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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

INÊS ZENHA, ÁGUAS TURVAS

 


Uma tarde bem passada na Gulbenkian — O suficiente para escapar aos efeitos de uma birra.

Lodo, desenterro, águas turvas.

A exposição Águas Turvas, de Inês Zenha, patente no CAM — Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, convida-nos a mergulhar num ecossistema subterrâneo onde a matéria orgânica, o corpo e a memória se fundem. É uma exposição que parece falar do país inteiro: uma caverna de barro, tubagens e água, onde aquilo que foi enterrado volta a germinar.

Vivemos, de facto, num pântano. Enquanto o mundo continua a ruir, parte dos média portugueses ocupa-se em dissecar o comunicado de um jogador que escolheu o dia da despedida de Messi para exigir que o selecionador o compare a Pelé e a Maradona. Hoje, o Orçamento do Estado foi aprovado em Conselho de Ministros e Anne Carson foi distinguida com o Nobel da Literatura; mas o burgo prefere escalpelizar o comunicado até à exaustão.

O lodo não é apenas aquele que se pisa. É também o que se produz, dia após dia, em manchetes, insinuações e campanhas. Se antes estávamos no pântano, agora parece que dele já não conseguimos sair.

#InêsZenha #ÁguasTurvas #MédiaPortugueses #SelecçãoNacional #CristianoRonaldo