Só mesmo o amigo Nuno Pires, certamente preocupado com a busca incessante de referências ao bento vai pra dentro por esse mundo fora, conseguiria deitar mão, e olho clínico, a uma notícia destas... Talvez ele, e muitos, não tenham ainda reparado nas profundas alterações operadas neste espaço. Nova imagem, cor, criação de sub-páginas no topo do blog com desenhos, caricaturas, a página do Lusitânia no Facebook, biografia, sítios que falam de nós, outros espaços e entrevistas, ligação a outras redes e mais duas rubricas que se avizinham: Bloco de imagens para pensar e... Piadas curtas. Em face disto, só nos resta ir farejar... umas palavras...
UM OLHAR SARCÁSTICO SOBRE OS PORTUGUESES... MISCELÂNEA DE HUMOR, LITERATURA E CENAS DO QUOTIDIANO. PENSAMENTOS DO DIA... E DA NOITE. UMA PITADA DE CRÓNICA POLÍTICA, TIRO AOS DARDOS, PITTA SHOARMA E BATATAS FRITAS...
Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011
Domingo, 27 de Novembro de 2011
ESPAÇO EM RECONSTRUÇÃO
Autor a trabalhar... Depois do susto do ataque à página do bento-vai-pra-dentro, decidimos mudar radicalmente de imagem e estrutura. Mais textos, mais humor, mais intervenção e reparos sobre o quotidiano, mais sub-páginas e a integração do Lusitânia Online no Facebook no blog. Espaço em reconstrução e a aguardar melhorias para mais logo...
Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
VÍTIMA DA QUINTA
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| http://vtmadaquinta.blogspot.com/2010/04/outras-vitimas-que-nao-foram-da-quinta.html |
Fui Vítima da Quinta! Um blog do Eduardo Penteado Lunardeli que, através do traço caricatural me apanhou algumas características que o espelho teimava em esconder e, generosamente, me emoldurou juntamente com tanta gente boa .
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PÁGINAS
Sim... eu sei... para além das recordações da música do Vítor Espadinha há um desejo comum ao autor e aos leitores: as palavrinhas! Marotas! Andam por aí a saltar ao eixo, mas eu apanho-as! De vez em quando faz bem ao ego receber mimos, desenhos e mensagens de quem lê ou ser confrontado com uma estatística que diz tudo:
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Quase Duzentas e noventa mil páginas visualizadas?? Obrigado a todos! Um excelente incentivo para continuar a escrever.
Sábado, 19 de Novembro de 2011
BANDA DESENHADA
| Carregar na imagem para aumentar |
Outra surpresa, outro gesto de amizade. Desta feita, pela mão do Nuno Pires. Cansados que estamos de ler contas para pagar, bulas de medicamentos e notícias sobre a crise, há que levantar o ânimo e pousar a vista sobre os textos de humor, de amor, do quotidiano, da pitta-shoarma e batatas fritas e de muita coisinha nova que por aí vem, no bento-vai-pra-dentro...
ESQUISSO
E é quando me faltam as ideias ou que os textos não saem a contento que se manifesta sempre um gesto de amizade, seja pelo incentivo na busca das palavras, uma mensagem ou, como desta vez, no traço firme e generoso do Paulo Fonseca que me tirou umas rugas e, com isso, uns bons vinte anos de cima...
Sábado, 12 de Novembro de 2011
ENTREVISTA COM MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA
Retomamos hoje o ciclo de entrevistas com um nome incontornável das letras a quem agradecemos, desde já, a generosidade das suas palavras.
Maria do Rosário Pedreira , nascida em 1959, licenciou-se em Línguas e Literaturas modernas na variante de estudos Franceses e Ingleses pela Faculdade de Letras de Lisboa em 1981. Foi professora de Português e Francês (durante cinco anos), actividade que a influenciou decisivamente a escrever para um público jovem. Coordenou ainda os serviços da Editora Gradiva, foi directora de publicações da Sociedade Portugal-Frankfurt/97 e editou os catálogos das exposições temáticas da Expo'98, entre outros.
Iniciou a sua carreira literária em 1996, escrevendo o seu primeiro livro de poesia A Casa e o Cheiro dos Livros, cuja edição se esgotou de imediato. Para esta autora, distinguida com alguns prémios literários, detentora de uma obra diversificada, em prosa, poesia, ensaio e crónica, constituindo a literatura juvenil - grosso da sua ficção - um veículo de transmissão de valores humanos e culturais, a casa pode ser considerada como um mundo onde se encerra tudo aquilo que vai perdurando, mesmo que sob a forma da memória,
Actualmente desempenha funções editoriais no grupo Leya onde dá asas ao seu reconhecido talento para a descoberta e divulgação de novos valores. É sobre esta sua vertente que conduzimos a entrevista de forma a fornecer pistas para quem lê e para quem escreve sobre a busca de sentido no interminável alinhavar de letras. Resta-nos agradecer a amabilidade e disponibilidade da autora/editora que tão gentilmente acedeu ao nosso pedido.
