Sábado, 10 de Dezembro de 2011

SUBTILEZAS


Num tempo em que deixámos de acreditar nos alpinistas da política, da finança e do humor, apetece recordar aquele senhor do Gato Fedorento antes de se tornar serventuário da Portugal Telecom: "Eles falam, falam, falam, falam, mas"... A imagem explica...

Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011

PALAVRAS



Sentia falta das palavras, dos gestos, do mimo e do sorriso com que pintava o dobrar dos dias, do olhar terno e profundo, convite explícito e aberto a devassar-lhe a alma, em  final de tarde, remendo de primavera colado à pressa sobre aquele Dezembro irreconhecível e confuso no jardim de relva bem tratada, com um castanheiro secular, um banco pintado de fresco  e uns arcos de pedra do tempo dos romanos, obscenamente grafitados sem acento: “Antonio ama Maria Inês” com o peso do apelido a reforçar a sinceridade da declaração.
Doía-lhe a inconstância da presença. O sobressalto, o tempo, os silêncios. Caprichos do destino a brincar sem cerimónia. Doía-lhe a falta dos seus braços envolvendo-a no reflexo do espelho, pela manhã. E de tanto doer achava, por vezes,  que o coração era uma dor do tamanho do mundo, percebendo, afinal  de contas,  que o amor, era coisa maior que ele…