Sábado, 31 de Outubro de 2009

NACIONAL 103 - A VIAGEM



Tarde e a más horas, mas o escriba cumpriu. Mais um textozinho daqueles de fazer chorar as pedras da calçada ou de soltar os pregos do crucifixo à força de gargalhada. Desta vez, nem uma coisa nem outra... Uma história de crime, suspense, humor negro e... final inesperado! Nas entrelinhas lá vamos tendo as ferroadas do costume à nossa sociedade pôdre e mal frequentada.
Sem mácula de nuvens, o céu apresentava-se estrelado e bem acompanhado por uma bela lua cheia que, generosa, se oferecia para iluminar o sentido do pavimento tosco e esburacado diante do tremeluzir fosco dos mínimos. O casal seguia na sua 4L de cavalagem estafada por duas décadas de uso intensivo esgrimindo, no seu interior, acusações, gestos e gritaria. Decididamente, ela não entendia porque não remendara ele uma desculpa, por mais esfarrapada que fosse, na enorme manta de retalhos em que se tornara a sua vida amarfanhada de dívidas e preocupações nos exíguos metros quadradados hipotecados ao banco, numa obscura e perigosa praceta atafulhada de carros num quarteirão de má morte na Rinchoa. Quem quer que fosse, chamasse os bombeiros ou gritasse “Ó da guarda” que a eles nem a santa da ladeira derramava sangue , lágrima ou piscadela de olho para ajudar. Ele, por seu lado, apesar do adiantado da hora, cismara na urgência do telefonema lá da terra e, só o facto de viverem apertados pela pressão constante das ameaças do gestor de conta, o fizera aventurar-se numa carcaça velha com fortes indícios de fadiga dos metais, pela estrada nacional. O pouco que lhes coubera das partilhas da morte da tia materna dera de sinal para o apartamento, estoirando o resto na Renault 4L, à época, novinha em folha, mais brilhante que o aço das facas de trinchar do Augusto do talho 24. Não fosse a viagem dura e sinuosa a desoras e o encanto ímpar do percurso faria par com o estampado de estrelas só retratado com mestria igual em postais e guias turísticos. Já não a podia ouvir falar. "Vais depressa demais!... Matamo-nos antes de lá chegar!" Matar-se era coisa que não lhe passava pela cabeça, nem antes nem depois daquela prova de resistência à paciência de santo de que se munira à custa de dois brandys na estação de serviço. Sem dúvida que nem os santinhos do altar, alinhadinhos em sacrossanta disposição milimétrica, ficariam quietos pelo constante matraquear de avisos, ais, uis, sustos e resmungadelas ao longo da jornada. Olhava-a de soslaio e dava-lhe na veneta de pegar no calibre 9 mm entalado entre o tapete e as molas partidas do assento do condutor e desferir-lhe, à má fila, a canhonaça bem no meio da testa. Não fosse a imagem da massa encefálica a escorrer pelos vidros e salpicar os estofos lavados e aspirados na oficina do Carriço e não teria pejo dos trinta euros gastos na mordomia higiénica. Só a tinha trazido para não se deixar adormecer ao volante na frugalidade de conforto da máquina que, carregada com uma vintena de anos, se havia esquecido de aquecimento e leitor de CD’s. Aquele constante matraquear , contudo, era garantia suficiente de nervos em ebulição com visita inadiável ao centro de saúde para medir a tensão . Pior fora ter-se esquecido das cassettes do Dino Meira…
No meio da serpentina de asfalto divisava, a custo, as sombras de pinheiros e carvalhos estratégicamente plantados em curvas sibilinas… Já faltava pouco, o único receio era que aparecesse a Brigada de Trânsito, o médio traseiro fundido e o atraso na inspecção eram motivos de receio mais que fundados para coima da grossa. "Que quereria a velha àquela hora? Uma chamada a meio da noite… teria algum dos primos acordado nas partilhas do belo pedaço de terra junto ao Rabaçal? Mas àquela hora? … Sentira-se mal? Teria o velho morrido? A vozinha dela estava estranha… A lua preenchia grossas fatias de asfalto na amarelice quase fundida dos mínimos alimentados a bateria a dar toque a finados. Dos cento e quarenta kilómetros percorridos na companhia de caracóis vermes e outras lesmas, faltava-lhe palmilhar a derradeira légua… Era questão de aguentar com estoicismo a ligeira subida ladeada pelo barranco e no cume, iniciar-se-ia a descida até à casa rural que ainda não tinha ido a sortes pelos irmãos.
Olhou então para a rampa de estevas e arbustos que se apresentavam do seu lado direito. Alguns torrões e pedregulhos rebolavam em direcção à estrada. Um gande volume de forma rectangular rebolava com maior velocidade, desamparadamente, estacando no meio da via. Travou bruscamente. A chiadeira dos pneus, recauchutados desde a última folha perdida no calendário em que tinha recebido o décimo terceiro mês silenciara grilos, espantara morcegos e tornara ainda mais lúgubre o silêncio que invadira a zona. Só a tosse rouca dos cilindros se fazia ouvir naquele cenário fantasmagórico. A mulher começou então aos guinchos com avisos e alertas. Ele gritou-lhe meia dúzia de impropérios. Era estranha a forma daquele volume.
- Dir-se-ia… hum…nah… - Pegou na pistola entalada entre o tapete e as molas partidas debaixo do seu assento e abriu a porta.
- O que vais fazer homem? Contorna isso… o que quer que seja…
- Tás parva mulher? Contorno o quê? Contorno e vamos pelo barranco abaixo que o espaço é curto! Estúpida! Fosses tu um fósforo e chegava-te o lume para alumiar a estrada… tá calada e…cala-te!
De pistola em punho saiu do carro e avançou, receoso, um par de metros e de repente…
- Não acredito!
Lá de dentro, estirada sobre o tablier com a fronha colada no vidro a mulher guinchava: -Que é homem? Diz lá! O que é?

