Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

ESCUTAS DO SIS? - OU A NOVA TESE DO MITO SEBASTIÂNICO

( A fotografia é minha!)


Cruzaram-se num passeio estreitamente vesgo, entalado entre paredes decoradas a graffitis e carros ordeiramente semeados em segunda fila. Iluminou-se-lhes o semblante num sorriso rasgado a lâmpadas de cem velas quando se reconheceram de abraço estendido, comum e imediato. Refastelados numa esplanada de má morte (que a boa andava na companhia de santos de pagela) estenderam o rol de recordações desde os tempos de faculdade.
Esfomeada, a curiosidade, disparou perguntas a eito de parte a parte, o tempo era escasso e curto, mas com tecido suficiente para dois, três ou quatro dedos de conversa. Conversaram uma mão inteira! Madame esferovite, a quem o cognome assentava que nem uma luva pela tamanha frieza, palidez , arrepios e desfalque sucessivo e constante nos mais elementares padrões estéticos, dissecava até à exaustão o mito sebastiânico espraiando-se por kilómetros de aulas áridas e recheadas de absentismo, na cadeira de Cultura Portuguesa. Filha única, marrona por natureza e inteligente por benção divina, devotava a sua vida a extirpar a ferrugem mental aos néscios que lhe caíam no regaço. Desta feita, os três estarolas que subtilmente lhe boicotavam as aulas, embora não se catalogassem na referida categoria passeavam, amiúde, pelos limites da desfaçatez e despreocupação. Intelectuais de algibeira traziam nos fundilhos das calças, uma amálgama de conhecimentos assente em manuais de alfarrabista , novidades do quotidiano e dicas do Reader’s Digest. A piada surgia a despropósito e com uma celeridade estonteante. Ficara célebre a intervenção do escriba após uma (mais uma) extensa dissertação da Madame esferovite sobre o mito de D.sebastão. Enumerara ela numa ode triunfal e numa complicada equação matemática assente no logaritmo “por A+B”, que o mito se baseava no regresso do Desejado numa madugada de nevoeiro trazendo, a tiracolo, a salvação e que, por si só, a crença no seu regresso era o leit motiv para muita temática literária e para que o Povo não perdesse a esperança no regresso de uma liderança forte, una e que fomentasse a coesão e o desenvolvimento da identidade nacional. Assente nesses pressupostos, o escriba , num misto de sarcasmo e ironia despejara com um sorriso infantil:

- Então estamos safos! - Por entre a risota geral e o enfado furibundo da professora, choveu nova prelecção alertando para o facto de se tratar de um mito e que o povo português deveria canalizar as suas energias, as sua crenças e a sua vontade de mudar o rumo do país para as qualidades e capacidade de trabalho, honestidade e liderança da classe política portuguesa. Face à derrocada dos seus argumentos e desiludido com o peso da prelecção, a resposta não se fez esperar, desta vez mais contundente:

