Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

QUARENTA E CINCO...


Pois é... Depois de se ter empanturrado em bolo-rei, filhozes, jingle bells trauteados a eito e boas festas distribuídas a esmo. O escriba começou a trilhar a estrada 45! Já lá vai um dia! Após tantas mensagens de felicitações e parabéns, às quais não pôde responder em tempo útil por variadíssimas razões, entre elas um bicharoco de nome: bugbear.B.oom que procurou guarida no Win 32, lá conseguiu o escriba pôr a funcionar a sua máquina e colocar um textozinho alusivo à efeméride. Sem mais delongas, recuperamos "A verdadeira história do Bento" que, apesar da graçola fácil, tem o mérito de pôr a nú, pelo menos no papel, a razão do baptismo do escriba com tão prosaico nome: Luís Alberto. Quis a excelsa progenitora marcar o seu reBento com o ferro do sucesso socorrendo-se de um nome muito em voga à época: Luis Alberto del Paraná. Não só pela sua voz que deleitava os mais finos e belos exemplares do belo sexo, mas também porque, a acreditar no singelo escrito alinhavado em forma de reclame na capa, bons augúrios se afiguravam ao futuro triunfador. Vá-se lá saber porquê, e apesar de bastas vezes ter passado debaixo do arco do mesmo nome em Paris, até ao momento, do termo, o escriba apenas guarda o doce sabor da bolacha torrada com idêntica terminologia...



LISBOA, 1964





Com mais de dois dedos de testa e outros tantos de dilatação dera entrada na maternidade, às nove horas da noite, aflita de dores e rebentada de águas. Numa consoada abençoada por Deus e apadrinhada pelo Natal dos Hospitais, fora obrigada a suportar as dores com paninhos quentes, supositórios bem-uron e muito “schiu” de enfermeira para não acordar as “outras”.Às nove da manhã de vinte seis de dezembro de mil novecentos e sessenta e quatro dera à luz um macho raquítico, lingrinhas, roxo de berraria e excesso de permanência uterina no meio de dúzia e meia de médicos mal encarados, bêbados de sono e a arrotar bolo rei temperado a vinho do Porto. « Numa época em que o inglês ainda não era obrigatório por força duma reles redacção de vinte e cinco linhas cheias de erros ortográficos do engenheiro Sócrates, o moço, ganhara o nome em homenagem ao mexicano que aquecia os corações das donas de casa, no constante circular das setenta e oito rotações de Luis Alberto del Paraná, aos microfones da Emissora Nacional mesmo antes do folhetim diário da “coxinha do Tide”. Abençoado pela casualidade divina do apelido paterno e da coragem e intrepidez do avô José Gonçalves, dava à estampa, no meio de outros cromos ilustres, Luís Alberto Gonçalves Bento...


Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

MAIL DE UM MALUCO...



Ele há cada uma... Pois é... o escriba foi apanhado na curva sem travões... embora tivesse descoberto parte da marosca uns minutos depois através dum mail prontamente enviado:

luis bento para mario mostrar detalhes 15:25 (Há 9 horas)

O meu amigo Escreve muito bem e com muito humor...uma estratégia brilhante para levar as visitas ao seu blog..."ganda maluco" he he he... Depois diga-me se a Sílvia Romão foi na conversa..
Luis Bento
O certo é que o escriba foi apanhado... Ele há com cada uma... passada a surpresa inicial resta-me
regozijar-me com a atenção dada pelo Mário Dias a este espaço. O Mail de um louco é uma prova de que, afinal, os portugueses têm sentido de humor. Um espaço a visitar. Deixo-vos com as palavras do Berdades:
Francamente... então desconhecem o Mário Dias que há pouco tempo ocupou só!! 6 páginas da revista Sábado?!Pois então eu dei destaque no meu blogue e o maroto atacou aqui o Bento. É um blog louco mas o mais divertido que até hoje conheço.Vejam o post original sobre este mail enviado a vários blogues em:http://maildeumlouco.blogspot.com/
Ele há com cada uma...

