(...)
Nua, encostada à parede, de pernas abertas, ligeiramente flectidas, dedilhando as pregas do sexo com a perícia sincopada de um pianista, afundava o dedo médio e o indicador e transportava-os até à superfície humedecendo a entrada enquanto a sua mão esquerda comprimia, ao de leve, os seios. Ansiava tê-lo ali, já, em permanência, desfrutando do seu prazer. O ritmo do toque acelerou-se mal sentiu a chave na porta. Lá fora chovia com uma intensidade digna de filme e ele, encharcado e a tiritar de frio, olhou-a e, de imediato, se desembaraçou do casaco, do qual, segurava ainda com uma lassidão morna, as abas e um destroço de guarda-chuva. Tirou a camisa e deixou-se tombar de joelhos diante do seu sexo. Apoiou-se lhe nas pernas, ligeiramente acima do joelho estendeu a língua e começou um lento percurso de carícias pelas coxas, titilando, ao de leve o clíoris. Ela cravou-lhe as mãos na nuca empurrando-o, com firmeza, para o sexo que entreabria em flor
saudando a chegada das manhãs de Abril.
- És meu! – Sussurrou-lhe ela.
- Seeempree… - Anuiu ele..
Puxou-lhe o cabelo para trás despegando-o de si. Introduziu o dedo médio e o indicador, alguns segundos, dentro do aveludado húmido do sexo não se coibindo de lhe enterrar os dedos na boca para que ele se inbriasse com o seu perfume adocicado. Empurrou-o de novo, com ligeireza. Ele, dexou-se cair e deitou-se no chão em câmera lenta, ela ajoelhou-se e puxou-lhe as calças molhadas e as boxers. A língua dela descobria, agora, um carreiro até ao interior das suas pernas sentindo na face a carícia do sexo entumescido. Não resistiu: provou-o … Uma e outra vez... E estendeu-lhe os lábios para um beijo de partilha e volúpia.Deixou descair as ancas e num espasmo arregalou os olhos mal o sentiu entrar. Começou então um lento vai-vem entrelaçando os dedos nos dele com os nós apoiados no chão. O movimento tornara-se mais rápido e insistente. Consumiam-se na transparência fluida do olhar onde cabia o arco-íris e o mundo inteiro lá dentro (...). A fricção tomara uma cadência frenética só parando no estremeção e no murmúrio imperceptível dos sons guturais até se sentir inundada de prazer. Ela oferecera-se com generosidade, ele entregara-se sem obstáculo. (...) ele estranhava-lhe o silêncio. Ela, para quem as palavras eram supérfluas quando a certeza era firme e esta se manifestava no movimento do corpo em tradução livre do desejo, sorria-lhe encontrando, finalmente, não aquilo que procurava, mas aquilo que os fazia felizes…
13 comentários:
Uma bela narrativa do amor feito com a mais livre entrega. A narrativa delicada, refletindo a vida, a doce e quente troca entre dois seres que se buscam completar. O amor, para quem realmente o vive ou viveu, nunca é ousado, é sempre adequado e ansiado. Bjs. Dody
E por mais que sejam belos os demais parágrafos, o último é de beleza extrema!
Mas que bela provocação Sr. Bento! Assim vale mesmo a pena ir para dentro ;)
Vulgar! Nada tem que ver com a tua escrita.
Ficou a transparência do desejo sexual, tão básico... seja por amor ou por lascívia. Palavras para quê?
Sr. Bento, acho que consegue fazer melhor!
LuÍs. Eu não acredito que tu fizeste isto ao texto. O Governo pressionou-te? Lol... tás preocupado com os "milhões de fãs"? Vais começar a apagar os textos todos de que não gostam? conhecia-te por seres antes quebrar que torcer. afinal torceste. Não te esqueças. manda-me o livro por correio interno. MC
Excelente.
Ando á uns tempos a pensar publicar algo do género mas temia ser demasiado carnal. Agora encontro o seu e estou sem palavras. Está excelente mesmo.
Vou seguir ;)
Eu acho que fui um bocadinho atrevida com o meu comentário. Vim cá propositadamente pedir-lhe desculpa.
Agora, deparo-me com este belo trabalho.
Completamente diferente...
Fantástico!
Costuma ser bom sinal quando a polémica se instala. Gostei desta segunda provocação. Sabes que podes contar com o Provoca-me para repor o texto original e para fazer experiências que não se enquadrem aqui :)
Nossa, Luis Bento...
que sutil, intenso e bonito.
ai, ai..............
(suspira)
Gostei muitíssimo.
Tudo eroticamente correto, delícia de escrita com alta qualidade.
Gostaria até de fazer uma postagem no meu blog com esse seu texto. Permite?
Bjoo
Elcarloveyes..Um texto que causou alguma polémica...Está à vontade para fazer a postagem... Vai ficar em boa companhia no seu blog que visito.
Lembrei-me deste teu texto do nada. Permiti-me fazer um a partir dele. Muito inspirador e belo. O link do teu está lá, claro, para os "geminar".
:))
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