Domingo, 29 de Março de 2009



Misture, contos, poesias, crônicas e prosas em um livro... Você terá um Balaio de Idéias.

São 25 escritores, cada um com seu estilo - alguns novatos no mundo das letras, outros nem tanto - compondo de forma homogênea uma Coletânea que priorizou o espaço de cada escritor e tratou a cada um como AUTOR (com todas as letras maiúsculas mesmo)

Nas 124 páginas da Coletânea, leituras interessantes, autores de vários Estados do Brasil e dois de Portugal, que nos presenteiam com textos singulares, compondo a I Coletânea Scriptus - Um Balaio de Idéias.

Foi com estas palavras que a Letícia e o David anunciaram a colectânea... a minha primeira participação em livro, mas para breve... aguarda-se a saída de uma novidade como autor isolado. (assim se explica porque tenho andado afastado)

Domingo, 22 de Março de 2009

É A VIDA...


Medo de existir? Teimosia de insistir! É a vida!...




Portugal Hoje - O medo de Existir
José Gil
Editora Relógio d'água
11ªedição Maio de 2007

(...) Os portugueses são particularmente sensíveis à ausência, o que os faz constantemente ansiar pelo pleno. (...) Pleno de palavras, pleno de pensamentos, pleno de agitação, pleno de movimentos (...) "uma estranha semiótica rege este país. Um português pergunta a outro: "Aonde vais este fim-de-semana?" O outro responde: " Fico por aí..." (...) " É a vida." Esta frase com que o apresentador da RTP termina amiúde o Jornal da Noite dá o tema do ambiente mental em que vivemos (...) Depois de assistirmos às notícias sobre raptos, assassinatos, acidentes de viação, mortos palestinianos e israelitas (...) surge uma notícia que, como uma luz divina, redime todo o mal espalhado pela Terra: nasceu um bebé panda no Zoo de Pequim! (...) É a vida, pois. Que mais quereis? É a vida lá fora, não há nada a fazer, é assim, vivei a vossa com paz e serenidade, não há nada a temer (...) ide, ide às vossas ocupações que a vida continua.


(José Gil)

Às dez da manhã a agência bancária já se encontrava cheia. Nervosa por ir "pedir batatinhas", ainda mais ficou ao ver tanta gente. A seu lado, a filha, com pouco mais de sete anos, insistia que lhe doía a barriga e queria comer bolachas. A mulher, visivelmente nervosa, revirou pela centésima vez a sua carteira em busca de moedas perdidas. Nada. Nada de nada. Niente. Zero! Nem umas moedas para o raio das bolachas nem para o que quer que fosse. Chegada a sua vez, expôs o seu caso, em surdina envergonhada, a um dos caixas. Sabia que tinha esgotado e ultrapassado o plafond da conta ordenado e que tinha ficado com o cartão de crédito retido e o empréstimo da casa em atraso... "sim! SIM! eu sei disso tudo.... as prestações o cheque do pediatra devolvido etc.etc. etc. muitos etecéteras na minha vida!" A mulher, típico recorte de classe média, à beira da bancarrota, com um divórcio de permeio, tentava levantar cinquenta euros que, garantia, viria depositar na manhã seguinte, acrescida das prestações em atraso, logo que o patrão lhe adiantasse o vale. Recostando-se na cadeira, o caixa, com ar triunfalmente idiota, levantou a voz para mostrar a toda a gente ser detentor da razão. " Não podia... não podia, estava a cumprir ordens... a senhora já esgotou todos os limites e, para além disso, encontra-se inibida do uso de cheques!" - Olhando ainda em redor para aferir do impacto das suas palavras.

A filha insistia de modo irritante que tinha fome e queria comer uma bolacha. A chapada, seca de raiva, se a calara com a história das bolachas fizera-lhe soltar os soluços e as lágrimas numa torrente de choro convulsivo. À minha frente, a fila, impaciente pela demora no atendimento, insistia no fim da conversa e apelava à mulher para que se desviasse. Indiferente ao drama, enquanto o outro caixa convidava o colega para o pequeneo almoço logo que se despachasse, o sujeito que me antecedia virou-se para trás e encolhendo os ombros, abriu a boca com um sorriso matreiro e despejou: É a vida!...