ELE HÁ COM CADA UMA...


Já tinha acontecido de tudo aqui ao escriba: mails a pedir textos para a tia, para o chefe e para a namorada. Já me disseram que não sei EXCREVER... assim mesmo, com xis e tudo, já vi blogs com textos muito parecidos com os meus apenas com o nome dos personagens alterados, agora...um pedido destes...não lembrava ao diabo nem à santíssima trindade... Pareço o Saramago envolto em polémica...Aqui vos deixo o control C de alguma da tralha que recebo diariamente...
Blogue
Caixa de entradaX


Responder
mario dias
mostrar detalhes 02:32 (Há 10 horas)


Olá boa noite,
chamo-me Mário e sou leitor assiduo do seu blogue que, apesar de considerar um pouco feminino em algumas partes, gosto bastante.
Eu tinha também um blogue que entretanto apaguei pois não conseguia que ninguém o visitasse.
Não tenho muita imaginação e às vezes dou uns erros de Português, o que pode ter ajudado ao insussesso do mesmo.
Há umas semanas conheci na internet uma rapariga, a Sílvia Romão, ela disse me que gostava de pessoas inteligentes, que escrevem bem, com imaginação e com uma sensibilidade acima da média.
Pensei logo em si e no seu blogue.
Disse à Silvia que tinha um blogue e comecei a enviar-lhe textos seus os quais ela adorava.Isto mais no inicio porque agora os seus textos como sabe não são muito bons. Claro que também alterei algumas partes...há coisas que às vezes diz que não cabem na cabecinha de ninguém...
Adiante...
Estamos completamente apaixonados um pelo outro.
Eu pelo corpo e cara laroca dela e ela pela minha pseudo-sensibilidade e pseudo-forma de escrever (nas palavras da própria, menos o pseudo que fui eu que acrescentei).
Vamo-nos encontrar durante a próxima semana mas antes ela quer que eu lhe diga qual o link do meu blogue para me fazer uma surpresa.
Ontem quando ela me disse isso na internet fingi que a ligação caiu, mas hoje já me mandou duas mensagens a perguntar o mesmo.
Por isso lhe escrevo...
Precisava apenas que durante a próxima semana colocasse a minha foto em cima do lado direito como se o blogue fosse de facto meu...
Há também meia duzia de posts que lhe pedia que retirasse por serem mesmo muito femininos.
É só até quinta-feira, depois estou com ela, consigo o que quero e não me interessa mais nada...
É Natal, época de solidariedade...ajude-me por amor de Deus.
Eu sei que isto parece um daqueles clássicos do cinema Português em que na primeira parte do filme alguem dizia que era rico, na segunda parte tentava demonstrar uma riqueza que não tinha, para no final a verdade vir ao de cima.
Só que de filme isto não tem nada e queria por isso saber se me ajuda a tornar em realidade uma inesquecivel noite de quinta-feira com a Sílivia.
Ela tem mesmo um corpo fenomenal...
Cumprimentos,
Mário Dias
P.S.Em compensação prometo que um dia que reactive o blogue faço lá uma pequena referencia ao seu.


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Sábado, 19 de Dezembro de 2009

O NATAL JÁ NÃO É O QUE ERA...

Respondendo ao amável convite/desafio da Ana Martins sobre a temática de "O Natal já não é o que era" aqui fica a contribuição do escriba a juntar aos textos dos restantes convidados que podem encontrar aqui: Ana Martins , Ana Paula Motta , Isa Silva , Nuno Gervásio , Vasco Catarino Soares



- O Natal já não é o que era!