- É um corpo!... É um homem… E parece morto! - Disse enquanto espreitava para o barranco.

De repente… arregalou o olhar… ao fundo, a alta velocidade…

(CONTINUA...)

Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

SIM... FICO! - A TERCEIRA PARTE


Eis a terceira parte da saga. Iniciada com o conto erótico "Se tivesse um título chamava-se letra M" e desenvolvido posteriormente pela Maristela, conclui-se hoje a trilogia num registo pretensamente literário.

…”Se aninharam um no outro. Ele teve vontade de beijar os olhos dela. Ela teve vontade de acarinhar os cabelos dele. Como se fosse um amor de outros tempos. Mas só conseguiram ficar ali, exauridos, sem se falar, sem se olhar mais.Apenas esperando.”
(Maristela)

… Apenas esperando que o último gemido rouco, solto a custo do fundo da garganta, lhes escorresse, como as vidas, em parágrafos desgarrados de prazeres suados e vontades assumidas. De mãos dadas num nó cego de cumplicidade, contemplando o tecto vagamente iluminado pelo fosco do candeeiro, mais do que personagens com densidade psicológica pretendiam ser protagonistas dum romance sem fim voando, agora, lado a lado, no meio de asas de primavera, flutuando num céu devassado de azul, recheado de metáforas.




- Ficas?




- Sim! Fico!... Gosto de ti! - Sussurrara-lhe ao ouvido numa brisa fresca de superlativos.





Ele corria num sonho alado, nas memórias da infância mágica e feliz na doçura alienada da mãe de ouvido colado na rádio onde rolava, invariavelmente, no “Quando o telefone toca”, dedilhado num piano de métrica romântica e afinada: “Vem… viver a vida amor…que o tempo que passou…não volta não”...




Ela sonhava com o castelo e o príncipe que, mesmo que imperfeito, apareceria limpo e barbeado para a salvar do dragão de fogo ou do sapo inchado de inveja e enfado. Os dois, sonhavam, em comunhão perfeita de corpos numa harmonia sem falsetes, notas soltas ou maestro, com a melodia que, em uníssono, os ajudasse a trocar as voltas da vida e do seu xadrez impreciso de jogadas dúbias.




Perto do Porto, já por estrada nacional, rasgava o asfalto no calor do pé febril e pesado da aceleração máxima contra o tempo, esse obscuro cavalheiro eternamente contraditório e escasso, para lhe susurrar ao ouvido, apesar da lomba traiçoeira que acoitava o camião monstruoso e grotesco em sentido contrário.




