
UM OLHAR SARCÁSTICO SOBRE OS PORTUGUESES... MISCELÂNEA DE HUMOR, LITERATURA E CENAS DO QUOTIDIANO. PENSAMENTOS DO DIA... E DA NOITE. UMA PITADA DE CRÓNICA POLÍTICA, TIRO AOS DARDOS, PITTA SHOARMA E BATATAS FRITAS...
Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
AGRADECIMENTO - SELOS

Quinta-feira, 23 de Julho de 2009
ANGELINA JOLIE E O LUSITÂNIA ONLINE
Angelina Jolie deixou Brad Pitt
O casal mais mediático de Hollywood teve uma discussão no domingo enquanto comemoravam o aniversário dos gémeos e a actriz saiu de casa
(Diário de Notícias online)

Pois é... Ao que consta, Brad Pitt queria ler o Lusitânia Online, mas... Angelina fez finca pé e, munida de alguns argumentos válidos, foi para uma suite de hotel na companhia desse livrinho que faz rir... Se quiser ter o prazer celestial de rir com as "boutades" do bento tem duas hipóteses: Ou me manda um mail... ou pede-lho emprestado...
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
TERTÚLIA DE JULHO - TEMA LIVRE

À hora marcada os presos recolheram à rudeza fria e esfíngica das celas. Todos, excepto Manuel da Cruz de Sousa Tobias Lettermann. A kilometragem do nome não o impedira de tirar guia de marcha para a penitenciária com carimbo de dolo e burla agravada. Tomara todos os cuidados e precauções: unira-se ostensivamente aos indivíduos de maior índice de massa muscular por centímetro quadrado, untara as mãos aos guardas, habituara-se a olhar de soslaio por cima dos ombros, evitara deixar cair o sabonete no duche e passara uma estadia agradável e isenta de preocupações. As diversas contas em off-shore ali para os lados entre o cruzamento de Gibraltar com New Jersey almofadavam-lhe, comodamente, o sono na tarimba despida de lençóis e preconceitos. Contudo, a permanência no cárcere ao longo daqueles três anos, exacerbara-lhe o desejo e a ansiedade. A privação da liberdade, o carinho da mulher e da filha, os passeios de domingo, as viagens e as mordomias inerentes à qualidade de homem livre, eram chagas num crucifixo ferrugento arrastado, penosamente, num calvário de olho posto naquele dia gizado na parede. Foram sem conta, as cartas manuscritas numa caligrafia ávida de notícias, trémula de nervosismo e faminta de liberdade. Escrevia de rajada, sem pontuação porque não era concurso e sem acentos porque as relia de pé... Piada fácil de escritor, que acentuava a dor e a tormenta duma personagem farta dos exíguos metros quadrados do recreio, calcorreados numa "Ronda dos Prisioneiros" para a qual ele não tinha estofo. Mago de finança fraudulenta, sim! Mago da paleta, não! O daltonismo não lhe deixava margem para sentidos estéticos e pictóricos dignos de Rembrandt.
À hora marcada, vestido e perfumado, olhou uma vez mais para o relógio. Os portões começaram a rodar ruidosamente nos gonzos. Ouvia o bater compassado do coração atingir a velocidade da luz num nervisismo sem fim. O bater era cada vez mais forte, mais intenso, ensurdecedor, quase lhe cortando a respiração. Os portões giravam numa lentidão exasperante. Limpava o suor da testa com o suor das mãos. O esgar incial tornou-se numa torrente de riso. Não aguentou mais! Com os portões escancarados num convite libidinoso, deitou a correr mal divisou a mulher e a filha no outro lado da estrada.
- GRRINCCHHHHH!!! - Tarde demais... na ânsia, não reparara no camião basculante que se apresentava pela direita a alta velocidade... E ali mesmo, transformado em Ketchup, vendera a alma ao criador em papel de vinte e cinco linhas, livrança e estampilha fiscal...
MORAL DA HISTÓRIA:
Podes querer ser livre, mas... convém olhar para a estrada!
Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
DISSIDÊNCIAS...
Porque este blog não vive só de textos humorísticos, mas também apoia causas justas... aqui transcrevemos o texto da petição.O sociólogo Daniel Luís é, além de cronista e professor universitário, um membro cooperante e activo da imensa comunidade virtual a que se convencionou chamar "Internet".Enquanto blogger, facebooker e twitterer, Daniel Luís construiu uma reputação inatacável e reuniu um capital de prestígio que lhe conferem hoje, sem qualquer favor, o estatuto de referência.Como docente universitário e, portanto, enquanto funcionário do Estado, Daniel Luís viu-se recentemente confrontado com problemas que advêm não da sua actividade docente - também ela irrepreensível - mas dos seus escritos, tanto em blogs como na imprensa convencional.Este grupo pretende congregar todos aqueles que, de alguma forma, o admiram, o estimam e, principalmente, o apoiam na luta que empreendeu pela manutenção do seu direito à liberdade de expressão.Destina-se àqueles que, sendo amigos, conhecidos ou simples leitores anónimos de Daniel Luís, não apenas lhe reconhecem o direito de se exprimir livremente, sem por via disso sofrer qualquer consequência a nível profissional ou outro, como reivindicam para si mesmos esse direito, a liberdade de expressão que a todos é tão cara e da qual nenhum de nós jamais prescindirá.No dia 9 de Julho de 2009, foi criada uma petição, dirigida à Assembleia da República, em que cidadãos livres denunciam o despedimento de Daniel Luís dos quadros da Universidade do Minho por simples delito de opinião. Esta petição está disponível no endereço http://www.peticao.com.pt/daniel-luis. Assine e divulgue!
Contacto
E-mail:
Site:
http://sol.sapo.pt/blogs/dissidencias/de...
Localização:
Braga, Portugal
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
A VERDADEIRA HISTÓRIA DO BENTO - PARTE IV

