na Alexandre Herculano, quando subiram ao primeiro andar, acompanhados por um esbirro, onde se iria fazer uma prova escrita, o escriba empalideceu… Estava envelhecido, levemente corcunda e sem cabelo, mas os seus passos não deixavam margem nem rio para dúvidas: aquele som que vinte anos depois lhe recordara o terror da mãe sempre que ele entrava no prédio… Era o “Botas”!! Sim! Esse mesmo daquela história de agentes da pide contada há uns meses atrás!! Perdera a tesão toda! Foda-se! Triste democracia que vai buscar os seus algozes para lhe ensinar a defesa do traseiro. Declinou o convite, rasurou a prova e desceu em direcção à porta de saída acompanhado pelo esbirro. Formado em letras por opção e algarismos por necessidade, aceitara um lugar discreto, limpo e bem remunerado numa instituição bancária.
Os outros dois estarolas acabaram por ficar. Um como perito de logística de segunda classe, dedicando-se alegremente à montagem de aparelhos de escuta nas redondezas das zonas-alvo, o outro como operacional, entretendo-se na recolha e tratamento de informação de rua. Submetera-se a concurso interno para técnico de análise de informação, mas uma-estagiária-que-era-prima-de-um-assssor-de-um-secretário-de-estado-que-era-boa-todos-os-dias-e-com-umas-mamas-descomunais-e-fazia-repetidamente-serões-com-o-inspector-cordenador, acabara por ficar com o lugar…
Estava saturado, entre as vigílias aos professores e as escutas aos sindicalistas, pouco sobrava de resquício terrorista para investigar. A menos que Bin Laden se acoitasse na C+S de Sobral de Monte Agraço ou no seu célebre parque infantil, de atentado nem cheiro, só o demente e quotidiano rol de fugas de informação para a imprensa fomentado pelos serviços secretos militares.
A conversa é como as cerejas … E os caroços, muitos, já se espalhavam pela calçada. Das recordações e desabafos regressavam agora, sem vontade, à realidade do presente do indicativo pensando em tempos pretéritos e temendo pelos futuros. Sem certezas clínicas de futuros reencontros, despediram-se com uma tese comungada por ambos: Entre o Pai Natal e o D.Sebastião, não restavam grandes esperanças aos portugueses… Um era apenas figura decorativa de calendário de Coca-Cola, o outro...nunca regressaria na tal ansiada madrugada, antes pelo contrário, foram os portugueses que se tinham enfiado, de borco, no lodaçal pantanoso, num entardecer de nevoeiro, na companhia dos cavaleiros do apocalipse embrulhados em fatinhos Armani...
P.S. Dado que “Eles” até andam a ler blogues… antes que venha o D. Sebastião travestido de processo… é melhor dizer que isto é ficção,… Não é?
domingo, 27 de Setembro de 2009
REBENTAR... COM OS VOTOS...
Ao rebentar da aurora começa mais um acto eleitoral para escolhermos aqueles que vão rebentar connosco... O Bento não re...Benta...com ninguém! Antes pelo contrário, rebenta com os cânones estabelecidos para as boas práticas literárias e com a própria imagem. O texto que vai sair mais daqui a pouco é mais uma crítica de língua afiada para ler nas entrelinhas. O texto veio rebentar com a linha editorial de histórias com humor. Antes que os leitores rebentem com o escriba, exerçam o vosso dever cívico e "votem" os vossos comentários na caixinha aqui de baixo.terça-feira, 15 de Setembro de 2009
O REGRESSO DO ESCRIBA!!

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
RECEBI UM LIVRO...