1 – Tendo desenvolvido uma intensa actividade literária e encontrando-se, agora, ligada ao mercado editorial, vê alguns pontos de contacto entre estes dois mundos? O que tem um a aprender com o outro? É uma mais valia para o escritor? Para o editor? Ou não há vantagem em conhecer “o outro lado”?
Na verdade, a minha actividade literária foi quase sempre simultânea à editorial: entrei no mundo da edição em 1987,embora só me tenha tornado editora em 1998 (que é como tem de ser – embora hoje haja editores que nunca foram assistentes nem saibam o que é rever umas provas). Ainda que tenha começado a escrever poesia muito cedo, só tive livros publicados nos anos 90, já passava dos 35 anos. E isso tem que ver seguramente com o grau de exigência que desenvolvi no meio editorial – só deixar sair os meus livros quando estava absolutamente convencida de que não iria ser capaz de fazer melhor e, por outro lado, quando outros (uma espécie de editores) me disseram que o que escrevia tinha qualidade e merecia a publicação. Mas também a minha actividade literária facilitou o meu contacto com os autores portugueses. Sempre que lhes sugeria alterações, por exemplo, o facto de eles saberem que eu própria escrevia e tinha livros publicados parecia dar uma qualquer garantia de que eu sabia o que estava a dizer. Houve vantagens, evidentemente, em conhecer os dois lados. A desvantagem maior foi ter deixado praticamente de escrever por ter sempre a cabeça cheia de livros de outras pessoas.
2 – Como é escolher um manuscrito? Tenta, de alguma forma, identificar um estilo de autor? “Fareja” o potencial literário e comercial? Quais os critérios que a ajudam a definir a “qualidade” para o grupo Leya?
Seleccionar um original para publicação é sobretudo ler muitos medíocres ou sofríveis à procura de um bom (em suma, uma grande teimosia). Mas, quando se encontra um bom, isso sente-se, não é coisa que se possa definir. No entanto, a sensação mais comum é a da descoberta de uma forma diferente de escrever, de uma voz nova (porque a língua é de todos e fica cada vez mais difícil reinventá-la). Mas há também escritas muito límpidas e directas que fazem excelentes livros, apostando numa estrutura fora do comum em detrimento do trabalho de linguagem. Tudo isto e outras coisas acabam por definir as marcas do autor ao fim de uns quantos livros publicados. Quanto a potencial comercial, é sempre muito difícil conseguir grandes vendas num primeiro livro: as pessoas raramente dão atenção às estreias, a menos que, por um acaso feliz, de repente toda a gente se ponha a falar de um autor, como aconteceu com o José Luís Peixoto quando começou. Por isso, acabo por estar mais atenta à qualidade do que ao potencial comercial. Em literatura, se o autor for realmente bom, mais cedo ou mais tarde – depois de alguns prémios, de preferência – os seus livros começarão a ter vendas significativas. Basta ver o que aconteceu a valter hugo mãe recentemente (o seu primeiro romance vendeu apenas cerca de mil exemplares quando saiu). Há, mesmo assim, que dizer que às vezes existem livros de qualidade que não publico por crer que o número de leitores que o apreciariam não justifica o risco e os custos da edição; mas são poucos, na verdade.
3 – Existe um estilo de escrita tipicamente português ou europeu? Ou, com a globalização e todas as ferramentas de comunicação que nos tornam vizinhos à força, entende que a escrita é, na actualidade, uma mera tradução trans-nacional de um mesmo estilo/tendência/literatura popular?
Na chamada literatura para mulheres (romance, por oposição a novel) e em alguma outra ficção comercial (histórias de vampiros, thrillers e certos policiais, mas não todos) não se consegue de facto distinguir a nacionalidade do autor, a não ser, talvez, se este situar sempre os enredos no respectivo país. Digamos que a linguagem utilizada neste género de ficção é mais global e simultaneamente mais pobre (quase me apetece dizer que nestes livros não existe um «estilo»). Mas, na verdadeira literatura, todos os autores são diferentes, independentemente do país donde sejam, e pode haver dois autores tão diferentes como Gonçalo Tavares e João Tordo a escreverem na mesma época e no mesmo país. Na América Latina, o realismo mágico constituiu de facto uma espécie de «estilo de grupo», de estilo típico de uma região, mas hoje a literatura desses países nada tem já que ver com García Márquez ou Juan Rulfo e os livros de alguns mexicanos ou chilenos podiam ter sido escritos por europeus (li há uns tempos um romance do argentino Andrés Neumann e senti-me a ler um livro alemão ou russo). Enfim, o estilo não é uma questão de país ou continente, embora isso não queira dizer que, por não conseguirmos identificar o país do autor pelo seu estilo, todos os autores escrevam hoje da mesmíssima maneira.
4 – Ultrapassando um pouco as questões comerciais, a editora tenta formar um pouco a sociedade? Vêem-se como uma entidade que tenta ter um papel interventor na sociedade?
