Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

FOLEIRO

(Bocas)

Perdido entre uma pausa para KitKat e um parágrafo de sarcasmo e análise social do quotidiano amarfanhado de angústia, tropeçou o escriba na definição, strictu senso, do termo deputado. Consultadas as fontes, bocas, ditos e dichotes, rapidamente se tornou desinteressante tamanha empresa. Quando falta razão ao argumento sobrevive, descarado, o vómito amargo do escárnio trôpego e fácil. Não viria daí mal ao mundo  não fora o desiderato, sublinhado a fel,  cometido pelos doutos deputados pagos a peso de ouro. Uma legislatura de casos e ocasos, de vernáculo triunfante exibido, galhardamente, na tribuna só poderia terminar “à rasca”, de forma “mansa como a tia” surripiando gravadores de jornalistas incómodos, numa tremenda falta de imaginação digna do mais elementar grau educacional de burgesso da quinta casa. Simular chifres em plena Assembleia e virar costas, ostensivamente, ao adversário com um sorriso escarninho não necessitará, porventura, da ajuda do Dicionário Michaelis de sinónimos para se perceber ser um acto foleiro, fatela, fanhoso e bacoco. Assim sendo, e depois do precedente aberto pelo “lello” mais fraco da cadeia política, poderemos dizer, com toda a propriedade que, foleiro, foleiro é um deputado esmifrar três mil euros mensais, mais ajudas de custo, mais prémios de presença, mais kilómetros, portátil e blackberry, diuturnidades e subsídio de refeição do erário público para, infantilmente, se entreter ao insulto recíproco no facebook… Um mero cheirinho de  ordenado mínimo mais passe da Rodoviária Nacional bastaria. Assim, de forma redonda, baixavam o redondo profundo e galopante do déficit que eles, criminosamente,  criaram…

Sábado, 16 de Abril de 2011

DIAS DA MÚSICA EM BELÉM


É bom ver que, afinal, os portugueses não esgotam apenas a paciência com a inepta classe política que, através de piruetas e malabarismos, conduziu o país para uma situação de bancarrota que não ocorria desde 1892. Também esgotam concertos nos Dias da Música no Centro Cultural de Belém. Sol, muita cor, muita música, gente, ateliers, oficinas, concertos e um toque de inspiração para umas palavrinhas dispersas... em breve...

Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

ENTREVISTA COM JOSÉ EDUARDO AGUALUSA


De volta às entrevistas com uma personalidade marcante na literatura lusófona, dono de um curriculum invejável e, ao qual, estamos gratos pela generosidade das suas palavras.

José Eduardo Agualusa [Alves da Cunha] nasceu no Huambo, Angola, em 1960. Estudou Silvicultura e Agronomia em Lisboa. Os seus livros estão traduzidos para mais de vinte idiomas. Também escreveu várias peças de teatro: "Geração W", "Aquela Mulher", "Chovem amores na Rua do Matador" e "A Caixa Preta", estas duas últimas juntamente com Mia Couto.

Beneficiou de três bolsas de criação literária: a primeira, concedida pelo Centro Nacional de Cultura em 1997 para escrever «Nação Crioula », a segunda em 2000, concedida pela Fundação Oriente, que lhe permitiu visitar Goa durante três meses e na sequência da qual escreveu « Um estranho em Goa » e a terceira em 2001, concedida pela instituição alemã Deutscher Akademischer Austauschdienst. Graças a esta bolsa viveu um ano em Berlim, e foi lá que escreveu « O Ano em que Zumbi Tomou o Rio». No início de 2009 a convite da Fundação Holandesa para a Literatura, passou dois meses em Amsterdão na Residência para Escritores, onde acabou de escrever o romance, « Barroco Tropical ».

Escreve crónicas para a revista LER. Realiza para a RDP África "A hora das Cigarras", um programa de música e textos africanos. É membro da União dos Escritores Angolanos.

Distinguido com vários prémios realçamos aqui o prémio de "Ficção Estrangeira", promovido pelo diário britânico The Independent em colaboração com o Conselho das Artes do Reino Unido pelo livro O vendedor de passados tornando-se o primeiro escritor africano a receber tal distinção

1- Em Fronteiras Perdidas, no conto Mistérios do Mundo, Sebastião afirma: “Não queria que me julgassem seu amigo – Santo Deus, uma cobra, e com asas! Ninguém imagina os mistérios do mundo!” Considera ser este o “leit motiv” da literatura? Imaginar os mistérios do mundo?

Imaginar e reflectir sobre eles. Escrevo para melhor compreender o mundo. Leio muito pela mesma razão.

2- A literatura e, em última análise, a cultura, identifica-se com um certo conceito de institucionalização. Sendo o ofício de escritor um acto solitário e de explanação de ideias próprias e de uma visão particular do mundo, de que forma se poderá o escritor defender dessa institucionalização? Dessa força que se opõe ao pensamento individual?

Escrever exige uma certa irresponsabilidade. Já disse isto noutras ocasiões. Acredito na literatura enquanto paixão, e, nesse sentido, enquanto atividade cuja própria natureza pressupõe uma feroz independência de espírito.

3- “(…) tendo deixado de ver as estrelas – tendo deixado de se confrontar, todas as noites, com o ilimitado, o infinito,(…) os homens perderam a humildade e com a humildade perderam a razão. Fortunato, nu,(…)achou que aquilo fazia sentido: - compreendi de repente a tremenda desimportância da minha nudez.” Será a escrita um dos caminhos para nos despirmos e vermos as estrelas?

Sim, como disse antes, a escrita ajuda a ver.