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
A ECOCASA - PROJECTO ARQ. MANOELA SCHMIDT
Foi dos primeiros blogs que conheci: Clínica da palavra . Rapidamente se estabeleceu uma empatia e uma necessidade de acompanhar as suas novidades. Pessoa generosa, em constante divulgação do trabalho alheio, surpreendeu-me com um post sobre o Lusitânia Online. Surpresa pelo carinho e conhecimento manifestado, surpresa por se ter antecipado à divulgação do projecto ecocasa para o Jardim Botânico da autoria da sua filha Arquitecta Manoela Schmidt. Já consultei o link e vi as fotos dos interiores. Aqui fica a divulgação, acima de tudo porque é um projecto de grande qualidade e porque, num futuro muito próximo, é nestas casas que viveremos.Amigos.No ano passado, minha filha, Manoela Schmidt, obteve o primeiro lugar concurso cujo objetivo foi criar uma ecocasa para o Jardim Botânico. Agora, como arquiteta que obteve sua graduação em agosto, ela já pode tocar o projeto adiante e tentar patrocínio para a sua construção, o que também pode e deve ser buscado pela instituição beneficiada, no caso a Fundação Zoobotânica.Para divulgar mais o projeto, Manu criou um blog cujo link envio a vocês e peço que divulguem como puderem.Um abraço da mãe-corujamaris
http://ecocasajardimbotanico.wordpress.com/-- Maristela BairrosJornalista
O Projeto
Arq. Manoela Bairros SchmidtProposta para Eco-Casa no Jardim Botânico de Porto Alegre.Projeto classificado em 1º lugar no concurso de ideias.A diferença da eco_casa em relação às casas comuns é o fato de buscar uma correta integração com a paisagem, utilizar materiais naturais ou de reuso, tratar e reaproveitar a água, associar à edificação o plantio de espécies para consumo próprio, buscar uma adequada orientação solar (a fim de minimizar o calor no verão e maximizar no inverno), valer-se da energia solar para aquecer a água da casa, buscar uma ventilação natural dos ambientes (melhorando a qualidade do ar), etc.
No caso do protótipo no Jardim Botânico, o que diferencia a eco_casa das demais é o fato de buscar um contato com a terra.
A exemplo dos índios, que enterravam suas habitações, a eco_casa no jardim botânico é semi-enterrrada (fica a um metro abaixo do nível do terreno, correspondendo à altura dos peitoris), promovendo, assim, um contato com a terra.
A variação da temperatura do solo é menor que a do ar durante o dia e o ano, por isso ocorre uma transferência de calor entre a casa e a terra: no inverno, ocorre o aquecimento por irradiação, quando a casa ganha calor pela terra; já no verão, ocorre o oposto, quando a casa é resfriada por irradiação, ao perder calor para a terra). Buscou-se solucionar de forma natural o problema do frio e do calor intensos em Porto Alegre.
Outro diferencial é o fato de buscar uma manutenção da paisagem existente: por ser semi-enterrada, fica camuflada no terreno, não agredindo a paisagem e mantendo, em parte, o seu aspecto natural.
contato: manoela.schmidt@gmail.com
terça-feira, 8 de Setembro de 2009
NOVO CAMPO DE TREINO DA SELECÇÃO NACIONAL
Novo campo de treino da selecção Nacional... pelo menos nesta baliza eles conseguem acertar! Acho eu...
segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
MAIS UM BLOG CENSURADO NO BRASIL...SE A MODA PEGA...
Nesse momento percebi que meu blog estava totalmente bloqueado, e que não era mais possível postar nem alterar conteúdos, nada. Por isso coloquei um comentário avisando da censura que estava sofrendo, pois a ferramenta de moderação de comentários continuou ativa.
Estranhei tal comunicado curto, sem maiores explicações e solicitei um detalhamento do por quê dessas imposições, e se havia pressão ou alguma ação formal por parte da Petrobras. Recebi como resposta apenas alguns detalhamentos técnicos que também indaguei, nada sobre o motivo. Muito estranho.
Hoje, novamente, enviei os mesmos questionamentos, incluindo se haverá a possibilidade de um “linkamento” direto entre a minha atual URL e uma nova, caso essa seja realmente congelada. Ainda não obtive resposta. O blog, porém, voltou ao normal, por isso estou postando esse texto.
Não quero criar problemas para o WordPress, que presta um ótimo serviço gratuíto, e aceito qualquer solicitação caso seja necessário. Gostaria apenas de saber exatamente o que está ocorrendo. Claro que pelo teor do comunicado inicial, existe pressão da Petrobras para que esse blog se cale, mude, perca-se.
Enfim, hoje estou cobrindo todas as imagens da empresa, conforme solicitado. Estou colocando tarja preta de censura. Já criei um novo URL cujo endereço deixo aqui como segurança caso deletem o atual, anotem aí: http://petrobrasilfatosedados.wordpress.com/
Vamos aguardar novas comunicações ou ações. Aproveito para agradecer todas as mensagens de apoio que esse blog vem recebendo. É um estímulo diante de um fato tão deprimente. Valeu pessoal!
Tags: blog petrobrasil, censorship, censura


