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

O CAVALO DE TRÓIA...


Ainda se fosse a "Bela Helena", mas não! Tinha que ser o Cavalo de Tróia... Isso mesmo! O bicharoco invadiu os meus domínios, veio à procura não se sabe do quê, fez alguns estragos nas redondezas e cercanias, mas já o mandámos para outras pastagens. Neste breve período, não faltou tempo para discorrer sobre o caminho a seguir. Por entre alguns defeitos apontados com dedo acusador, achámos por bem voltar, ainda com mais força, ao hors d'oeuvres dos textos críticos porque não temos "medo de existir"... antes pelo contrário, vergonha de coabitar com a inércia e muita vontade de mudar o mundo.



Sábado, 14 de Março de 2009

TERTÚLIA VIRTUAL - MARÇO... O DESEJO...








A primeira vez que experimentara a sensação de desejo fôra em terra. Chegara à idade da líbido aos saltos e, mal a vira, o desejo trepara penhascos, montes e vales da geografia dos afectos numa pulsão firme e constante. O desejo de lhe consumir as carnes, sentir o cheiro, saborear a pele e morrer dentro dela em espamos e soluços eram a única estrutura gramatical, coesa de sintaxes e morfologias, que o seu alfabeto parco de conhecimento formulava. Rebolaram dias a fio num palheiro perdido à saída da vila. O trabuco de dois canos frio e firme na mão paterna, encostado à sua nuca, arrancara-lhe as dúvidas, metódicas ou não, sobre a importância dos laços do sagrado matrimónio. Foguetório, rancho folclórico, comes e bebes, vinhaça... muita vinhaça. Uma berlaitada já de madrugada e pronto! O desejo fôra-se como viera: sorrateiramente!

Embrutecera. Embruteceram ambos. Fosse pelo sol tisnando a tez numa constância estonteante, fosse pelo sal do mar gretando as mãos roxas de cumprimentar cordame e redes, a pouco e pouco, as falas passaram a limitar-se ao básico: o tempo, a faina e o paradeiro do crucifixo. O crucifixo que sempre o acompanhara nas saídas, desde o tempo do seu avô, protejendo-o das tentações do demo e do mau feitio do tempo.

A segunda vez que sentira desejo fôra no mar. Ia para a faina ainda noite cerrada. Sibilino, o céu escuro e vagamente estrelado qual carta de marear virada do avesso, anunciava borrasca. A mulher perguntara pelo paradeiro do crucifixo. Não sabia... procurara pela casa toda e pela traineira... nada! Talvez estivesse perdido no caixas do pescado...

- Não te faças ao mar homem... sem o crucifixo não homem! - pedira-lhe com a voz a sumir-se no sexto sentido de leoa a proteger as crias.

- Tenho que ir... - Lacónico e seco virou costas. A dor de estômago não tinha compaixão pelos caprichos do boletim metereológico.


Já no regresso, o temporal aumentara de intensidade. A traineira, velha na musculatura, não resistira. O veio de transmissão partira-se e o motor ficara a trabalhar a seco. À mercê das vagas de seis metros desfizera-se nos rochedos do ilhéu a duas milhas da costa. Com metade do corpo enterrado em água e a outra metade agarrando-se aos restos de amurada da embarcação amaldiçoava o raio do crucifixo. Fustigado pelo vento e pela chuva lambendo-lhe a face de sal, o mesmo que lhe dava facadas nos dedos fincados com desespero nas ranhuras e farpas do destroço, agarrava-se agora à vida com a mesma intensidade que desejara a mulher a primeira vez que a vira.
Não era homem de se curvar. Se precisava de Deus era nas horas de aperto, não nas horas vagas. Deus queria criadagem na fé... Vassalagens? Vassalagem só à sua fome e, no momento, ao seu desejo de viver.


A notícia chegara célere à vila, sem fios, sem rodeios, sem piedade. No meio do pranto e das benzeduras, a guarda avisara a força aérea para enviar um helicóptero.