4- Durante alguns séculos foi à literatura que se confiou, quase exclusivamente, a expressão do pensamento, dos valores e da estética, tornando-se o escritor um juiz face às outras artes acessórias. Hoje, com a globalização e opoder da imagem e do espectáculo, a literatura, e emúltima análise o escritor, não corremo risco de obter um papel subalterno? De não ser ouvido? Ou, pelo contrário, o seu papel é agora mais importante e mais necessário?

Todas as formas de arte constituem vias de diálogo, portanto de debate e pensamento. A literatura é apenas uma delas. Continua tão urgente como sempre. Nada a substitui.

5- Uma última pergunta bem mais suave: Serão os portugueses uns Estranhões e Bizarrocos ?

Nesse meu conto para crianças estranhões e bizarrocos eram seres de fantasia, impossíveis na natureza, e saídos da imaginação de um criador de inutensílios. Há estranhões e bizarrocos em todos os países. Chamam-se poetas.



Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

ONE NIGHT


Retornamos a este texto pela beleza, pela escrita que não tem fronteiras de língua e pela justiça da soberba tradução...

Softly, anchored in the greatness of the word, love came.

"I love you" ...

Graphic, powerful, stripped, giving itself generously like a promissory note without retirement or protest, to remind them of the simplicity of things and they rolled, contemplating them so lined up, challenging them to measure the geography of desire where both were consumed, not as far as he seemed not as close as they desired by guessing the manners, the looks, the scents of bodies and the bittersweet compulsion of sex ...

To hell with the world, the conventions and the time to flee in their awake! Love was thus a long history of patience to leaf through the next chapters, with attendance. He, seething, pretending to be simple, to give himself completely without remorse, a gift, an exchange without receipt or invoice in joyful living and the hustle and her trying to catch him in the brief dash strokes in a short sketch where briefly, the body had spent the night, but the heart stayed a lifetime...

EL AGITADOR DE CONCIENCIAS


Uma entrevista e um texto generoso sobre o escriba no portal do BBVA Espanha....
 
04-04-11
Destacado de la semana
Luis Bento, el agitador de conciencias



Luis Alberto Bento es un lisboeta que desarrolla su labor en la Unidad de Apoyo al Cliente Interno (UACI) en BBVA España y Portugal sin descuidar el gran amor de su vida, la literatura. Escritor polifacético donde los haya, Luis no renuncia a casi ningún género literario y aprovecha las nuevas herramientas digitales para la difusión de su obra. En su curriculum literario destacan la publicación de un libro de crónicas costumbristas en Internet, ‘Lusitânia Online’, colaboraciones asiduas con la revista cultural ‘Lusofonia  Nova Águia’ y el lanzamiento de su nueva novela, ‘Verde Código Verde’.
La necesidad de escribir y el interés por la literatura se manifestaron en Luis a una edad muy temprana. Después de haber devorado una infinidad de volúmenes literarios sin discriminar géneros ni estilos, Luis Bento decidió dedicarse a las Letras y se graduó en Lenguas y Literaturas Modernas. Sin embargo, el destino y la casualidad hicieron que cambiara el rumbo de su carrera que, desde 1991, se ha desarrollado en la sede del Banco en Portugal. En todo ese tiempo, Luis ha sido incapaz de resistirse al ‘gusanillo’ de la escritura, que con el paso de los años se ha intensificado, siendo sobre todo la necesidad de relatar e intervenir en la realidad social lo que precipitó su regreso a la pluma.
Una pluma en sentido figurado, ya que Luis ha sabido sacar provecho de las nuevas herramientas del mundo digital, y ha hecho del blog su medio de cabecera para la difusión de sus relatos, crónicas y ensayos. Su primera obra publicada, ‘Lusitânia Online’, es precisamente, una recopilación de sus crónicas en formato digitalizado que puede descargarse a través de Internet desde cualquier parte del mundo. Un acceso ilimitado que sedujo a Luis desde el primer momento: ”Internet ha democratizado el acceso a la escritura y a la edición, un mundo tradicionalmente muy cerrado, que gracias a estas herramientas pone en contacto a personas de diferentes realidades sociales y profesionales y da voz a un pensamiento popular cada vez más crítico y participativo”.
Sin embargo, su inmersión en el mundo 2.0 no conlleva una renuncia a la literatura más sesuda y comprometida. Por el contrario, Luis se define como un ‘agitador de conciencias’ y en la medida de lo posible, trata de ubicar sus relatos y sus crónicas en la realidad social portuguesa. Como los fados, sus historias hablan del drama de lo cotidiano, de la fútil lucha contra el destino, siempre con un trasfondo moral y un final inesperado, que el autor sazona con un tono deliberadamente irónico y sarcástico. Una escritura realista y reflexiva que sigue la estela de sus grandes referentes lusos y españoles, entre los que destaca a Miguel Torga, Lobo Antunes y a Don Miguel de Unamuno.
Ahora, tras haber publicado su serie de crónicas y haber realizado diversas colaboraciones con la revista ‘Lusofonia Nova Águia’, prepara la edición de su primera novela, ‘Verde Código Verde’, un retrato crítico y costumbrista de la sociedad portuguesa que se desarrolla paralelamente en dos periodos históricos, la época revolucionaria y el presente actual. Mientras aguarda su publicación, colabora con un escritor compatriota afincado en Estados Unidos en un proyecto literario de gran envergadura, al tiempo que sigue entreteniendo y ‘agitando’ las mentes de los internautas a través de sus bitácoras. Una causa que Luis Bento considera intrínseca a la propia escritura: “El escritor puede y debe ejercer su influencia en un mundo que muta a una velocidad vertiginosa. No podemos limitarnos a los valores estéticos, debemos usarlos para defender las grandes causas; porque sin literatura de causas no tenemos pensamiento crítico”.
Para conocer más sobre la obra de Luis Bento, puedes consultar su blog.