LISBOA 1974
(CONTINUAÇÃO)
- Polícia Internacional de defesa do estado! Faz favor de abrir…
A mãe, perdida no fio da ladaínha Mariana, não vislumbrou encontrar nem milagre nem Ariane que a ajudasse a articular meia frase com complemento directo, limitando-se a um longo balbuceio em torno das preces, de olhos postos no tecto, em busca do milagre por entre as manchas de humidade e o fio descarnado do candeeiro.
O escriba abriu a porta – O pai não está! Está numa obra. Abalou bem cedo… só vem à noite. Quer deixar recado?
O pai tinha três homens a cargo fazia “todos os trabalhos de construção civil, rebocos, pinturas, canalizações e algerojes”. Aos fins de semana fazia uns biscates para arredondar dias de calendário encavalitado no aperto.
- Vou deixar recado sim, meu petiz… - E de imediato estendeu um cartão de visita. – o seu paizinho que me telefone. Tenho uma obra para fazer no quintal da minha casa e preciso dos seus serviços… ouvi dizer que é um “artista” e peciso que me faça uma obra de arte…
A porta fechou-se atrás do ranger das botas descendo a escada. A mãe, com a cara lavada em suor, iniciava nova cantilena, desta feita, em agradecimento e preparando o responsório para o marido mal chegasse. Nada de dizer mal do Caetano, nada de se dar com o Portela que era vermelho, nada de ouvir a rádio Moscovo, nada… era interminável a lista.
O episódio passou-se, mas do Botas ainda teria a desgradável surpresa dum encontro imediato de terceiro grau bastantes anos mais tarde...
“- Schiu!... Toma lá vinte e cinco tostões… Cala-te!
- Isso não chega… Quero dez escudos!
- Dez escudos?... Isso é um roubo! É exploração! E o fascista sou eu?”
Não esperava pela resposta. Dava os dez escudos, pastilhas pirata a granel, Laranjina C “e mais umas botas” e na ausência de idade legal para conduzir um camião TIR… o resto da colecta era recolhido ao longo da semana. Era engraçado, um aconchego para o estômago, uma mina para as cáries e um martírio para os pulmões. Com o dinheiro sobrante o pessoal ia comprar "kentucki mata-ratos". Com uma alegria infantil teciam loas ao vinte e cinco de Abril em argolas de fumo, tosse e muita cuspidela de tabaco. Mas a cereja no topo do bolo ficou registada pelas desventuras do desgraçado Fernando António, vulgo Fanan, regressado da guerra e estropiado por uma mina. Durante uma picada seguia no Unimog da frente quando se depararam com um tronco de árvore atravessado na estrada...
Aos gritos de emboscada Fanan respondeu com um heroísmo bacoco:
- Qual quê! Não há vivalma… ou caíu ou o puseram para nos atrasar... -retorquiu Fanan – confiante no silêncio em redor apenas entre-cortado pelo cantar de alguns pássaros e cigarras…
- Usa o gancho! - Insistiram.
- Deixa-te de lérias pá! Tu aí - Disse apontando para colega à sua frente - anda comigo. Vamos afastar o tronco que nem é muito grande…
- CLIK!… O resto do estrondo já não o ouviu…
A mãe andava de porta, em porta em tom choroso e falando baixinho, com a fotografia do filho a pedir dinheiro para recompor a sua vida,”por mor dos nossos pecados, “Deus lhe dê muita saudinha… bem haja… temos que ser uns para os outros…já tenho a minha cruz…e bem pesada…” invariavelmente nunca alterava os agradecimentos…