A pressão das ondas esmorecia-lhe a vontade aliviando a força nas mãos forradas a dor de sangue e sal. O destroço não aguentaria muito mais, nas próximas vagas seria esmagado contra as rochas... De repente, a luz forte e sonora que se aproximava despertara-lhe os sentidos. Não... Deus não era... nem o diabo, nem a morte. Era... o helicótero de resgate da força aérea. Ao invés de asas, o arcanjo Gabriel descia por um cabo de aço com capacete e tudo...


Na manhã seguinte, um sol radioso pintava a vila em tons de bonança. Na praia, as crianças apanhavam conchas e búzios, descontraidamente, chapinhando nas poças. No meio de destroços, algas e alforrecas trazidas pelas ondas da maré baixa repousava, preso na areia, um crucifixo imaculado e reluzente...

Quinta-feira, 12 de Março de 2009

DENTRO DA NOVITAS

http://www.editoranovitas.com.br/

Enquanto o escriba prepara, com esmero e denodo, o próximo post agendado para dia 15 do corrente por conta da tertúlia virtual, que tem por base a temática do desejo podem, até lá, consultar o site da Editora Novitas e, no seu canto superior esquerdo clikar no link dos autores onde encontrarão o David Nóbrega, a Letícia Coelho e o Luís Bento... Quanto a este último autor e na sequência de preparação de saída do livro em data breve, poderão experimentar sensações fortes consultando a foto actualizada, uma resenha biográfica e mais alguns dados... Dia 15 cá estaremos para mais uma história bem contada

Segunda-feira, 9 de Março de 2009

BLOGAGEM COLECTIVA - INCLUSÃO SOCIAL



O texto de hoje nada tem de pretensamente literário. O texto de hoje faz parte de uma iniciativa da Ester envolvendo cerca de cento e noventa blogs desenvolvendo uma temática única: A Inclusão Social. Não pretende ser um ataque a nenhum extracto social, apenas põem a nu um flagelo global fruto do rumo de uma sociedade virada para o consumo e para a imagem, totalmente desprovida de valores. A cena desenvolve-se numa família de classe média na periferia de Lisboa.
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Cravou mais um prego na cruz do crédito bancário.
Fiat Punto, novinho em folha e reluzente, estacionado à porta do prédio rabiscado de graffitis.
Puxou os lençóis do cartão visa até ao topo e "ala que se faz tarde" para a rodagenzinha da viatura até ao Algarve, numas mini-férias recheadas de prazer.
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- António! O teu pai está doente! Tens que o levar ao médico!
- Logo agora!? Irra que o "velho" arranja sempre boas alturas para ficar doente!
"Não o vou meter no carro... ainda se vomita e suja-me o carro todo. Chamo mas é os bombeiros que eles levam-no."
Nem esperaram pelo cumprimento dos formalismos. Mal o homem deu entrada na triagem, assim que as portas se fecharam atrás dos maqueiros, apanharam um táxi, rapidamente e em força, com destino a casa. Um Algarve divertido esperava poreles.
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A semana passou a correr. Queimados da praia, cansados da viagem, foi só o tempo de ir passear o cão que estava "à rasca" para mijar e ir buscar "o velho" ao hospital.
Sim, era o seu pai... mas era um estorvo! A reforma que lhe esmifravam mensalmente nos correios, à força de botar o indicador direito no recibo, mal dava para os medicamentos. Queriam sair e não podiam. Adoecia a torto e a direito. Não tinham dinheiro para o pôr no lar... grande bico de obra!
"Agora chego lá e invento a desculpa que tivemos uma gastrointerite e ficámos sem telemóvel... Também... que se lixe.. o"gajo" ali ainda teve cama, mesa e roupa lavada... e ainda andou no trolaró com os outros... Portanto! Não se queixe.
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Já em casa, "o velho"manifestou a sua vontade em ir ao jardim. Uns meneios de cabeça, uns gestos e uns sons guturais era quanto bastava para exprimir as suas vontades. Desabituara-se de falar. Fosse pela trombose, fosse pela impaciência e má vontade da família em tentar entendê-lo, desabituara-se de falar.
Lá fora, vagarosamente, dirigiu-se ao muro de pedra sentando-se junto dos demais, apanhando as últimas réstias de um sol que teimava em não fugir de si...

