Segunda-feira, 27 de Junho de 2011

LA CAJA DE RECUERDOS


A pedido de várias famílias, especialmente da Argentina, do Peru e do México, a "Caixa de Memórias" agora, na língua de nuestros hermanos...

De mí mismo tengo muy poco… Un reloj a llenarse de horas, dos pilas de libros para leer, cuatro hojas de papel para imprimir, sellos, clips, lápices y gomas de borrar, conchas, peces y un acuario de plástico, rifas de quermeses, versos de Pessoa desordenados, los shorts de pana de la primera comunión, la lapicera de tinta permanente de la cuarta clase, el perfume del arroz con leche con canela de mi madre,  una caja de memorias para ordenar y el brillo de tres estrellas a relucir confidencias en un rincón del cielo, azul oscuro y espeso, infinito, del tamaño de la saudad,  de plomo de los soldaditos de la infancia…

Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

A REVOLUÇÃO

( Tirada no CCB da colecção  Berardo... antes de ser caçado pelo fisco...)
Sopram ventos de mudança por esse mundo fora, brisa ligeira e sibilina, a insinuar-se de pantufas ao dobrar a Lusitânia. Alguém que se chegue  à frente pois que  já estamos cansados de paulada, mines, bola, vivas ao Glorioso e  apelos ao D.Sebastião que, pela fonética e pela esperança, são a coisa mais parecida, neste momento,  com uma revolução.
Ao certo não sabia qual fora a deixa para entrar em cena. Se o sorriso precário marcado a amarelo torrado, difuso e cinza do tabaco, se pela singeleza da herança genética. Não que fossem más pessoas, antes pelo contrário, o pai  cansara-se da progressão geométrica e linear em semi-círculos sempre às arrecuas  para uma existência chã e sem brilho, e demandara por Lisboa para emendar a vida estragada pela necessidade  acabando por gretar as mãos na dureza do martelo e escopro no andaime. A mãe a servir em casa de uns senhores, embevecida com as histórias que ouvia em serões de tertúlia sobre os feitos e bravatas de Gonçalo Mendes da Maia -  O Lidador, achara-lhe graça e juntara os trapos. Ela por ser séria e apresentável, ele por ser asseado e trabalhador acabando por baptizar o rebento com o nome de Gonçalo, que rapidamente desaguara num castrador Gongas  longe dos augúrios de  grandes sucessos, desígnios e grandeza,  sem direito ou recurso a contestação...
 O filme começara lá atrás onde a memória se perdia entre o sorriso da infância e a ingenuidade da existência sobre um cenário, tosco, parco de adereços, de traço irregular desenhando, de forma infantil, o azul do céu, umas quantas árvores, uma casa com chaminé,  Deus a brincar com as pessoas e o destino a passar rasteiras.
Fosse como fosse, apesar da singeleza da herança genética tinha neurónios, uns quantos, por sinal  funcionais e com terreno fértil ao redor, embora, raramente,   os pusesse  a fazer ginástica. Para além da falta de pensamento lúcido ou iluminado, ou de jeito assim paneleirinho de escrever ( o conceito mais à mão que encontrava para descrever literatura), Gongas vivia num país politicamente correcto e entretido, alinhado em termos de importância, algures, entre a variação bolsista do Arrentela Futebol Clube e a taxa de câmbio da libra do Burkina Fasso. Assim, seguia-lhe as pisadas decalcadas da modorra empedernida e  da inveja, acabando na  ausência de iniciativa individual.