Ela acordou, de sorriso rasgado e dolência preguiçosa estendendo os braços.




Ele vinha a caminho do Porto e chegaria num qualquer momento parco e desejado, era só o tempo de um duche rápido e uma corrida pronta para a imobiliária.




Ele insitia em querer sussurrar-lhe… apesar da curva fatalmente apertada…




Ela soergueu-se na cama e estendeu os braços fazendo cair, desastradamente, o candeeiro que se transformou em cacos…




Ele carregava no acelerador, exangue e inútil, até ao limite duma mecânica possível e frouxa derrotada por K.O, simples e directo, pelas leis da física…




Ela juntou os cacos do candeeiro numa pressa ansiosa…




Ele, que viera para ficar, conseguira, numa volta sem retorno, mesmo nos últimos metros antes da derrapagem anunciada, exausto, feliz, de olhos brilhantes fitos nos seus, sussurrar-lhe com paixão numa brisa fresca de superlativos:


- Sim! Fico!... Gosto de ti!...

MAIS LOGO... CONCLUSÃO DO TEXTO DA MARISTELA...




Não é o big brother nem o "profundo olhar" é o escriba a anunciar o final da saga da Letra M... O texto começou como erótico, teve desenvolvimento com a Maristela e vai acabar num novo registo. Um risco sem cálculo, um passeio no arame sem rede. A ler mais logo...

Sábado, 24 de Outubro de 2009

LUSITÂNIA ONLINE - DENTRO DA LIVRARIA OBRAS COMPLETAS



O Lusitânia Online, editado pela Novitas, chegou à Livraria Obras Completas no Centro Comercial Dolce Vita Miraflores. Para os não residentes na área de Lisboa/Oeiras poderão continuar a receber, no recato do lar, a obra devidamente acondicionada e almofadada nas fronhas do envelope de correio verde.

Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

POR RESPEITO PARA COM O PÚBLICO LEITOR

Após tantas manifestações de apoio e carinho, decididamente, não pode o escriba abandonar com esta leveza, este espaço pelo enorme respeito que o público leitor merece. Fazê-lo, por contrapartida das dificuldades no término da história da Maristela ou pelos desaires face à ditadura dos critérios insondáveis das editoras nacionais, seria facilitismo e fuga pela esquerda baixa do palco. Não foram os números pesados das visitas nem dos seguidores argumento suficiente para convencer as ditas. Ao escriba restaria provocar um escândalo público ou uma presença na televisão. Não sendo adepto de uma nem partidário da outra... Paciência! Agora, livre do fardo pressionante das tentativas de publicar umas míseras linhas nas sacrossantas editoras nacionais, vai o escriba dar continuiade ao blogue voltando à pureza original: Tertúlias virtuais, blogagens colectivas, gincanas, desafios, sempre na expectativa de produzir os melhores textos para o público leitor na linha humanista e de humor cáustico que vinha seguindo. O bichinho da escrita é mais forte que o apelo fácil da desistência. Assim sendo, não se furtará o escriba a acabar a história da Maristela, sem saber bem como, amanhã... Vai agora o escriba à cata dumas palavrinhas para alinhavar, depois de ter ouvido "poucas e das boas", inclusivé por mail, de um público que merece ser brindado com o melhor do melhor.
Obrigado!

SEXTA-FEIRA É O FINAL...



Faz agora uma ano que este blogue abriu... entre a dificuldade em alterar o rumo da história da Maristela, manter a história sem rumo ou, sequer, dar um rumo aos escritos, é hora de fazer um balanço. Se o fácil não tem apelo e o difícil não tem solução... Sexta-feira é o ponto final...

Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

ENTREVISTA DE SARAMAGO AO BLOGUE DO BENTO



JORNALISTA: Acredita em Deus?
SARAMAGO: Eu? Deus me livre!
JORNALISTA: Em que acredita?
SARAMAGO: Em Jeová!... Porque há Testemunhas...
JORNALISTA: Tropeçou num argumento estafado...
SARAMAGO: Não...Caim...

Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

A CONTINUAÇÃO - DE MARISTELA BAIRROS

Ela saía do banho e ele, docemente estático, apareceu-lhe à frente, de toalha estendida, abraçando-a com carinho. Ficaram assim uns minutos alheados do mundo que lá fora girava nos compêndios de geografia. Afastou-se dele, antecipando despedidas ou dificuldades numa autoestrada que se lhes atravessava no caminho. Sabendo que morava em Lisboa, quis saber as linhas com que se iria coser aquele fato novo, mantendo a esperança num amor sem interrupções. Num tom grave e inquisidor perguntou-lhe:- E tu…Voltas?Deixando-se cair exausto e feliz sobre a cama e de olhos brilhantes fitos nos seus, respondeu-lhe com paixão:- Não… Fico!!

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Este foi o parágrafo final do conto erótico que a Maristela Bairros da Clínica da Palavra se propôs desenvolver. Aventurando-se por novos registos e trazendo uma nova dinâmica à narrativa.. aí está o texto da Maristela...

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Dissera “fico” com tamanha determinação que o coração ficou aos pulos. E agora? Como faria para levar esta loucura toda em frente? Uma transa é, afinal, uma transa. Puro prazer. Nada a ver com problemas, conseqüências, culpas. Ainda sentia o gosto de toda ela em sua boca, as mordiscadas no lóbulo, o dedo atrevido que o deixara até meio incomodado mas que, depois, o fizera repensar conceitos.

O corpo inteiro sofria uma espécie de espasmo interior, ao ritmo da veia jugular. Medo? Com certeza, sim. Junto com a tesão que não passava.


Ela ouvira “fico” entre o satisfeita e o incomodada. Satisfeita por confirmar o poder de comando que tanto amava. Incomodada porque não tinha interesse em ir adiante com aquela coisa que não era nem mesmo uma relação. Só uma transa. Lembrou, então, da banheira cheia de champanhe que havia exigido de Leon, capricho caro que ele havia bancado. A sensação de ser possuída e de possuir envolvida pelo cheiro do álcool, pelo sabor da bebida misturada com o sabor de fluidos. Esse cara não parecia ser do tipo. Ao contrário.


Quando sentiu que ela o pegava pelas costas, puxando-o pela cintura tramando a perna em volta de seu quadril, esqueceu do medo. Deixou que ela o guiasse, rindo baixinho, estendendo as mãos para trás, buscando-lhe a cabeça, as orelhas, os cabelos, por sobre o ombro, o hálito quente e com cheiro acre, mas estimulante. Fechou os olhos, por um instante se imaginou a caça e não o caçador. Pensamento que por tanto tempo expulsara mas, com ela, admitia. O movimento ritmado dela, úmida, como se estivesse implorando, num jogo de masoquismo, as unhas cravadas em seu peito, parecendo mais um animal que brigava para não cair dali, a vontade crescendo, duro, duro, duro como um adolescente de 18 anos.


Não queria estar com ele, não queria pensar que queria estar com ele, mas precisava dele mais uma vez, ou duas, ou três. Ele a obedecia, todo o corpo dele a obedecia, ao menor toque dos mamilos em suas costas, ele reagia todo alerta, ela sentia aquele tremor quase imperceptível, ela sabia que ele ficaria pronto sempre que ela quisesse. Montada nele, como um bicho, sem qualquer elegância, sugando seu pescoço, seu ombro, parecendo em desespero, queria espantar qualquer outra vontade que não fosse a de gozar fundo e sem intervalos. Nem Leon nem os outros, nem aquele velho nojento que a alimentava e para quem ela dava de olhos sempre fechados, nada era melhor, naquela hora, que aquele cara que nem conhecia. Rápida, sem falar nada, mordeu-lhe forte a nádega. Ele gemeu. E se virou.


O que aconteceria agora, quando voltasse? Poderia ficar ali semana inteira. Um dia, iria voltar. E enfrentar o olhar morno de Agnes. Abafou o pensamento segurando os dois pés daquela louca, erguendo-os no ar, acima de sua cabeça, olhando-a com o interesse de um predador. Ela queria. De qualquer maneira, ela queria. Ela empinava a barriga para cima, tentando se impor à sua boca, ele recuava, a abaixava, submetia sua vontade, seu poder, não falava, apenas respirava, a cabeça latejando, o sexo doendo, ele castigando, até desabar dentro dela, sem piedade, sem carinho, sem sentimento. Até ouvir ela soltar como que um rangido longo. Não era um som de gozo. Era diferente. Ele gostou ainda mais.