- Então… Estamos fodidos!
As semanas seguintes seriam passadas num mutismo total e numa clausura forçada no canto da sala. Lá mais para o final do ano lectivo, um dos estarolas, que embora tivesse cérebro, a massa encefálica, muitas vezes ausentava-se para parte incerta, era filho-de-uma-doméstica-que-tinha-um-primo-que-era-amigo-do-cunhado-dum-doutor-vizinho-dum-professor-universitário-ligado-ao-centro-de-estudos-judiciários-que-tinha-sabido-que-ia-abrir-um-concurso-para-agentes-do-SIS, tinha avisado o grupo para a oportunidade de arranjar um tacho no estado. Lá foram os três estarolas a concurso, provas, testes psicotécnicos e outros exercícios de perícia dignos de cromos da bola. Mal chegaram à velhinha sede do SIS na Alexandre Herculano, quando subiram ao primeiro andar, acompanhados por um esbirro, onde se iria fazer uma prova escrita, o escriba empalideceu… Estava envelhecido, levemente corcunda e sem cabelo, mas os seus passos não deixavam margem nem rio para dúvidas: aquele som que vinte anos depois lhe recordara o terror da mãe sempre que ele entrava no prédio… Era o “Botas”!! Sim! Esse mesmo daquela história de agentes da pide contada há uns meses atrás!! Perdera a tesão toda! Foda-se! Triste democracia que vai buscar os seus algozes para lhe ensinar a defesa do traseiro. Declinou o convite, rasurou a prova e desceu em direcção à porta de saída acompanhado pelo esbirro. Formado em letras por opção e algarismos por necessidade, aceitara um lugar discreto, limpo e bem remunerado numa instituição bancária.
Os outros dois estarolas acabaram por ficar. Um como perito de logística de segunda classe, dedicando-se alegremente à montagem de aparelhos de escuta nas redondezas das zonas-alvo, o outro como operacional, entretendo-se na recolha e tratamento de informação de rua. Submetera-se a concurso interno para técnico de análise de informação, mas uma-estagiária-que-era-prima-de-um-assssor-de-um-secretário-de-estado-que-era-boa-todos-os-dias-e-com-umas-mamas-descomunais-e-fazia-repetidamente-serões-com-o-inspector-cordenador, acabara por ficar com o lugar…
Estava saturado, entre as vigílias aos professores e as escutas aos sindicalistas, pouco sobrava de resquício terrorista para investigar. A menos que Bin Laden se acoitasse na C+S de Sobral de Monte Agraço ou no seu célebre parque infantil, de atentado nem cheiro, só o demente e quotidiano rol de fugas de informação para a imprensa fomentado pelos serviços secretos militares.
A conversa é como as cerejas … E os caroços, muitos, já se espalhavam pela calçada. Das recordações e desabafos regressavam agora, sem vontade, à realidade do presente do indicativo pensando em tempos pretéritos e temendo pelos futuros. Sem certezas clínicas de futuros reencontros, despediram-se com uma tese comungada por ambos: Entre o Pai Natal e o D.Sebastião, não restavam grandes esperanças aos portugueses… Um era apenas figura decorativa de calendário de Coca-Cola, o outro...nunca regressaria na tal ansiada madrugada, antes pelo contrário, foram os portugueses que se tinham enfiado, de borco, no lodaçal pantanoso, num entardecer de nevoeiro, na companhia dos cavaleiros do apocalipse embrulhados em fatinhos Armani...

P.S. Dado que “Eles” até andam a ler blogues… antes que venha o D. Sebastião travestido de processo… é melhor dizer que isto é ficção,… Não é?

Domingo, 27 de Setembro de 2009

REBENTAR... COM OS VOTOS...

Ao rebentar da aurora começa mais um acto eleitoral para escolhermos aqueles que vão rebentar connosco... O Bento não re...Benta...com ninguém! Antes pelo contrário, rebenta com os cânones estabelecidos para as boas práticas literárias e com a própria imagem. O texto que vai sair mais daqui a pouco é mais uma crítica de língua afiada para ler nas entrelinhas. O texto veio rebentar com a linha editorial de histórias com humor. Antes que os leitores rebentem com o escriba, exerçam o vosso dever cívico e "votem" os vossos comentários na caixinha aqui de baixo.

Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

BLOGGINCANA - SETEMBRO



O Varal de Ideias pela generosidade, pela divulgação e por manter vivo o espírito da blogosfera
Parece que o conheço desde sempre...

O REGRESSO DO ESCRIBA!!


Ora aí está, de regresso, o escriba! Enterrado em faraónica busca, não da arca perdida, mas dos cento e cinquenta mil postos de trabalho prometidos pelo Sócrates logrou, finalmente, sacudir a areia fina do esquecimento e voltar à verve incial deste espaço de crítica e tertúlia. Perdido, dias a fio, por entre domésticas com-rendimentos-mensais-de-quinhentos-euros-a-comprar-casas-em-offshore-de-meio-milhão-de-euros-com-desconto-de-cento-e-setenta-e-quatro-mil-euros- para-pagar-menos-IMT, não almejou o escriba encontrar os postos de trabalho e, dado que, nos dias de hoje, falar do Freeport é guia de marcha com carimbo e selo branco para fazer companhia à Manuela Moura Guedes…vamos antes falar do mito Sebastiânico… brevemente…

Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

RECEBI UM LIVRO...