O pai a insistir para estudar e ele que, teimosamente, fintara letras e algarismos na escola tirando, a ferros, distinta formação em sessões contínuas de matraquilhos. Dali até à idade legal fora menos que um fósforo  e aí arranjara trabalho na fábrica de cablagens. Na idade madura perdera-o e derretera, no imediato, todas as esperanças. Vivia na ignorância, a manifestar-se, bastas vezes, pelo escárnio e pela agressividade a cujo binómio complacente juntara o ócio e assim, acrescido de um grão na asa ocasinal, diluía a vida em carambolas às três tabelas. Farto de ruminar apetites e vontades ao ritmo afiado do infortúnio, com duas prestações da casa em mora e o gás por pagar, mais uma série de pintelhices dessas com paradeiro incerto, decidira-se pela revolução naquela noite de borga escudando-se, para isso , no sólido argumento de duas grades de “mines” com o qual convencera dois vizinhos , matarruanos e convictos benfiquistas sempre prontos para a pancada. Fiat uno de mil novecentos e noventa e quatro, uma granada de recordação da Guiné, uma faca de mato de ir às lapas nos pontões da Cova do Vapor e a  “flóber” que o padrinho lhe oferecera à entrada da adolescência. De olho nos preparativos do exército,  a mulher assomara à janela do primeiro andar, ainda a limpar um pratinho da extinta cerâmica de Sacavém com o desenho de um cavaleiro empinado brandindo uma espada, que o tio coxo encontrara numa obra em que mandou umas paredes abaixo, movida pela curiosidade daquela saída  extemporânea ficando a saber que  eles iam a Lisboa fazer uma revolução que já era tempo
- Pois sim -  Respondeu ela, encolhendo os ombros entre o enfado e a saturação – Pois então, de caminho, passa pela Damaia lá por casa do teu pai e pede para ele abonar vinte éros se não , amanhã, cortam-nos o gás…
De vez em quando, apesar do esforço,  não se furtava à visita de médico que o passe social lhe permitia. Lá ia ele, com o saquinho da Zara com o tupperware dos restos do almoço,  suportar, no olhar, o peso da reprovação pelo plasma, a wii, o telemóvel , o aparelho dos dentes do puto, mais o gajo do banco  a ligar por causa do buraco na conta, agora cratera sem fundo, à sombra de juros, mora e comissões que lhe reduzira o orçamento à condição de destroço. Achava que chegara a hora de contrariar o destino, os anos de ócio e imprevidência.
O carro  transpirava fadiga dos metais em chiadeira incrível na rampa dos cabos de ávila num esforço, digno de registo no manual de mecânica, rangendo fissuras e desiquilíbrios quase a chegar aos oitenta com o vento pelas costas. O plano fora delineado pelo caminho abrindo garrafas a eito sem dó nem piedade: tomar de assalto a RTP anunciando aos microfones a revolução e tomada de reféns se fosse preciso. Armados até aos dentes, com os benfas a gritar pelas jolas com que abasteceram a bagageira delapidando , assim, o engodo para os homens da Securitas, a revolução estava em marcha…ainda que lenta e titubeante.
Roncavam, a sono solto à entrada dos emissores quando, ao amanhecer,   sentiram umas pancadas secas e vigorosas no vidro do condutor e um olhar farejador e inquisitorial ornado com uma farda da Securitas:
- Então que se passa aqui???
Nhec... nhec... nhec… a manivela a baixar o vidro que só desceu pela metade e o Gongas, ainda estremunhado, a esticar o pescocinho fino e esguio e a inclinar, com sacrifício,  a cabeça pondo a testa de fora e, de olhos semi-cerrados, a articular aos bochechos  que vinham fazer uma revolução...
- Pois vão lá revolucionar para outro lado!! Andor que isto aqui não é a Santa Casa!!
O Gongas olhou para os companheiros esbugalhados, as grades de mines vazias e a vontade aflitiva de mudar a água às azeitonas e aceitou, e agradeceu, com um aceno reverencial, o empurrãozinho para ajudar o Fiat a pegar  decidindo, naquele momento, abortar o golpe de estado. Na descida do Monsanto deu uma olhadela de soslaio ao ponteiro da gasolina a cavalgar a reserva e viu que ainda ia muito a tempo de meter  para a IC19… O sol já despontava e o trânsito começava a engrossar. Se se despachasse, ainda o apanhava… era só suportar o tal olhar… um saltinho à Damaia e… sacar vinte euros ao velho para não lhe cortarem o gás…