Não posso falar em nome da empresa, evidentemente, e acredito que um grupo com tantos editores (de vários géneros e com idades muito diferentes) inclua visões bastante distintas sobre os objectivos do livro, da leitura e da edição. Nem sequer posso afirmar que é pior editor o que se preocupa apenas com o entretenimento – e gera receitas importantes ao «patrão» – do que aquele que vive obcecado com a formação intelectual e não só não gera receitas, como publica apenas para uma elite. Acredito, mesmo assim, que o livro foi até há muito pouco tempo (antes da Internet e da TV Cabo, por exemplo) praticamente a única maneira de conhecermos outros mundos e entendermos a mentalidade das pessoas. E não falo especialmente de ensaio, pois, tanto ou mais do que o ensaio, a literatura tem a capacidade de nos dar a ver realidades longínquas ou desconhecidas através de uma história com personagens inventadas (nos policiais, por exemplo, aprende-se imenso sobre a sociedade). Todos os romances de qualidade são, nessa medida, formadores – e os editores que os seleccionam têm um papel importante nesta formação, a par dos professores, dos jornalistas, das famílias. Porém, tendo-se a edição tornado nos últimos anos uma verdadeira indústria (saem 40 livros por dia em Portugal!), é muito difícil evitar a publicação de livros mal escritos e com deficiências estruturais ou esteticamente deploráveis (logo, que nada farão pelo desenvolvimento cultural do leitor) se o autor for alguém conhecido e, portanto, um potencial sucesso de vendas. A única coisa que me consola é que as receitas desse tipo de livros às vezes servem para publicar outros que se vendem bem menos, mas podem, efectivamente, oferecer qualquer coisa de positivo aos leitores em termos formativos.
5 – Uma última questão: Na situação actual (crise de valores, económica, social, cultural) entende que o equilíbrio se encontrará, algures, no desempenho de um papel de maior relevância da literatura e da cultura em geral ou, pelo contrário, esse papel estará irremediavelmente condenado pela ditadura financeira?
Dizem que por vezes é preciso que as coisas batam no fundo para as nações e as pessoas acordarem para os problemas. Se assim for, podemos aprender muito com esta crise que atravessamos. Os financeiros, no fundo, são os grandes culpados dela – e talvez isso ajude, no futuro, a relativizar a sua importância. Gilles Deleuze acreditava ser possível haver um período de ouro a seguir a um período pobre (em termos artísticos). Vamos dar-lhe razão e ser optimistas: é muitas vezes nas piores condições e nos piores momentos que os criadores produzem a sua obra-prima. É possível que os constrangimentos (económicos, logo sociais) que se vivem hoje levem de facto a um maior envolvimento dos cidadãos e a uma maior necessidade de estes se informarem. Até há uns anos, os mais jovens nem sequer iam votar quando atingiam a maioridade, hoje manifestam-se pelo direito a um emprego nas nossas ruas. Talvez daqui nasça uma geração mais culta e interessada, em lugar de uma geração acomodada que não tem de lutar pelas coisas. Mas, claro, ainda haverá muitos gestores em todos os ramos que tentarão reduzir a realidade a números. Não é de um dia para o outro que se perdem os (maus) hábitos…
Terça-feira, 8 de Novembro de 2011
DORMIR
A estrada estendia-se à sua frente, lenta, vazia, a deixar-se tomar de curvas com o verão a esgueirar-se de fininho em final de tarde, breve, como breves eram as palavras e o tempo a amaciar a melancolia suspensa da certeza milimétrica de que o céu era sempre azul e que à noite se enchia de estrelas. Os dias são o que fazemos deles, e ele, sem jeito para domador, alinhando na inércia com que os deixava tomar o freio no vazio da consciência, em exílio absoluto, escondendo-se na desconcertante imutabilidade do mundo.
Adivinhava-lhe o cheiro gravado na pele, os gestos, as mãos finas de dedos esguios a enrolar-lhe o cabelo com carinho, insistência e outras coisas que o coração sussurrava e o corpo não esquecia...
Sempre desprezara os caprichos do tempo, marcas, dores ou achaques da idade. Quase não dormia, dormir era morrer um pouco no travesseiro, sobrando-lhe, assim,tempo para recordar. Por isso naquele final de tarde pegara no carro para uma viagem sem sentido ou à procura dele. Prego a fundo, uma dose de amnésia e duas de desapego , cavaleiro do asfalto em demanda da rainha sem saber onde desenbocava aquela harmonia, as luzes e os murmúrios que ouvia agora.
Afivelara um sorriso amarelo mal a vira. – És bela! Imaginava-te de capuz e segadeira… Não terás vindo cedo demais para me levar?
- Sou capaz!... Se calhar distraí-me, mas já que cá estou…
- Deixem passar! Afastem-se por favor! – Maqueiros e paramédicos furavam pela multidão para chegar com rapidez ao local do acidente.
Sentia-lhe ainda o cheiro, as carícias e o beijo a escorregar até ao seu gosto… Entreabriu os olhos e apercebeu-se dos pontinhos brilhantes entretidos a acender o céu, estirou-se com dificudade entre o lençol apertado e afundou a cabeça no travesseiro…
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