Recebi este livro pelo correio, uma gentil oferta da amável autora Ana Martins. Já o li. Li num ápice, numa vertigem. Normalmente, expansivo em palavras, esgotaram-se-me hoje os vocábulos. Evitando o lugar comum e a simples exposição de factos e situações, Ana Martins brinda-nos com um exemplo de luta, com orgulho (muito) e um sorriso (sempre). Numa narrativa bem construida e apaixonante revela-nos “entre lágrimas e sorrisos, o mundo desconcertante do autismo” ou, mais propriamente, os tiques do desconserto do mundo…
O autismo não é uma diferença, é uma forma diferente de ver o mundo que, às vezes, bem precisaria de ser diferente…

Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

A ECOCASA - PROJECTO ARQ. MANOELA SCHMIDT

Foi dos primeiros blogs que conheci: Clínica da palavra . Rapidamente se estabeleceu uma empatia e uma necessidade de acompanhar as suas novidades. Pessoa generosa, em constante divulgação do trabalho alheio, surpreendeu-me com um post sobre o Lusitânia Online. Surpresa pelo carinho e conhecimento manifestado, surpresa por se ter antecipado à divulgação do projecto ecocasa para o Jardim Botânico da autoria da sua filha Arquitecta Manoela Schmidt. Já consultei o link e vi as fotos dos interiores. Aqui fica a divulgação, acima de tudo porque é um projecto de grande qualidade e porque, num futuro muito próximo, é nestas casas que viveremos.


Amigos.No ano passado, minha filha, Manoela Schmidt, obteve o primeiro lugar concurso cujo objetivo foi criar uma ecocasa para o Jardim Botânico. Agora, como arquiteta que obteve sua graduação em agosto, ela já pode tocar o projeto adiante e tentar patrocínio para a sua construção, o que também pode e deve ser buscado pela instituição beneficiada, no caso a Fundação Zoobotânica.Para divulgar mais o projeto, Manu criou um blog cujo link envio a vocês e peço que divulguem como puderem.Um abraço da mãe-corujamaris
http://ecocasajardimbotanico.wordpress.com/-- Maristela BairrosJornalista




O Projeto
Arq. Manoela Bairros SchmidtProposta para Eco-Casa no Jardim Botânico de Porto Alegre.Projeto classificado em 1º lugar no concurso de ideias.A diferença da eco_casa em relação às casas comuns é o fato de buscar uma correta integração com a paisagem, utilizar materiais naturais ou de reuso, tratar e reaproveitar a água, associar à edificação o plantio de espécies para consumo próprio, buscar uma adequada orientação solar (a fim de minimizar o calor no verão e maximizar no inverno), valer-se da energia solar para aquecer a água da casa, buscar uma ventilação natural dos ambientes (melhorando a qualidade do ar), etc.
No caso do protótipo no Jardim Botânico, o que diferencia a eco_casa das demais é o fato de buscar um contato com a terra.
A exemplo dos índios, que enterravam suas habitações, a eco_casa no jardim botânico é semi-enterrrada (fica a um metro abaixo do nível do terreno, correspondendo à altura dos peitoris), promovendo, assim, um contato com a terra.
A variação da temperatura do solo é menor que a do ar durante o dia e o ano, por isso ocorre uma transferência de calor entre a casa e a terra: no inverno, ocorre o aquecimento por irradiação, quando a casa ganha calor pela terra; já no verão, ocorre o oposto, quando a casa é resfriada por irradiação, ao perder calor para a terra). Buscou-se solucionar de forma natural o problema do frio e do calor intensos em Porto Alegre.
Outro diferencial é o fato de buscar uma manutenção da paisagem existente: por ser semi-enterrada, fica camuflada no terreno, não agredindo a paisagem e mantendo, em parte, o seu aspecto natural.
contato:
manoela.schmidt@gmail.com

Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

NOVO CAMPO DE TREINO DA SELECÇÃO NACIONAL




Novo campo de treino da selecção Nacional... pelo menos nesta baliza eles conseguem acertar! Acho eu...

Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

MAIS UM BLOG CENSURADO NO BRASIL...SE A MODA PEGA...

