
UM OLHAR SARCÁSTICO SOBRE OS PORTUGUESES... MISCELÂNEA DE HUMOR, LITERATURA E CENAS DO QUOTIDIANO. PENSAMENTOS DO DIA... E DA NOITE. UMA PITADA DE CRÓNICA POLÍTICA, TIRO AOS DARDOS, PITTA SHOARMA E BATATAS FRITAS...
Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
QUARENTA E CINCO...

Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
MAIL DE UM MALUCO...
luis bento para mario mostrar detalhes 15:25 (Há 9 horas)
O meu amigo Escreve muito bem e com muito humor...uma estratégia brilhante para levar as visitas ao seu blog..."ganda maluco" he he he... Depois diga-me se a Sílvia Romão foi na conversa..
ELE HÁ COM CADA UMA...

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mario dias
mostrar detalhes 02:32 (Há 10 horas)
Olá boa noite,
chamo-me Mário e sou leitor assiduo do seu blogue que, apesar de considerar um pouco feminino em algumas partes, gosto bastante.
Eu tinha também um blogue que entretanto apaguei pois não conseguia que ninguém o visitasse.
Não tenho muita imaginação e às vezes dou uns erros de Português, o que pode ter ajudado ao insussesso do mesmo.
Há umas semanas conheci na internet uma rapariga, a Sílvia Romão, ela disse me que gostava de pessoas inteligentes, que escrevem bem, com imaginação e com uma sensibilidade acima da média.
Pensei logo em si e no seu blogue.
Disse à Silvia que tinha um blogue e comecei a enviar-lhe textos seus os quais ela adorava.Isto mais no inicio porque agora os seus textos como sabe não são muito bons. Claro que também alterei algumas partes...há coisas que às vezes diz que não cabem na cabecinha de ninguém...
Adiante...
Estamos completamente apaixonados um pelo outro.
Eu pelo corpo e cara laroca dela e ela pela minha pseudo-sensibilidade e pseudo-forma de escrever (nas palavras da própria, menos o pseudo que fui eu que acrescentei).
Vamo-nos encontrar durante a próxima semana mas antes ela quer que eu lhe diga qual o link do meu blogue para me fazer uma surpresa.
Ontem quando ela me disse isso na internet fingi que a ligação caiu, mas hoje já me mandou duas mensagens a perguntar o mesmo.
Por isso lhe escrevo...
Precisava apenas que durante a próxima semana colocasse a minha foto em cima do lado direito como se o blogue fosse de facto meu...
Há também meia duzia de posts que lhe pedia que retirasse por serem mesmo muito femininos.
É só até quinta-feira, depois estou com ela, consigo o que quero e não me interessa mais nada...
É Natal, época de solidariedade...ajude-me por amor de Deus.
Eu sei que isto parece um daqueles clássicos do cinema Português em que na primeira parte do filme alguem dizia que era rico, na segunda parte tentava demonstrar uma riqueza que não tinha, para no final a verdade vir ao de cima.
Só que de filme isto não tem nada e queria por isso saber se me ajuda a tornar em realidade uma inesquecivel noite de quinta-feira com a Sílivia.
Ela tem mesmo um corpo fenomenal...
Cumprimentos,
Mário Dias
P.S.Em compensação prometo que um dia que reactive o blogue faço lá uma pequena referencia ao seu.
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Sábado, 19 de Dezembro de 2009
O NATAL JÁ NÃO É O QUE ERA...
Respondendo ao amável convite/desafio da Ana Martins sobre a temática de "O Natal já não é o que era" aqui fica a contribuição do escriba a juntar aos textos dos restantes convidados que podem encontrar aqui: Ana Martins , Ana Paula Motta , Isa Silva , Nuno Gervásio , Vasco Catarino Soares- O Natal já não é o que era!
Apanhada à solta no ar, a frase não lhe escapara fazendo-o girar a cabeça na direcção da mulher atafulhada em sacos da Zara e afins em amena cavaqueira com uma amiga bem no meio do passeio. Aproveitara os escassos minutos de benesse laboral para uma breve visita à Conservatória do Registo Automóvel a fim de dar baixa do Fiat 128 de mil novecentos e setenta e sete, de cuja propriedade cancerosa se livrara há um ror de anos por excelsa generosidade de um ferro velho lá para os lados de Algueirão, mas que as finanças insistiam em querer cobrar o respectivo imposto de circulação. A frase transportara-o para a catequese aos sábados de manhã onde o padre Baltasar refugiado na opulência do nome bíblico, impunha o catecismo à força de vara e muito puxão de orelhas. A semana acabava, paulatinamente, com o estímulo doloroso da reguada firme e sonora da dona Rute. Vermelho de raiva e vergonha pelo ar trocista dos colegas, a lágrima infantil só se continha na proporção da força com que as suas mãos apertavam o ferro forjado da carteira onde encontrava abrigo para a raiva e alívio para o ardor das palmas já calejadas de rotina pedagógica. No dia seguinte, o vestir à pressa e o empurrão materno - Despacha-te! Vais chegar atrasado à catequese! Raio do miúdo ! Traz o diabo no corpo… Anda! Mexe-te! - E lá ia em corrida desenfreada pelo declive da rua de Campolide até desaguar em suor esbaforido, no centro paroquial balbuciando um bom dia a medo e um desculpe senhor padre Baltasar envergonhado, sentando-se, pé ante pé, na cadeira minúscula aninhada entre os cochichos dos colegas. Maiúscula era a imperativa do padre que nem o deixava aquecer o pequeno rectângulo de pinho.