Num bairro velho, em plena explosão de alegria provocada pelo fogo fátuo da revolução, desocupado e visto como um pequeno herói pelo facto de ter regressado vivo, de início ainda se aguentara, mas depois arrastava a sua presença pela taberna, ou pela Associação de Deficientes das Forças Armadas em busca de alguma boa samaritana que lhe aliviasse a ansiedade sexual, mas sem êxito. Certa vez, depois de mais uma mesa redonda bem regada na tasca do seboso, estalara um aceso debate entre os bêbados. Palavra puxa palavra, provocação pede marretada e, às duas por três, gerara-se uma zaragata digna de Asterix, entre a peleja e o encontrão faltou tempo para dar um olhinho ao Fanan… alertados pelos seus gritos assistiram, com horror alimentado a centilitros de onze volumes, à fuga para a vitória do mal fadado deficiente deixando escapar a cadeira de rodaspela General Taborda a baixo. A rua, com um declive apreciável, fez-lhe ganhar velocidade, os seus berros impotentes, o suor a escorrer em bagas grossas misturando-se com a saliva, a tontura inebriante que lhe toldou o cérebro e lhe embaciou os olhos foram argumentos suficientes para impedir o esboço de qualquer tentativa para que as mãos se fincassem nas rodas, só travada com um forte impacto debaixo dum fiat 124 estacionado a meio do passeio...
- E tá com muita sorte!... - Ouviu do médico à saída de São José após um lindo enfeite de gesso compacto no braço esquerdo. – Podia ter sido pior - Agora, estropiado e com um braço partido nem força tinha para fazer andar a cadeira, mais o dinheiro que a mãe amealhara na pedinchisse já quase integralmente fumado e bebido no meio de matraquilhos e snookers… não faltou muito para descer o manto pesado da depressão e da choradeira… - Ò homem… Deixa lá isso... - Disse o seu primo do alto do conhecimento de experiência feito - O que tu precisas é de afogar as mágoas nas meninas da Buraca ou na Buraca das meninas! Não foram à buraca, mas foram até à praça da alegria…depois de um streap tease mal enjorcado no ambiente decrépito do Maxime, toca de escalar um everest de escadas ocas e inseguras na pensão manhosa em frente, levaram o desgraçado ao colo e deixaram-no em cima da cama... ao lado de um cão aninhado.
- Sai daí farrusco - disse a puta no meio de uma tosse cavernosa. O cão revirou um olho aborrecido, rosnou sonolento e aninhou-se com dificuldade e muito má vontade na ponta da cama. Pagaram-lhe de avanço...
Quinze minutos mais tarde veio à janela com uma mama saindo pelo robe mal apertado e em altos berros despejou:
- Venham buscar o coxo que ele já tá servido!!! - E lá foi a tropa fandanga
carregar com aquele peso inerte, saciado e engessado escada a baixo e escada acima…
-Estás bem? Hem? - Perguntou-lhe o Chico piscando um olho matreiro.
- Bem...agora ia uns bolinhos quentes da Praça do Chile...
»
E a quarta parte desta saga fica por aqui. Lá mais para a frente retomaremos as desventuras deste animado grupo. A partir de amanhã cá vos espera um textinho daqueles a brincar com as palavras...
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
A VERDADEIRA HISTÓRIA DO BENTO - PARTE III

A Trama fica na Rua de São Filipe Nery, 25 B (ao Rato). Está aberta segundas, terças, quartas e sábados, das 10h00 às 19h30; quintas e sextas, das 10h00 à meia-noite.
Para os não residentes na área de Lisboa poderão continuar a receber, no recato do lar, a obra devidamente acondicionada e almofadada nas fronhas do envelope de correio verde.
E agora vamos à terceira parte da saga que já se faz tarde...

pratinhos de madeira para aparar as sobras. Ao longo do dia, depois dos mergulhos em voo picado de sucessivas e constantes esquadrilhas de moscas e moscardos, o suíno voltava a reaproveitar o vinho. As sandes de ovo expostas na vitrina, amarelas ao raiar da aurora, esverdeavam com a rotação terrestre, devidamente acompanhas de um desconto cerimonial e ruidoso: as verdes eram cinco tostões mais baratas que as amarelas...
