quarta-feira, 18 de maio de 2016

UMA PONTE ENTRE DUAS MORTES



Antony Gomley


A cada passo irrito-me com o absurdo do fascínio que sinto por tudo o que não entendo e que me magoa. O mundo só é grande porque o céu fica acima das estrelas e pergunto-me: o que preciso fazer para me sentir seguro ou livre. Desce o silêncio. Desce sempre, E fico assim hirto, como o filho do meu vizinho de infância que ficava horas a mandar pedrinhas à janela da nossa casa por inveja, porque lhe dava gozo, porque devia andar cansado do seu corpo e com vontade de lhe ordenar que o largasse, se pudesse pendurava-o num cabide e procurava noutro corpo a novidade e então podia gozar a luz do outono, tranquila, a passar num murmúrio e a segredar-lhe que a vida era uma ponte entre duas mortes.


sexta-feira, 13 de maio de 2016

MÃO-DE-OBRA



Antony Gomley




As palavras são teimosas e sem idade, sem caminho ou companhia. O amor está parado por falta de mão-de-obra e, no final, é sempre melhor esperar que o vento mude, enquanto se movem os girassois e a tarde se estende com vontade de ser luar.

CAFÉ COM LETRAS Nº2





Já cá canta! Era o penúltimo exemplar à venda na papelaria da Faculdade de Letras de Lisboa.
Absolutamente brilhante, uma excelente entrevista com Maria Teresa Horta, a literatura lusófona no feminino, a viagem à intimidade do sexo líquido e asséptico da pós-modernidade, o feminismo depois de Simone de Beauvoir, crítica literária, a crónica do Possidónio Cachapa e muito, muito mais. Um segundo número ainda melhor que o primeiro e a deixar um grande desafio para o terceiro...