- Anda cá! - Entre a prelecção sobre a necessidade de chegar a tempo, havia tempo para a brutalidade de um beliscão pela ímpia falha de se ter esquecido do ”O meu primeiro catecismo”… Então sim… Podia sentar-se em paz lavado dos pecados da alma inconsequente, imaculado, acabadinho de sair do banho no rio Jordão. Era irresistível. Sentado, mirradinho entre os dichotes jocosos dos colegas imbuídos no mais puro espírito cristão de quem se achava ter sido bafejado pela graça de Deus por ter chegado a tempo e horas, não resistia a olhar para o crucifixo prateado colocado a meio da parede branca, manchada de humidade e rachas por causa das obras na sacristia. E falava com Ele. Desconhecedor do duplo sentido do termo pregar, achava ele não ser Cristo pessoa de bem, pois se pregava aos Filisteus significaria que andava pelos desertos a pregar pessoas em cactos e palmeiras ou, à sua semelhança, em cruzes prateadas, mas se ressuscitara na páscoa ou os pregos eram rombos e de má qualidade ou o marceneiro não fizera, convenientemente, o seu trabalho. De qualquer forma achava estranho que entre a pregação de cristo e a passividade de Deus, o Senhor tivesse deixado morrer o filho mais velho da vizinha do rés-do- chão, entrevada após um acidente de carro e da qual ele era o único sustento, ou que, simplesmente, deixasse a dona Rute ou o padre darem reguadas e puxões à fartazana sem castigo. Se tudo acontecia nas suas barbas ou ele não era mesmo pessoa de bem ou andava constantemente distraído. O desperdício do monólogo interior esgotava-se na incapacidade argumentativa de Deus, que baixava à terra na mão iluminada do padre Baltasar com mais um puxão de orelhas pela sua falta de atenção.
- Sempre na lua, sempre na lua!
Certo, certo é que depois da catequese e da confissão e, apesar do bacalhau cozido, as filhozes da mãe e a presença dos avós com histórias de encantar da aldeia arrumada nas franjas do vale do rio Ocresa, para onde se ia envolto na fumarada do comboio a diesel após quatro horas e meia de jornada, faziam com que o Natal brilhasse nas luzinhas intermitentes e nas bolas coloridas caídas do céu, sob a forma de uma rifa premiada na feira de Santo André onde o pai, por mero acaso , fora fazer um pequeno trabalho de construção civil, penduradas no pinheiro raquítico, mas real, ao lado do presépio em madeira feito pelo senhor Alberto, que tinha uma oficina de carpintaria onde uns aprendizes esborrachavam os dedos, em marteladas cegas de ignorância, a troco da aprendizagem forçada de um ofício. A manhã de vinte e cinco era suprema! Ao desembrulhar as prendas, o raio do Pai Natal acertava sempre e, à excepção das pistas de automóveis, lá lhe trazia os legos ou o carro telecomandado que estava na montra da tabacaria do senhor Anselmo… Matava sempre a cabeça como é que o raio do homem conseguira ir à loja com as renas, pela calada da noite, sem nunca ninguém ter dado por nada…
Despertara da memória doce do Natal de infância já no guichet do registo automóvel. A funcionária, boçal e arrogante, esgrimia argumentos numa sintaxe de distância e desprezo:
- Se o carro está registado nos nossos computadores é porque existe! - Nos nossos computadores… - Figura desprezível que de informática só dominava apenas o facto de enviar sms e embevecer-se com powerpoints, em corrente, exacerbando a amizade universal embrulhada em música de Vangelis e fotografias de rouxinóis e colibris. Entre a necessidade de renunciar ao sigilo bancário para reclamar das finanças e pagar a coima… Não tendo uma caixa de robalos à mão, decidira pagar a coima apesar da injustiça de, na qualidade de defunto, o veículo, com trinta e três anos, se encontrar morto e enterrado nos fornos duma siderurgia, transformado em cambota ou tubo de escape!
Pagara e recebera um ausente e monocórdico Bom Natal…
Preparava-se para regressar ao trabalho para mais uma sessão de devolução de cheques sem cobertura e mais o telefonema para o senhor Eustáquio. Apesar da reapreciação do processo, o departamento de risco indeferira-lhe o pedido de empréstimo para despesas hospitalares…
Cá fora, os sacos da Zara jaziam no passeio, mas a senhora ainda gesticulava com a amiga sobre uma terrível dúvida existencial exposta, com requinte e preceito segundo os Cânones do método cartesiano, relativamente ao destino ou rumo no Reveillon… Casino Estoril ou Barcelona…
- Está tudo pela hora da morte e mais a gandulagem que para aí anda…
A frase despertara-lhe de novo a atenção, mas agora, ao invés das memórias doces do seu Natal de infância, não se furtara a deixar escapar com algum desencanto:
É… Decididamente, o Natal já não é o que era…
Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
O MEU... CONTO DE NATAL...
http://fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
EM PREPARAÇÃO
