
“Palavras leva-as o “bento”… pois é o que parece… O escriba prometeu ontem desenhar uns textos com humanismo e humor e numa semana aziaga em acontecimentos acabou por folhear umas páginas da cartilha política… Prometeu e não cumpriu! A ajudar à festa, dificuldades técnicas no acesso ao blog, mas mais vale tarde que nunca, pois tarde e a más horas, aqui fica mais uma história lá da terra…
Lá pelas bandas dos anos oitenta, no capítulo em que os santinhos abraçaram o esquecimento e deram o flanco à crise, em Cebolais de Cima há muito os teares tinham recolhido à ferrugem e as únicas tecedeiras que milimétrica e diariamente exerciam a sua labuta eram as aranhas com teias simétricas e viscosas. As mulheres da vida desabrocharam às dezenas para colorir a gradação monótona da secura daquela terra quente e desempregada. À beira da estrada municipal amparavam-se, serenamente, a capela e um bordel de má morte onde umas quantas mulheres de sotaque espanhol aliviavam o viço e os calores dos portadores de subsídio de desemprego. Numa terra despida de oportunidades, os dias passavam-se entre orações aos santos e as carícias frouxas, streap teases mal amanhados e sexo ao desbarato. Vergado ao peso da responsabilidade divina, o padre, de pescoço esquálido e face comida pelas bexigas doidas. Doidas pela ausência de carnes e pelo ritmo com que lhe esburacavam a cara, resmungava em surdina contra a pouca vergonha do sexo de tarifa bi-horária executado a preceito, sem dó nem piedade, a qualquer hora do dia incomodando com os seus arfares, estertores e desfalecimentos ruidosos, os salmos harmoniosos e pueris dos acólitos, a quem, na sua diminuta existência, tinham tido como visão mais parecida com símbolo fálico, as velas acesas em honra da padroeira da freguesia.
O presidente da junta, homem modernaço que viera transportado a pontapé para Lisboa, fugido ao trabuco de dois canos da ira paterna de uma menina a quem tinha rompido, no meio das estevas, a sua honra sem mácula, achava que todos tinham direito à vida nem que fosse com sífilis à mistura. Às reclamações e reparos do padre respondia o presidente da junta com o lado positivo da questão:
- A igreja não precisava de obras? O telhado da igreja não se encontrava podre e cheio de buracos? Então! Quanto mais gente vier à aldeia mais bago alimenta a caixa de esmolas… E se o dinheiro não é fêmea para procriar a eito no meio dos xistos ou cair da árvore das patacas, então deixe-se de lérias e não resmungue, porque as mulheres antes de pegar ao serviço vêm falar com Deus na sua igreja e deixam cair, sem espinhas, umas moedas na caixa e se Ele, passivamente, aceita a lembrancinha sem vénia ou queixume porque se inquieta vossemecê? Que lhe interessa se vem do suor dos braços ou da ginástica da xoxa?
Os dias caíram lentamente numa modorra abafada e ociosa, de forma a calar o padre, compensar o dono do prostíbulo e agradar ao excitado cromossoma masculino, ouvidas todas as partes, numa reunião apressada e envergonhada, reuniu-se a assembleia de freguesia e deliberou, por unanimidade, permitir o alargamento do horário da actividade comercial e flexibilizar o zelo inquisitório da Guarda Nacional Republicana. O movimento engrossou num ritmo estonteante. A estrada tinha agora um fluxo que engarrafava o trânsito num congestionamento ruidoso e escondido nos focos perdidos por entre moitas e silvas.No meio de tanto movimento e procura habitual, só o padre não via a oferta de carnes em mini-saias curtas e coloridas estacionada, descaradamente, à porta do prostíbulo, pois o seu espírito apaziguado contemplava, embevecido, o telhado novinho da igreja, agora em condições de receber os fiéis que tão generosamente tinha sido oferecido pelo dono do bordel…
Lá pelas bandas dos anos oitenta, no capítulo em que os santinhos abraçaram o esquecimento e deram o flanco à crise, em Cebolais de Cima há muito os teares tinham recolhido à ferrugem e as únicas tecedeiras que milimétrica e diariamente exerciam a sua labuta eram as aranhas com teias simétricas e viscosas. As mulheres da vida desabrocharam às dezenas para colorir a gradação monótona da secura daquela terra quente e desempregada. À beira da estrada municipal amparavam-se, serenamente, a capela e um bordel de má morte onde umas quantas mulheres de sotaque espanhol aliviavam o viço e os calores dos portadores de subsídio de desemprego. Numa terra despida de oportunidades, os dias passavam-se entre orações aos santos e as carícias frouxas, streap teases mal amanhados e sexo ao desbarato. Vergado ao peso da responsabilidade divina, o padre, de pescoço esquálido e face comida pelas bexigas doidas. Doidas pela ausência de carnes e pelo ritmo com que lhe esburacavam a cara, resmungava em surdina contra a pouca vergonha do sexo de tarifa bi-horária executado a preceito, sem dó nem piedade, a qualquer hora do dia incomodando com os seus arfares, estertores e desfalecimentos ruidosos, os salmos harmoniosos e pueris dos acólitos, a quem, na sua diminuta existência, tinham tido como visão mais parecida com símbolo fálico, as velas acesas em honra da padroeira da freguesia.
O presidente da junta, homem modernaço que viera transportado a pontapé para Lisboa, fugido ao trabuco de dois canos da ira paterna de uma menina a quem tinha rompido, no meio das estevas, a sua honra sem mácula, achava que todos tinham direito à vida nem que fosse com sífilis à mistura. Às reclamações e reparos do padre respondia o presidente da junta com o lado positivo da questão:
- A igreja não precisava de obras? O telhado da igreja não se encontrava podre e cheio de buracos? Então! Quanto mais gente vier à aldeia mais bago alimenta a caixa de esmolas… E se o dinheiro não é fêmea para procriar a eito no meio dos xistos ou cair da árvore das patacas, então deixe-se de lérias e não resmungue, porque as mulheres antes de pegar ao serviço vêm falar com Deus na sua igreja e deixam cair, sem espinhas, umas moedas na caixa e se Ele, passivamente, aceita a lembrancinha sem vénia ou queixume porque se inquieta vossemecê? Que lhe interessa se vem do suor dos braços ou da ginástica da xoxa?
Os dias caíram lentamente numa modorra abafada e ociosa, de forma a calar o padre, compensar o dono do prostíbulo e agradar ao excitado cromossoma masculino, ouvidas todas as partes, numa reunião apressada e envergonhada, reuniu-se a assembleia de freguesia e deliberou, por unanimidade, permitir o alargamento do horário da actividade comercial e flexibilizar o zelo inquisitório da Guarda Nacional Republicana. O movimento engrossou num ritmo estonteante. A estrada tinha agora um fluxo que engarrafava o trânsito num congestionamento ruidoso e escondido nos focos perdidos por entre moitas e silvas.No meio de tanto movimento e procura habitual, só o padre não via a oferta de carnes em mini-saias curtas e coloridas estacionada, descaradamente, à porta do prostíbulo, pois o seu espírito apaziguado contemplava, embevecido, o telhado novinho da igreja, agora em condições de receber os fiéis que tão generosamente tinha sido oferecido pelo dono do bordel…