Apanhada à solta no ar, a frase não lhe escapara fazendo-o girar a cabeça na direcção da mulher atafulhada em sacos da Zara e afins em amena cavaqueira com uma amiga bem no meio do passeio. Aproveitara os escassos minutos de benesse laboral para uma breve visita à Conservatória do Registo Automóvel a fim de dar baixa do Fiat 128 de mil novecentos e setenta e sete, de cuja propriedade cancerosa se livrara há um ror de anos por excelsa generosidade de um ferro velho lá para os lados de Algueirão, mas que as finanças insistiam em querer cobrar o respectivo imposto de circulação. A frase transportara-o para a catequese aos sábados de manhã onde o padre Baltasar refugiado na opulência do nome bíblico, impunha o catecismo à força de vara e muito puxão de orelhas. A semana acabava, paulatinamente, com o estímulo doloroso da reguada firme e sonora da dona Rute. Vermelho de raiva e vergonha pelo ar trocista dos colegas, a lágrima infantil só se continha na proporção da força com que as suas mãos apertavam o ferro forjado da carteira onde encontrava abrigo para a raiva e alívio para o ardor das palmas já calejadas de rotina pedagógica. No dia seguinte, o vestir à pressa e o empurrão materno - Despacha-te! Vais chegar atrasado à catequese! Raio do miúdo ! Traz o diabo no corpo… Anda! Mexe-te! - E lá ia em corrida desenfreada pelo declive da rua de Campolide até desaguar em suor esbaforido, no centro paroquial balbuciando um bom dia a medo e um desculpe senhor padre Baltasar envergonhado, sentando-se, pé ante pé, na cadeira minúscula aninhada entre os cochichos dos colegas. Maiúscula era a imperativa do padre que nem o deixava aquecer o pequeno rectângulo de pinho.


- Anda cá! - Entre a prelecção sobre a necessidade de chegar a tempo, havia tempo para a brutalidade de um beliscão pela ímpia falha de se ter esquecido do ”O meu primeiro catecismo”… Então sim… Podia sentar-se em paz lavado dos pecados da alma inconsequente, imaculado, acabadinho de sair do banho no rio Jordão. Era irresistível. Sentado, mirradinho entre os dichotes jocosos dos colegas imbuídos no mais puro espírito cristão de quem se achava ter sido bafejado pela graça de Deus por ter chegado a tempo e horas, não resistia a olhar para o crucifixo prateado colocado a meio da parede branca, manchada de humidade e rachas por causa das obras na sacristia. E falava com Ele. Desconhecedor do duplo sentido do termo pregar, achava ele não ser Cristo pessoa de bem, pois se pregava aos Filisteus significaria que andava pelos desertos a pregar pessoas em cactos e palmeiras ou, à sua semelhança, em cruzes prateadas, mas se ressuscitara na páscoa ou os pregos eram rombos e de má qualidade ou o marceneiro não fizera, convenientemente, o seu trabalho. De qualquer forma achava estranho que entre a pregação de cristo e a passividade de Deus, o Senhor tivesse deixado morrer o filho mais velho da vizinha do rés-do- chão, entrevada após um acidente de carro e da qual ele era o único sustento, ou que, simplesmente, deixasse a dona Rute ou o padre darem reguadas e puxões à fartazana sem castigo. Se tudo acontecia nas suas barbas ou ele não era mesmo pessoa de bem ou andava constantemente distraído. O desperdício do monólogo interior esgotava-se na incapacidade argumentativa de Deus, que baixava à terra na mão iluminada do padre Baltasar com mais um puxão de orelhas pela sua falta de atenção.


- Sempre na lua, sempre na lua!

Certo, certo é que depois da catequese e da confissão e, apesar do bacalhau cozido, as filhozes da mãe e a presença dos avós com histórias de encantar da aldeia arrumada nas franjas do vale do rio Ocresa, para onde se ia envolto na fumarada do comboio a diesel após quatro horas e meia de jornada, faziam com que o Natal brilhasse nas luzinhas intermitentes e nas bolas coloridas caídas do céu, sob a forma de uma rifa premiada na feira de Santo André onde o pai, por mero acaso , fora fazer um pequeno trabalho de construção civil, penduradas no pinheiro raquítico, mas real, ao lado do presépio em madeira feito pelo senhor Alberto, que tinha uma oficina de carpintaria onde uns aprendizes esborrachavam os dedos, em marteladas cegas de ignorância, a troco da aprendizagem forçada de um ofício. A manhã de vinte e cinco era suprema! Ao desembrulhar as prendas, o raio do Pai Natal acertava sempre e, à excepção das pistas de automóveis, lá lhe trazia os legos ou o carro telecomandado que estava na montra da tabacaria do senhor Anselmo… Matava sempre a cabeça como é que o raio do homem conseguira ir à loja com as renas, pela calada da noite, sem nunca ninguém ter dado por nada…
Despertara da memória doce do Natal de infância já no guichet do registo automóvel. A funcionária, boçal e arrogante, esgrimia argumentos numa sintaxe de distância e desprezo:


- Se o carro está registado nos nossos computadores é porque existe! - Nos nossos computadores… - Figura desprezível que de informática só dominava apenas o facto de enviar sms e embevecer-se com powerpoints, em corrente, exacerbando a amizade universal embrulhada em música de Vangelis e fotografias de rouxinóis e colibris. Entre a necessidade de renunciar ao sigilo bancário para reclamar das finanças e pagar a coima… Não tendo uma caixa de robalos à mão, decidira pagar a coima apesar da injustiça de, na qualidade de defunto, o veículo, com trinta e três anos, se encontrar morto e enterrado nos fornos duma siderurgia, transformado em cambota ou tubo de escape!


Pagara e recebera um ausente e monocórdico Bom Natal…

Preparava-se para regressar ao trabalho para mais uma sessão de devolução de cheques sem cobertura e mais o telefonema para o senhor Eustáquio. Apesar da reapreciação do processo, o departamento de risco indeferira-lhe o pedido de empréstimo para despesas hospitalares…

Cá fora, os sacos da Zara jaziam no passeio, mas a senhora ainda gesticulava com a amiga sobre uma terrível dúvida existencial exposta, com requinte e preceito segundo os Cânones do método cartesiano, relativamente ao destino ou rumo no Reveillon… Casino Estoril ou Barcelona…

- Está tudo pela hora da morte e mais a gandulagem que para aí anda…

A frase despertara-lhe de novo a atenção, mas agora, ao invés das memórias doces do seu Natal de infância, não se furtara a deixar escapar com algum desencanto:

É… Decididamente, o Natal já não é o que era…

Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

O MEU... CONTO DE NATAL...

http://fabricadeletrasepalavras.blogspot.com/

"A menina pegou nas bombocas e foi com o avô no comboio ao circo."


Era este o Natal da sua infância, entalado entre a memória de um anúncio de televisão e a mãe que fazia filhozes num alguidar enquanto o bacalhau cozia em lume brando.

Salvavam-se as filhozes ! Entre os tostões da avó e as peúgas da tia, só o diabo insistia em oferecer camisolas de gola alta que picavam no pescoço "como o caraças", ásperas por natureza e feitio. O melhor vinha depois. No sorriso sereno e generoso do padrinho com um bolo-rei do tamanho do mundo e uma "lembrança" para comprar a prenda.

Feitos os trabalhos de casa, acabavam-se as férias e, com elas, o cheiro de rosmaninho e madressilvas que partia com a avó no regresso à terra.

As estrelas perguntavam-lhe se tinha algum recado para o Pai Natal. Tinha! Sim! mas ele próprio lho daria. Afinal de contas, o Pai Natal havia de ser aquele gajo de barbas com a testa colada à montra da mercearia a dizer:

- Bombocas? Não há mais! São para mim!...


Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

EM PREPARAÇÃO


O escriba teve uma ideia! Bem diferente do registo a que estamos habituados. Está em preparação... Para além de reeditar, em breve, uma velha parceria com o Trono do Horus sobre um Pai Natal com uma Face Oculta, para além de ter na gaveta o romance Verde, código Verde que aguarda a luz do dia ou os néons da noite, o escriba engendrou uma metáfora que é um arrepio...Enquanto não sai e vos pede um pouco mais de paciência... podem ir lendo o...