Domingo, 23 de Janeiro de 2011

FOSSEM OS LÁBIOS DE CETIM...


Fossem os lábios de cetim e o beijo deslizaria, mudo, pelo corpo inteiro, teimoso e inquieto, em busca de entregas e segredos devorando o caminho com malícia, ganhando o mundo e arredores em fragmentos de memória. O tempo, errático, a esgueirar-se com a leveza da borboleta,e ela, mostrando-se mais forte do que supunha, oferecendo o sorriso a quem lhe provara as lágrimas.

Os braços, generosamente abertos, cuja solidez derretia na existência adormecida , apontando as fragilidades do amor. Na alma, a liberdade, no coração a propriedade.

Sábado, 22 de Janeiro de 2011

TEMPO REVISITADO


Desde que inventaram a roda o mundo não parou mais... Então, tornemos a visitar este texto e aproveitemos a oportunidade para parar um pouco...


Ainda a mãe se encontrava prostrada na maca da ambulância berrando de dor de parto e já ela lhe esgadanhava as coxas metendo a cabeça de fora, ávida de ganhar o mundo. Nascida antes de tempo, com pressa de atingir a perfeição, tudo na sua vida fora uma olimpíada sem obstáculos. Dispensara as primeiras letras porque as segundas, trouxera-as com o cordão umbilical. Clássicos, modernos e assim-assim; contas, números e rabiscos foram segredos breves e acelerados, desvendados de forma esparsa e apressada. Faculdade, emprego, administração, adormecer em Londres, almoçar em Paris, jantar em Madrid, reuniões, accionistas e congressos... Foram degraus esgalhados a quatro e quatro numa escalada vertiginosa rumo ao sucesso, num sprint a contra relógio sem tempo para olhar para trás.

- “Não casas mulher?... Não tens filhos?... Vamos ao teatro?... Cinema? Um cafezinho?”- A tudo respondia com uma leveza insustentável:

- “Não tenho tempo!”

Até que um dia, por volta dos quarenta, numa curva da vida sem travões, durante uma viagem de carro com destino aos negócios, numa ultrapassagem com erro de cálculo foragido às leis da física vira, de repente, aquela luz frontal… A mesma que a encadeava agora vinda do tecto e iluminando todas aquelas batas brancas. Sentia frio, muito frio. Uma dormência letal no seu corpo banhado a hemorragia por dentro… Ao longe e de forma esbatida, ouvia murmúrios e o fraco tremeluzir do gráfico… E aquela luz… Aquela luz que a ofuscava… Se ao menos conseguisse fechar os olhos…

Então, de repente, de segadeira em punho, surgindo do meio do nada, esquálida, gélida e envolta no seu manto lúgubre surgiu a morte com o indicador espetado indicando-lhe que a seguisse…

"Que não… Que não ia, tinha muita coisa para fazer… Holdings para vender, contratos para assinar, posições para assumir"…

- "Piiiiiiiiiiiiiiiiii"… - O alarme sonoro e os acenos de cabeça foram a pedra de toque para desligar a máquina e apagar, finalmente, aquela luz…

A morte apontou-lhe o dedo de novo insistindo para que a seguisse…

- Não! Não me leves ainda! Deixei tanta coisa por fazer… Dá-me tempo…

Meneando a cabeça para a esquerda e para a direita, num movimento lento e sentenciador, a morte inclinou-se e com uma leveza insustentável proferiu:

- Desculpa! Não tenho tempo…

Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

SE FOSSE HOJE...

Mark Kostabi
Se fosse hoje, virava o mundo ao contrário.  De um lado as coisas boas, os sonhos, o sorriso e o olhar, do outro, as coisas más, os excessos e as mágoas. No meio, aquela sintonia doce e lenta a tomar conta de ambos,  ainda que distantes, ainda que frágeis, apesar de erros  e mal-entendidos. Deixaria o destino correr no reflexo das palavras  dividido entre o peso  da sintaxe e a ternura da memória, sem vergonha ou rebuço, voando longe, na carícia e no beijo, escorrendo desejos e promessas procurando, sôfrego, o amor…

Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011

AJUDEM A JÓ CANEÇAS !





Ajudem a senhora a encontrar um sentido para a vida... e a atingir o nirvana. Bem aventurados aqueles que ajudam os pobres... de espírito...