Assim, presa pelos pés, sugando as mãos, desgrenhada, se debatendo, o ventre subindo e descendo inutilmente diante dele, provocação, submissão, revolta, ela pensava em quanto estava no comando, em quanto era boa nisso. E só pensar já lhe bastava para o prazer vir como um jorro quente. Sem ligar para a dor em cada pedaço da pele, a madeira, as felpas, corpo esfolado. Marcas. Queria, mas não aceitava. Tentou arrastar a cabeça dele, para sentir de novo a língua áspera. Ele recuou. Ela gostou. Uma surra às avessas, pensou. Mas ele vem, eu consigo. Eu mando. Eu quero. De repente, o solavanco, o rosto dele tão perto agora, num esgar, deformado, assustador, mau. E tão bom , tão bom, tão bom.


Tentavam em vão parar, encerrar, se permitir. Mas agora era tarde. Não eram eles que mandavam. Eram seus corpos. Como desligados deles mesmos. Se governavam, comandavam, não aceitavam ordens. Simplesmente ondulavam, e tremiam, e se agitavam com fúria. Davam um tempo, amansavam-se, docilmente, até recomeçar, olhos buscando um o outro, bocas sem tempo para um beijo que fosse, garras em vez de mãos, sons assustadores, ardência doída, ausência de vida, quase morte. Rostos vazios, se abraçaram automaticamente. Se aninharam um no outro. Ele teve vontade de beijar os olhos dela. Ela teve vontade de acarinhar os cabelos dele. Como se fosse um amor de outros tempos. Mas só conseguiram ficar ali, exauridos, sem se falar, sem se olhar mais.
Apenas esperando.

(Maristela Bairros)
Há alguns dias, nestes papos de twitter e facebook, fiz um convite ao Luis Bento, do Bento Vai Pra Dentro. Ele havia escrito, na maior farra e provocação, um texto erótico, incentivado por alguns amigos, em especial da web. Tudo por causa da insensibilidade das editoras: ou vende porque é sacanagem ou não vende. Enfim.Pois eu propus ao Luis Bento que desse continuidade ao texto. Ele disse que tinha de pensar. Eu então, na farra, propus uma brincadeira: eu escreveria o seguimento e ele o seguimento da minha continuação. Ele topou.
Topei sim! Mais daqui a pouco..o conto da Maristela...

Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

MARISTELA - A PROPOSTA...BREVEMENTE



Pois em conversa no twitter surgiu uma ideia excelente... Depois do desafio da Ana Martins surgiu a proposta da Maristela. A Maristela Bairros (jornalista, dois filhos, humor variável, atenta, dois cachorros) do blog Clínica da palavra vai dar sequência ao texto erótico: "Letra M de...Mais..." Diz a Maristela que já sabe o que vai fazer com os personagens e, posteriormente, o escriba dará sequência à sequência da Maristela... Isto promete! Até final da semana aguardemos pois pelo texto... quente... da Maristela...

Domingo, 18 de Outubro de 2009

BLOG DO CONCISO - BLOGGINCANA DE OUTUBRO






1 - Escolhi porque era o blog anterior ao meu.

2 - Se é do meu agrado? Sim! Porque é desconcertante e vanguardista.

3 - Nunca frequentei, mas vou frequentar. Blog moderno, joga com as imagens e obriga a leitura atenta para percceber as mensagens subliminares.

4 - É um blogue inteligente.