Domingo, 8 de Março de 2009

OLHAR O PASSADO...


A Mulher... não quer homenagens... só quer respeito e o lugar que é seu por direito! E eu... respeito! Desenho e texto da autoria de Lou Camille... para a Lou Camille...

"E eu... que só hoje li os teus mails... achava que sabia escrevinhar com figuras de estilo a esmo e trocadilhos de sentidos. Não é preciso! Basta ser simples e, sem acabamentos ou rodapés, assentar as palavras direitinhas como tijolos...
Não te importas se eu postar o mail pois não? Exemplos de arte escrita não merecem ficar escondidos na caixa de correio... "
(Luís Bento)

"menino, vê lá... eu não quero escrever nem ser escritora. escrevo para mim e para alguns que gostam de me ler através de palavras escritas em português. não faças de mim o que não sou. (eu gosto de bastidores. gosto de maçã reineta e pêra rocha. eu gosto da palavra como gosto de pincéis. gosto da superfície das telas e da trementina. gosto ainda de Beethoven e de Satie mas também de Mozart e de Cosi Fan Tutte. Eu gosto de abrir e ver o que tem dentro e, por vezes, fechar a seguir. Gosto do amargo e do chá sem açúcar. eu gosto do silêncio e não gosto do gosto dos outros.) interessa-me a humanidade e um copo de vinho. porque a humanidade pode estar dentro de um copo de vinho sem ciência nem artifício."

(Lou Camille)

"Leio-te e revejo pedaços da minha infância na casa dos meus avós em Castelo Branco... Vou postar..."

(Luís bento)

"e eu..........que nem encantadora, que nem menina, falo uma linguagem de lá longe, do outro tempo que não eu a minha avó e o meu pai menino, os tempos da casa na Graça que não eu a minha mãe garota, as hortas de Benfica que não eu o meu avô e a tribo dele…. Histórias que sempre me contaram ao borralho, nos jantares alongados nas mesas fartas do pão de milho e da chouriça…. o cheiro da couve galega na panela de ferro e o crepitar dos sonhos nas brasas de oliveira. Era um tempo diferente mas bom, eternamente bom. A minha irmã menina, o meu irmão não morto, vivo, os três a fazer teatro atrás do reposteiro no vão da porta onde as paredes eram de granito, frias e húmidas. E todos a bater palmas no final!…. serões de província…. serões de conversas, de histórias que eu ouvia….. e ainda hoje se fazem lá por casa, mesmo sem teatro….. e por vezes com gotas de saudade….. ….. é bom saber como isso nos fez o que somos.
Um dos resultados é não ter televisão em casa. "

(Lou Camille)

Sábado, 7 de Março de 2009

DESAFIO

Mais um desafio... e eu não vou dizer que não!

No livro que tenho mesmo à mão (Memória de Elefante ), de António Lobo Antunes, na página 58 a 5ª frase completa:
"Acabou por levantar-se na renitência de um Lázaro acordado por um cristo inoportuno."

Frase...oportuna...

Eo desafio segue para:

Lou Camille
Susana
Senhora
Ana Paula
Marcos Valério

Vá toca a andar que hoje é um dia especial...

O IMPÉRIO DOS SENTADOS...

A ausência prolongada deste espaço deveu-se, desta vez, a excesso de produção literária! Com prazos apertados para cumprir, o livro de contos já se encontra na editora, terminado, prefaciado, revisto e pronto para publicação em breve. Dado que andamos em polémica por vários blogs sobre os conceitos de moral, erotismo e pornografia fiquemos hoje com uma piada que, mesmo sem piada, no mínimo, dá que pensar...
É TUDO UM QUESTÃO DE SEXO!!!


No Império dos Sentidos...



E... No Império dos sentados...