Quinta-feira, 23 de Junho de 2011

ESTATÍSTICAS


São meras estatísticas... Nada que se assemelhe a uma  forma de pressão ou rampa de lançamento para eleições. Apenas mera curiosidade, mas dão que pensar... Estes são os números de dois anos de existência deste espaço onde se fala de literatura, cenas do quotidiano, crónica política, pitta shoarma e batatas fritas.. Revelam assim, as preferências dos leitores e a área geográfica de visualização. Não será, pois, de estranhar que o texto mais lido tenha sido a divulgação do trabalho da cantora Simone Guimarães, a atentar no número de visitas proveniente do Brasil e dos Estados Unidos. Já o número de visitas provenientes do Japão só se explica por uma de duas razões: Ou desataram freneticamente a traduzir textos ou têm procurado muitas marmitas para o sushi...


SIMONE GUIMARÃES
13 de Dez de 2010, 4 comentários           970 Visualizações
 SE TIVESSE UM TÍTULO CHAMAVA-SE: LETRA M...
7 de Out de 2009, 33 comentários           540 Visualizações
 O IMPÉRIO DOS SENTADOS...
7 de Mar de 2009, 32 comentários          305 Visualizações
 ENTREVISTA COM LUÍS SEPÚLVEDA
4 de Abr de 2010, 6 comentários              301 Visualizações
 ENTREVISTA A RITA FERRO
17 de Fev de 2011, 6 comentários            292 Visualizações
UMA NOITE...
13 de Fev de 2011, 11 comentários          291 Visualizações
BILHETE POSTAL
22 de Set de 2010, 10 comentários           277 Visualizações
LARANJA MECÂNICA...
2 de Jul de 2010, 3 comentários                256 Visualizações
FOSSEM OS LÁBIOS DE CETIM...
23 de Jan de 2011, 10 comentários           238 Visualizações
TRANSPARÊNCIAS II
23 de Nov de 2010, 8 comentários            231 Visualizações


Portugal...........................................................   14 992

Estados Unidos ...............................................    9 453
Brasil ................................................................   5 240
Espanha ..........................................................     2 142
Rússia.............................................................         554
Holanda ...........................................................        311
Reino Unido ...................................................         247
Alemanha ........................................................        222
França ............................................................         121
Japão ..............................................................          76

Sexta-feira, 17 de Junho de 2011

A CAIXA DE MEMÓRIAS



De meu mesmo tenho muito pouco…  Um relógio a encher-se de horas, duas pilhas de livros para ler, quatro folhas de papel para imprimir, selos, clips, lápis e borracha, conchas, peixes e um aquário de plástico, rifas de quermesse,  versos do Pessoa em desalinho, os calções de bombazine da primeira comunhão,  a caneta de tinta permanente da quarta classe,  o cheiro do arroz doce com canela da minha mãe, uma caixa de memórias  para arrumar e o  brilho de três estrelas a reluzir confidências num canto do céu, azul escuro e espesso, infinito, do tamanho da saudade de chumbo dos soldadinhos da infância…

DIREITO DE RESPOSTA PINGO DOCE

Este é um espaço plural de troca de ideias e pensamentos, humor, crónica social e intervenção cívica. Tendo por base este post, dos pepinos Pingo Doce, aqui fica o respectivo direito de resposta:

Esclarecimento sobre etiqueta de pepinos vendidos nas lojas Pingo Doce N/Ref: SA2011/0020977

No Pingo Doce trabalhamos diariamente no sentido de fornecer aos nossos clientes uma solução alimentar de qualidade a preços estáveis e competitivos, e de cultivar com os mesmos uma relação duradoura e de confiança.

 Como tal, e relativamente à questão que nos apresentou, temos a informar que se trata de uma fotografia que não identifica a loja nem a data em que foi tirada, pelo que na ausência destes dados não dispomos de uma explicação clara para esta situação.

Tal como por nós comunicado no dia 26 de Maio, entre Abril e Dezembro comercializamos apenas pepino nacional nas lojas Pingo Doce, o qual mantém o mesmo preço, 0,99€, desde há já cerca de dois anos, contrariamente ao valor de 1,29€ que aparece na imagem.
Assim, podemos estar perante um erro humano ao nível das operações, o que é sempre passível de ocorrer quando se têm 361 pontos de venda, e se empregam nas lojas mais de 22 mil pessoas. Mas pode ter também acontecido que, motivado pela "crise do pepino", alguém tenha, por brincadeira ou má fé, decidido fazer uma "intervenção" sobre uma etiqueta anterior a Abril, relativa a pepino importado. Com os dados que temos, é praticamente impossível apurar com rigor o que possa ter sucedido.
No entanto, a Segurança Alimentar e a Verdade na comunicação são pilares fundamentais da Política do Pingo Doce, pelo que se impunha um esclarecimento sobre esta situação.

Uma vez mais agradecemos o seu contacto, pois trabalhamos diariamente para que clientes como o Sr. Luís Bento continuem connosco, e satisfeitos com os nossos produtos e serviços.

Com os melhores cumprimentos do Pingo Doce, contamos continuar a merecer a sua preferência e estamos ao seu dispor para qualquer esclarecimento adicional através da nossa Linha Cliente 808 20 45 45, disponível 24 horas.

Atentamente,
Luísa Martins
(Serviço de Apoio ao Cliente)

Terça-feira, 7 de Junho de 2011

PEPINOS PINGO DOCE


Anda a circular na net... Foto tirada no Pingo Doce "zero de incerteza, zero de preocupação"... É assim mesmo... improviso à Tuga! A origem diz Espanha? Risca-se e emenda-se à mão para Portugal...

E "mai nada" !!