Domingo, 11 de Outubro de 2009

AÍ ESTÁ: O DESAFIO DA ANA MARTINS


Escrito à pressão, resposta ao desafio da escritora Ana Martins lançado no facebook: "Olha Luís, desafio-te a colocares uma personagem fictícia no Blog logo a seguir às 20h de amanhã, a saber o resultado das eleições, sendo esta pessoa candidata a uma qualquer Edilidade fictícia, porém nacional. Aceitas?" Aceitei!... e de imediato lhe lancei um repto: "Em contrapartida lancei-te outro desafio... Um texto sobre as redes sociais e o preconceito. Pela tua abordagem, já antecipo surpresas!"
Pois... aqui está a resposta...quanto ao desafio feito à Ana podem lê-lo AQUI:
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Publicado em simultâneo às 20 horas com o site http://anamartins.com/

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Partira ainda pequeno, pouco mais de dez réis de gente, de mão dada com o pai, com o infortúnio por traz e a fome pela frente.Para trás das costas deixara os xistos, as couves e o abecedário soletrado pela metade. França, pródiga em liberdades e oportunidade, cravada numa europa distante o suficiente e esquecida deste rectângulo quedo e amordaçado, trouxera-lhe a paz e o desafogo financeiro. Uma vintena de anos depois, seduzido pela saudade servida em doses duplas de nostalgia regressara ao cheiro, ao húmus e ao caldo de infância. Regressara pois, e conhecera mulher e fora pai e trocara a enxada e a talocha pelo fato/gravata da política. Mais por justiça e sede de construir do que por ambição, farto das quezílias em torno de marcos, fontes e estradas para nenhures, desenvolvera um trabalho de esmero e dedicação à causa pública que ofuscava pelo brilho e irritava pela inveja. Sempre se orgulhara de ser diferente “deles”, dos outros, daqueles que floresciam à sombra da causa pública alicercando a ostentação parola na ignomínia e no desvario. Sempre se furtara aos favores, às fugas e às pressões presidindo aos destinos da Câmara Municipal com denodo e honradez. Até que um dia, ao filho, único rebento do casal, fora-lhe diagnostica enfermidade rara para a qual tinham canalizado e esgotado todas as economias. Cego de amor, não resistira e organizara, metodicamente, contabilidade paralela e desviara a quantia suficiente para a operação urgente em Londres. Descoberta a tramóia, tornara-se presa fácil dos abutres que há muito pressionavam e exigiam a construção do aterro sanitário a troco de múltiplas e obscuras vantagens para causa própria. Cedera, mais uma vez… A exposição pública de mácula no cadastro moral seriam dor maior maior que a perda do mandato eleitoral. Perto das oito, minutos antes do anúncio dos resultados, em plena praça pública, os magotes de gente aproximavam-se regozijando e antecipando a vitória.
De fatiota cara e vistosa, dois dos investidores acercaram-se com sonoros cumprimentos:
- Dê cá um abraço homem, que você é cá dos nossos!!
Não contendo um nó seco na garganta , de olhar preso no horizonte marejado de lágrimas enquanto os militantes esfuziavam de alegria com os resultados pela retumbante vitória, não conseguia deixar de pensar:
- Sim, agora era um deles…

O DESAFIO DA ANA MARTINS




A Ana Martins lançou um desafio ao escriba: "Arrisca a ficção factual, o drama... Olha Luís, desafio-te a colocares uma personagem fictícia no Blog logo a seguir às 20h de amanhã, a saber o resultado das eleições, sendo esta pessoa candidata a uma qualquer Edilidade fictícia, porém nacional. Aceitas?" ... .... ...- Aceito! Atordoado pela surpresa do repto e orgulhoso pela escolha, o escriba balbuciou um sim antes de pensar nas condições ou consequências pelo facto de arriscar mais uma jogada em novos registos de escrita. Mesmo antes do intervalo, ainda teve tempo para, num passe de mágica, colocar, por sua vez, a bola no lado de lá: "
Bom dia! Aceitei o desafio e lanço-te também um repto...E que tal lançares um personagem fictício onde abordes dois temas? Redes sociais e preconceito? Por exemplo, o número crescente de amizades nas redes sociais que o personagem tem , mas que se evapora quando o conhcem... ao aparecer em cadeira de rodas... acho que é um bom ponto de partida... Eu sei que o tempo é curto, mas vais fazer-nos uma boa surpresa!" E pronto! Eis-nos a brincar à cabra cega com as palavrinhas que teimam em aparecer... Prognósticos... só mais logo, nos blogues de ambos, lá pelas 20 horas...

Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

SE TIVESSE UM TÍTULO CHAMAVA-SE: LETRA M... COMO M DE... MAIS!!...