Denúncia Caros e caras, recebi na tarde de ontem um curto comunicado do WordPress via e-mail solicitando, em prazo de 24 horas, a remoção de todo e qualquer logotipo ou imagem da Petrobras e a mudança da minha URL “petrobrasdadosefatos”, pois, segundo o comunicado, estaria essa causando confusão com o “petrobrasfatosedados” (Mas essa era a intenção oras! Uma companhia bilionária quer ter exclusividade com um domínio gerado em serviço gratuito?!).
Nesse momento percebi que meu blog estava totalmente bloqueado, e que não era mais possível postar nem alterar conteúdos, nada. Por isso coloquei um comentário avisando da censura que estava sofrendo, pois a ferramenta de moderação de comentários continuou ativa.
Estranhei tal comunicado curto, sem maiores explicações e solicitei um detalhamento do por quê dessas imposições, e se havia pressão ou alguma ação formal por parte da Petrobras. Recebi como resposta apenas alguns detalhamentos técnicos que também indaguei, nada sobre o motivo. Muito estranho.
Hoje, novamente, enviei os mesmos questionamentos, incluindo se haverá a possibilidade de um “linkamento” direto entre a minha atual URL e uma nova, caso essa seja realmente congelada. Ainda não obtive resposta. O blog, porém, voltou ao normal, por isso estou postando esse texto.
Não quero criar problemas para o WordPress, que presta um ótimo serviço gratuíto, e aceito qualquer solicitação caso seja necessário. Gostaria apenas de saber exatamente o que está ocorrendo. Claro que pelo teor do comunicado inicial, existe pressão da Petrobras para que esse blog se cale, mude, perca-se.
Enfim, hoje estou cobrindo todas as imagens da empresa, conforme solicitado. Estou colocando tarja preta de censura. Já criei um novo URL cujo endereço deixo aqui como segurança caso
deletem o atual, anotem aí:
http://petrobrasilfatosedados.wordpress.com/
Vamos aguardar novas comunicações ou ações. Aproveito para agradecer todas as mensagens de apoio que esse blog vem recebendo. É um estímulo diante de um fato tão deprimente. Valeu pessoal!
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

VOU DE COLECTIVO - ADORMECER AQUI E AMANHECER NOUTRO LUGAR

(Marienbrücke)

Acabada a preguiça autorizada por decreto, lá vem o escriba amealhar mais umas palavrinhas num texto com sentido obrigatório em direcção à blogagem colectiva.

A frequência com que, em noites de insónia aguda e agitada lhe assaltava o desejo de adormecer aqui e amanhecer noutro lugar, mesmo encostadinho aos imberbes raios de sol da manhã, era unidade de medida costumeira que o acompanhava desde tenra idade, isenta de rugas e nervuras. Fosse por manifesta impaciência de Deus, perdido em páginas de bíblias da Europa-América ou a vistoriar milagres, fosse por enfado ou incapacidade do maldito narrador, as noites sucediam-se ao ritmo febril de vigílias improdutivas e constantes sem vislumbrar a meta do seu objectivo. Entre cigarros apagados a preceito nas espessas manchas de alcatrão, a inundar sucessivos raios-x vomitados de taxas moderadoras, ia dando emprego a sapateiros e tecelões pelas longas marchas solitárias no interior do seu quarto, a abarrotar de livros cheios de mofo e bibelots regados de vulgaridade, em desalinhos estudados, numa órbita caótica impregnada de delírios vocabulares. Esmagava-se-lhe o peito entre a ansiedade impulsiva e a cobardia repressiva alimentada a resignação. Entre o querer, o dever e o fazer geravam-se conflitos intermináveis que desaguavam em suores febris, de ira prolongada, em noites longas que abocanhavam grossas fatias de madrugada.

Uma noite, daquelas com iníco a meio do texto, cumprimentou Darwin cedendo ao impulso. Pegou no carro, agarrou-se ao volante e fundiu-se no macadame atrevendo-se, numa alegria pueril, até ao infinito numa voragem de quilómetros em excesso de rotações.

Amanheceu num lugar distante e desconhecido a meio de uma ponte entalada entre penhascos, mesmo encostadinhos aos imberbes raios de sol da manhã. Envolto numa neblina cúmplice de divino mistério, divisou, ainda agarrado ao volante do carro, uma figura caminhando lentamente na sua direcção.

- Que aconteceu? - Perguntou-lhe.

- Adormeceste! - Respondeu-lhe a figura com enfado e algum desprendimento.

- Adormeci?... Como?

- Adormeceste ao volante!

- Ah... Morri?...

- Não! Atingiste a meta!

- Estou ... no Céu!!

- Não! Amanheceste noutro lugar...

- Hum... És Deus?...

- Não pá!!! - Retorquiu-lhe a figura no limite da impaciência - Sou o maldito do narrador que te encaixou entre um sujeito e um predicado para pôr um ponto final nesta história!!!