Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

LISBON FOR TOURISTS


Hoje o escriba não traz um texto literário, sarcástico ou minimamente irónico. Espaço multifacetado de ideias e imagens, o blog bento vai pra dentro pretende ser, também, um espaço de intervenção cívica daí que hoje me tenha permitido este "desabafo"...

Foi assim, numa breve pausa para a "sandocha" do almoço que o escriba decidiu ir à Praça dos Restauradores, a tal que supostamente pretende ser um símbolo da restauração da indepedência do jugo espanhol, para registar o blog na Inspecção Geral de actividades Culturais. Ao chegar, o escriba teve um baque... não pela canícula abafada e doentia, mas pelo intenso cheiro a "mijo" (assim mesmo, em vernáculo e tudo) na zona do elevador da Glória pejado de turistas... De caminho o escriba ainda fez slalon por entre dois espécimes de etnia cigana tentando, com denodo e empenho, "afinfar-le" com uma noz de "chamon" ou um "Tag Heur " verdadeiro que, afiançavam, não era roubado e estaria na posse das suas faculdades e desempenho por inteiro. O registo foi rápido , profissional e simpático apesar da decrepitude do interior das instalações que, diga-se de passagem, estavam sem luz por motivo de avaria... Com o estômago a fazer flexões lá decidiu o escriba atravessar a Avenida da Liberdade em direcção às portas de Santo Antão para petiscar qualquer coisa...Cruzes! O antigo cinema Odeon no estado que a foto documenta, dois ou três bêbados a dormir no chão,  dois agentes da polícia municipal a autuar um taxista numa rua pejada de lixo, jornais a esvoaçar, grafittis e o eterno cheiro, nauseabundo, a urinol retardado...


Sinceramente, se já andava falho de palavras e inspiração, também não seria aqui que o escriba arranjaria tema para tertúlia ou texto literário, mas não poderia ficar, de modo algum, de braços cruzados... Cheio de trabalho e com o tempo contado ao minuto, andaria o escriba longe, muito longe de saber ser este o estado de uma zona turística de eleição.


Certamente que, das duas uma: ou o excelso presidente da Câmara Municipal de Lisboa Dr. António Costa se perdeu na verborreia do comício partidário e no intenso trabalho político no conforto aveludado dos corredores do poder, ou se distraíu, por momentos, nas almoçaradas nas esplanadas da baixa, bem regadas, com os seus correlegionários de partido... Uma coisa é certa: para "lixar" a cidade não é preciso mudar o gabinete para as profundezas do Intendente marginal e manhoso, às vezes basta a incúria, o desleixo e o encolher de ombros. Vá lá senhor presidente da Câmara, faça uma pausa na ambição política, coma um Kit Kat e lance mãos à obra! A cidade... e os contribuintes... agradecem...

IGAC

Finalmente, após tantos interregnos, ausências, avanços e recuos, registei o blog na INSPECÇÃO GERAL DAS ACTIVIDADES CULTURAIS para protecção de direitos autorais. O registo levou-me a descobrir uma zona da cidade em triste convivência com a imundície, a degradação e o desleixo criminoso... traços banais num tosco cartão de visita para turistas...

Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

EPÍSTOLAS


O escriba tem destas coisas... Por vezes ausenta-se, perde-se,  falta-lhe inspiração e regressa sarcástico, mordaz, umas vezes manso, outras vezes atrevido, hoje, simplesmente, doce... A receita de sempre: Simples, mas enredado nas entrelinhas, uma pretensa linguagem poética escorada em termos comuns como comum é a vida na sua simplicidade generosa. Não faltam referências e trocadilhos, memórias e leituras, mas no fim... vence o amor...

Longo, o pedaço em que concedi licença sem vencimento à consciência e à vontade. Num “ (…) país de marinheiros a navegar nas águas insonsas da subserviência” nem a má companhia do Lobo Antunes me diluiu a inércia e a omissão. Só as palavras nos salvaram, laboriosamente esculpidas ou, simplesmente, acocoradas, à laia de pedreiro, a partir pedra , num futuro enviesado e matreiro, abrindo caminho à poética do sobressalto.

Animula Vagula Blandula”… Esta sim, a par com a tua, uma excelente companhia pela memória, pela delicadeza, pela “tendresse jolie et doux” com que a tua existência me premeia. Não nos vemos e sinto-te por perto, não falamos e oiço-te em silêncio.

Porventura, não vão as nossas cartas beijar a luz do dia com a têmpera das incertezas de Adriano nem passear-se nos corredores vetustos de L’Academie, acima de tudo é pelo desejo e pela necessidade , mais pelo desejo da necessidade de moldar, na plasticidade da palavra, o teu sorriso terno e franco, a firmeza com que escondes as fragilidades, o coração, ainda e sempre, adolesecente, a escorrer da boca e guardar tudo num ponto parágrafo docemente infinito, que te escrevo.

- Impossível! – Disse o orgulho.

- Arriscado! – Disse a experiência.

- Não faz sentido! – Disse a razão.

- Tenta-o! – Sussurrou o coração…


E assim, necessariamente, sussurro-te…

SÃO "SABASTIÃO"



No país da fantasia só um super-herói, com imaginação, para acertar as contas. Vale a nossa educação judaico-cristã que nos leva a dar a outra face... Enquanto não sai, mais logo, o novo texto, um momento de intervenção inócuo, como inócua tem sido a nossa atitude.

Venha o FMI, a Angela Merkl, o Pato Donald ou o "São Sabastião", mas que venha alguém tomar conta disto!

A gente tem-lhes perdoado e eles não sabem o que fazem...