O prometido é de vidro. O escriba, aventurando-se num registo que não é o seu, não se furtou ao desafio. Mais que o hipotético interesse das editoras, foi o frenesim de entrar por um terreno excitante e sensível. Sendo a “primeira vez”, espera o escriba levar a bom porto o navio, pois que se naufragar no meio dos escolhos deixará as palavrinhas a pão e água…





Metera-se a caminho do Porto rolando em velocidade excessiva no atapetado do asfalto. Mais do que a compra da casa foram os traços finos e elegantes, que lhe divisara nos bytes da net percorrida a fio e insistência, que o levavam em busca daquele olhar forte e perturbador que, aos quarenta o mantinha em suspenso, preso daqueles quarenta debruados a quilates prenhes duma sensualidade acanhada..
Chegara cinco minutos antes da hora marcada aos escritórios da imobiliária. Dera com ela sentada na secretária de saia e casaco pretos, camisa adivinhando formas na sua transparência, uns sapatos de salto agulha, lábios rasgados e finos, nariz direito, cabelos longos, soltos num volume selvagem e aquele olhar felino onde, de imediato desejara perder-se no verde das suas sete vidas. Aproximou-se com um cumprimento de mão leve sentindo-lhe o aveludado e o tremor expontâneo. Olhos nos olhos, balbuciaram cumprimentos a rodos e sorrisos a destempero. Finalmente, ela retirara a mão, compondo o casaco deixando a descoberto parte da alvura redonda e firme de um seio desamparado e atractivo. Sentira-lhe o suspiro inflando de impaciencia e excitação. A química não se confinava aos tubos de ensaio das aulas de liceu. A reacção em cadeia dera-se ali mesmo, em catadupas de odor, olhares e respiração em códigos trocados no esboçar de sílabas alinhavadas a silêncio.







De mãos dadas, voaram numa vertigem estancada à porta da moradia com a placa “VENDE-SE”. Mal entraram no hall, ele não se conteve e, pegando-lhe no pulso, fê-la rodopiar até ficar de frente para si, acto contínuo, empurrou-a contra a parede nua, prendendo-lhe os pulsos. Por entre pastas, papeis e documentos espalhados nas lajes, esmagou os seus lábios finos e rasgados com um beijo longo e quente, ao mesmo tempo que comprimia o seu corpo , meneando-se de forma a sentir-lhe o sexo. Generoso e faminto, o corpo dela oferceu-se ao movimento libidinoso deixando-se prender, desta feita, pela face, nas suas mãos nodosas e másculas. Ávidos, os lábios não encontravam o fim num beijo cada vez mais longo, quente e húmido que abriam, agora, passagem a uma língua exploradora que encontrara companhia e se deixara enlaçar num turbilhão de fluidos e desejo. Ela mordiscava-lhe agora os lábios repuxando-os de olhos fitos nos dele. Matreira, a mão masculina desceu com um vagar anunciado , de forma possessiva e penetrante, em direcção ao sexo dela comprimindo-o e acariciando-o. Ela retirou-lhe a mão e obrigou-o a enlaçá-la pela cintura. Teimoso, por entre beijos afoitos e distraídos acariciou-lhe o ventre passeando com mão até aos seios roçando, ao de leve, um dos mamilos. A um tempo subiram as escadas em direcção ao quarto num compasso de ânsia. Abraçou-a pelas costas tirando-lhe o casaco à força de beijos e caricias no pescoço. A mão direita dele, teimosamente acariciava, de novo, o sexo dela e de novo rechassada com suavidade. Foi a vez dela. Virou-se cobrindo o seu peito de lábios excessivos por centímetro quadrado de pele. Ele, rendido e perdido nas vagas daquela maré de olhar verde e felino, empurrou-a para cima da cama e deixando cair todo o peso do seu corpo num desfalecimento embevecido, puxou-lhe as abas da camisa fazendo saltar os botões, passando a mão direita, num gesto de destreza, pelo fecho do soutien. Os seios, agora desnudados e com a pele arrepiada surgiam, alvos e puros, oferecendo-se generosamente aos seus lábios. Não se fizera rogado.Iniciara uma doce tortura com a sua língua deixando um rasto húmido de desejo ante o seu tórax que se arqueava e arrepiava, a língua dançava sobre os mamilos túrgidos, duros e ansiosos, do beijo e da sucção. Começou por mordiscá-los rodando os maxilares o que provocou um frémito pelo seu corpo. Sugou-os, sentia-lhe o arfar, a respiração pesada e as suas unhas cravadas no cabelo. Desceu então, lentamente, em direcção ao ventre, novamente deixando um sulco brilhante e quente. Puxou-lhe a saia,alçou-lhe as pernas apoiando-as nos seus ombros. Puxou-lhe, com uma lentifdão lasciva e calculda, os slips enquanto lhe beijava a face visível das pernas junto aos seus lábios. Iniciou então um percurso exploratório em sentido ascendente. Sem lhe retirar os sapatos de salto alto, beijou-lhe os dedos dos pés demorando-se um pouco, depois o peito do pé onde a sua língua fez novas acrobacias. Ajoelhou-se diante dela e egeu-lhe as pernas ao nivel dos joelhos. A língua subiu arrastadamente pela zona interior das pernas em direcção às sua coxas. Ela fincava-lha as unhas no cabelo puxando-lhe a cabeça em direcção ao sexo. Em menos de nada os seus dedos afastavam as pregas do sexo que se oferecia generoso e húmido ao seu olhar faminto e ao seu desejo. Penetrou- com a língua, demoradamente, sentiu-lhe o estertor as coxas que o apertaram repentinamente e o gemido rouco que vinha lá de longe do mais fundo do seu prazer. Ela puxou-o pelos ombros exigiu-lhe o beijo sentindo o odor e o travo agridoce do seu sexo. Demoraram-se num beijo apaixonado, e então ela girou o corpo e ficou sobre ele. Prendeu-lhe os pulsos e deixou-se inclinar de modo a facilitar a entrada do seu sexo. Iniciando um vaivém ritmado, sincopado cada vez mais ávido e célere. Atingiram o clímax em uníssono, conjugado de forma activa a duas vozes. Ela deixou-se cair sobre o seu corpo, aninhando-se sobre o seu peito de respiração ofegante enquanto ele brincava com os seus cabelos longos…






Ela saía do banho e ele, docemente estático, apareceu-lhe à frente, de toalha estendida, abraçando-a com carinho. Ficaram assim uns minutos alheados do mundo que lá fora girava nos compêndios de geografia. Afastou-se dele, antecipando despedidas ou dificuldades numa autoestrada que se lhes atravessava no caminho. Sabendo que morava em Lisboa, quis saber as linhas com que se iria coser aquele fato novo, mantendo a esperança num amor sem interrupções. Num tom grave e inquisidor perguntou-lhe:
- E tu…Voltas?
Deixando-se cair exausto e feliz sobre a cama e de olhos brilhantes fitos nos seus, respondeu-lhe com paixão:
- Não… Fico!!


Terça-feira, 6 de Outubro de 2009

MAIS LOGO...

(Tirada da net)
A pedido de várias famílias e porque eu não sou de deixar cair desafios em saco roto, logo mais à noitinha, o escriba vai aventurar-se num registo de forte carga erótica que, por si só, já é empresa de monta. Seja pelo apelo do público seja pela dimensão do saco, o desafio terá resposta, forte, quente e determinada. O escriba não vai formular a resposta sacramental: " Depois não digam que eu não avisei"... Eu... Avisei! A excitação do desafio e a possibilidade de, assim, ter alguma visibilidade nos critérios míopes dos editores nacionais... aguçaram-me o apetite... Aguentem-se...

Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

ESCREVER SOBRE A VIRGINDADE? OU REVISITAR O DILEMA DE HAMLET?





Não sendo a Queda de um Anjo na companhia do Camilo Castelo Branco foi, pelo menos, um tombo de santinho com pés de barro... Excitaram-se os neurónios perante a "alembradura" dos tempos de catequese após uma conversa com um blogger brasileiro: " Se escrever sobre coisas sérias... ninguém publica, mas se contar como perdi a virgindade... vem editora até de Plutão"... e agora? Escrevo ou não escrevo?... Hum ?...

ALGUÉM ESCUTA O BOLO-REI?

Triplicaram os ataques ao sistema informático do governo após declarações de Cavaco Silva...afinal ... parece que toda a gente ESCUTA o que o presidente diz...